Música

Música para os nossos ouvidos: os discos da rentrée

Um disco perdido de Neil Young, os atrasados Beck e Orelha Negra, Benjamin Clementine e Miley Cyrus são algumas das novidades que chegam às lojas e plataformas de streaming até ao final de outubro.

Sim, Courtney Barnett e Kurt Vile fizeram um disco a meias. O resultado sai no dia 13 de outubro.

© Danny Cohen / Divulgação

A rentrée cultural começa esta sexta-feira com o muito aguardado novo disco dos LCD Soundsystem, com mais um capítulo no universo pós-rock dos Mogwai e com o disco de estreia dos Inheaven. Inspirados por tais aperitivos, olhamos para todas as sextas-feiras até ao final de outubro e reunimos aqui 17 álbuns que nos vão chegar aos ouvidos.

Comecemos pelos The National, que no dia 8 de setembro revelam ao mundo o sétimo disco de originais, Sleep Well Beast. Numa entrevista à Rolling Stone, Matt Berninger tinha dado a entender que parte do novo material é “muito negro”. O mais negro que já fizeram, apesar de a banda ter o rótulo da melancolia a persegui-la. De acordo com a mesma entrevista, a temática vai centrar-se nos casamentos que falham e as letras estão a ser escritas por Matt e pela mulher. “O nosso casamento vai muito bem”, acrescentou rapidamente. A mais recente amostra foi revelada há poucos dias:

O dia 8 setembro de 2017 vai ficar na memória da cantora escandinava Anna Lotterud. É nesse dia que sai o disco de estreia de Anna of the North, o seu nome artístico. Lovers é uma coleção de canções eletro pop de cunho minimalista, feitas à imagem desta mulher de 28 anos. No currículo conta já com colaborações com Tyler, The Creator e Frank Ocean. Chegou o momento de brilhar sozinha.

Alex Cameron é um australiano de ar desolado que mexe as ancas como ninguém (e isto não é necessariamente um elogio), mas que, sabe-se lá porquê, conquista-nos às primeiras audições. No seu primeiro disco de estúdio, Jumping the Shark, os sons dos anos 80 serviamm de base ao ambiente autodepreciativo a que recorre, encarando com aparente naturalidade o facto de ser um falhado. Coisa cada vez mais rara, no mundo das redes sociais em que só se partilham maravilhas. O sucessor, Forced Witness, chega a 8 de setembro. Estaríamos a mentir se não confessássemos que estamos em pulgas.

Alvvays (lê-se Always) lançam o segundo disco, Antisocialites, a 8 de setembro, já com o mood nostálgico de fim de verão. O indie-dream-pop dos canadianos chamou a atenção quando se estrearam, em 2014. Três anos depois, voltaremos a ouvir a voz doce de Molly Rankin, a cantar letras não tão doces. Como “Undertow”, sobre o fim de uma relação:

You find a wave and try to hold on for as long as you can
You made a mistake you’d like to erase and I understand
What’s next for you and me? I’ll take suggestions we toss and turn in undertow
Time to let go

No dia 11 de agosto de 1976, Neil Young juntou-se, como habitualmente, ao produtor e amigo David Briggs em Malibu e tocou de uma assentada várias canções em versão acústica. A gravação continha músicas que o canadiano, apelidado de avô do grunge, foi tocando ao longo da sua carreira ao vivo, mas nunca tinha visto a luz do dia. No dia 8 de setembro, mais de 40 anos depois, Neil Young vai lançar o fruto dessa noite. Chama-se Hitchhiker e é uma viagem no tempo com direito a duas músicas inéditas, “Hawaii” e “Give Me Strength”. Um tesouro para os fãs.

Benjamin Clementine foi uma das grandes revelações de 2015, graças a At Least For Now, 11 canções carregadas de alma e talento, muito centradas nas experiências pessoais do londrino. O sucessor chama-se I Tell a Fly, deixa o passado onde ele está e centra-se nos problemas atuais, da guerra ao bullying. As primeiras amostras foram muito bem recebidas há duas semanas, no festival Vodafone Paredes de Coura. Mais, só no dia 15 de setembro.

Esperava-se que o terceiro disco dos Orelha Negra fosse lançado no outono do ano passado. Afinal, as 13 canções do universo hip-hop, eletrónico, jazz, funk e soul de Sam the Kid, Fred Ferreira, DJ Cruzfader, Francisco Rebelo e João Gomes, saem no final deste verão. O disco homónimo é lançado a 15 de setembro e, no mesmo dia, os Orelha Negra atuam no festival Iminente, em Oeiras.

Concrete and Gold, assim se chama o novo trabalho dos já veteranos Foo Fighters. Para produzir o nono disco de originais, Dave Grohl e companhia chamaram Greg Kurstin, colaborador habitual de Adele e Sia. O resultado vai ser divulgado a 15 de setembro.

Dia 15 de setembro saberemos, finalmente, o que valem os Prophets of Rage. O supergrupo formado por membros dos Rage Against the Machine (Tom Morello, Brad Wilk e Tim Commerford), Public Enemy (Chuck D e DJ Lord) e Cypress Hill (B-Real) lança o primeiro disco, homónimo, de onde já se conhece pelo menos uma canção: “Unfuck the World”.

Filipe C. Monteiro tem trabalhado na componente visual de músicos portugueses como Paulo Furtado e David Fonseca. Agora, sob o alter-ego Tomara, decidiu mostrar a sua voz musical com o single de estreia “Coffee and Toast”. E que bela é. O primeiro disco vai chamar-se Favourite Ghost e sai no dia 22 de setembro.

Mais festivo será Haiku From Zero, o primeiro álbum de estúdio dos Cut Copy em quase quatro anos. A banda acaba de revelar o segundo single do álbum, “Standing in the Middle of the Field”. Kalimpas em loop, cowbells, sintetizadores, tudo isto nos prometem para o dia 22 de setembro.

Praticamente vimos Miley Cyrus crescer na televisão. A ex-Hannah Montana vai lançar, no dia 29 de setembro, Younger Now, e a curiosidade é grande: “Malibu”, o primeiro single, tem 268 milhões de visualizações no YouTube e mostra uma Miley Cyrus mais tranquila e madura, por contraditório que possa parecer, tendo em conta o nome do disco.

Quem também está pronto a lançar canções novas é Tiago Bettencourt. A Procura sai a 29 de setembro mas já está em pré-venda. Os primeiros compradores ganham um bilhete para o concerto de apresentação do álbum no Teatro da Trindade, em Lisboa, a 3 de Outubro.

A 6 de outubro voltamos os ouvidos para o regresso dos Wolf Parade, sete anos depois de Expo 86. Os canadianos põem fim ao hiato com Cry, Cry, Cry, de onde já saíram duas amostras, não muito entusiasmantes. A ver vamos.

Um Kurt e uma Courtney a fazerem um álbum juntos? Aconteceu e o resultado também sai a 13 de outubro. Enquanto a sensação australiana Courtney Barnett não lança o sucessor de Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, de 2015, não ficou sentada a pensar na vida. A primeira amostra do futuro Lotta Sea Lice, a meias com Kurt Vile, deixa vontade de escutar mais.

Beck na lista de novos lançamentos deixa uma sensação de déjà vu. Há um ano, a estimativa era que o disco saísse no dia 21 de outubro, mas eis-nos aqui, noutro outubro. Parece que desta vez é que é. Colors chega às lojas e plataformas de streaming no dia 13 de outubro e dele já conhecemos algumas canções, sendo a mais recente “Dear Life”.

A voz de “Chamar a Música” regressa aos discos após uma ausência do estúdio que durou sete anos. As novidades chegam no dia 27 de outubro, sabe o Observador. Para entreter a espera, Sara Tavares deu-nos “Coisas Bunitas”. “Durante este período que não estive a gravar fui bastante à discoteca. E há muito aquela coisa do rapaz querer conquistar a rapariga, às vezes só para uma simples dança, mas há uma falta de jeito incrível e é parte de uma atrapalhação. Acho que uma frontalidade com doçura chega, a canção parte disso, se não tens nada bonito para dizer está calado, se queres dizer ganha tomates e diz como deve ser”, contou no ano passado ao Observador.

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