Teatro

“Quem tem medo de Virginia Woolf?” abre temporada do Teatro Nacional São João

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"Divine" e "A Promessa" são os grandes destaques do arranque da temporada 2017/2018. O programa, divulgado hoje, inclui ainda a peça brasileira "Eles Não Usam Tênis Naique" passada numa favela do Rio.

Diogo Infante dirige a peça de abertura do TNSJ, e contracena com Alexandra Lencastre.

© Paulo Sabino / Divulgação

A rentrée do Teatro Nacional São João (TNSJ) fez-se esta quinta-feira com a abertura da exposição “Teatro de Rua” e a revelação do programa para os últimos quatro meses do ano. Para além da celebração dos 120 anos de vida do Teatro Nacional Carlos Alberto (TeCA), há sete estreias no calendário.

Não é uma estreia, mas é um dos destaques da agenda teatral da cidade até dezembro. “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” estreou em Lisboa em abril e está em cena no TNSJ de 14 a 24 de setembro, com os bilhetes já quase esgotados. Esta versão do texto de 1962 de Edward Albee, aqui dirigida e protagonizada por Diogo Infante, que contracena com Alexandra Lencastre, tem por base uma versão de João Perry.

Divine” e “A Promessa” são os grandes destaques do arranque da temporada 2017/2018, por serem duas produções com a assinatura do próprio TNSJ. O primeiro é um concerto do clarinetista Carlos Piçarra Alves e do Arte Music Ensemble para celebrar o Dia Mundial da Música, na noite de 1 de outubro. O programa integra duas obras maiores para clarinete e quarteto de cordas compostas com cem anos de distância, de Mozart e Brahms.

Já “A Promessa“, peça que revelou Bernardo Santareno (1920‑1980), dramaturgo que Jorge de Sena descreveu como “um talento obsessivo e sombrio”, regressa ao Porto depois de uma estreia em novembro de 1957, pelas mãos do Teatro Experimental do Porto. 60 anos depois, a 16 de novembro, apresenta-se com dramaturgia de Constança Carvalho Homem e cenografia e figurinos do diretor do TNSJ, Nuno Carinhas. Em cena até 3 de dezembro.

“Eles não usam tênis naique”, da Cia. Marginal, está inserido no MEXE. © Renato Mangolim / Divulgação

Inserido na quarta edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte Comunitária está uma peça especial. A história de “Eles Não Usam Tênis Naique“, da companhia brasileira Marginal, passa-se numa favela do Rio e narra o reencontro de um pai e uma filha, que não se viam há muitos anos. Segue-se um embate ideológico das duas personagens: ele foi traficante nos anos 80, quando o comércio ilegal de drogas ainda mantinha um certo vínculo moral com a comunidade, ela é hoje uma jovem traficante. Para ver no TeCA no di 22 de setembro.

Durante duas semanas, Alfredo Martins e convidados ocupam o Mosteiro de São Bento da Vitória com dois espetáculos, um documentário e duas oficinas. Primeiro há Nacional‑Material, Paisagem com Argonautas (20 a 23 de setembro), espetáculo‑‑debate sobre a imigração e a integração de estrangeiros e seus descendentes nos países de acolhimento. Os espectadores formam uma assembleia onde se discute e decide o futuro de uma estrangeira que, abandonada como Medeia pelo homem por quem se apaixonou, se vê sem o visto de residência obtido por via do casamento. Depois, Días Hábiles (27 a 30 de setembro), projeto em estreia absoluta que resulta da viagem de Alfredo Martins e Rui Santos por vários países da América do Sul. “Manuel Congo“, um filme documentário assinado por Alberto Martins e Rui Santos, também tem estreia marcada para 30 de setembro, às 15h.

Entre 12 e 29 de outubro estreia-se no TeCA o projeto “Retrato de Família“, que se divide em dois espetáculos encenados por Manuel Tur: “O Pelicano”, de Strindberg, e “Tatuagem”, da dramaturga alemã Dea Loher.

A recentemente pintada fachada do TeCA. © Susana Neves / Divulgação

Para o dia 31 de outubro, véspera de feriado, está marcada a antestreia do filme “Peregrinação“, do realizador João Botelho, no TNSJ. O recital de poesia e música “Ou isto ou Aquilo“, a partir da poesia da brasileira Cecília Meireles, com a encenação de José Caldas, é o destaque para o mês de dezembro, com estreia marcada dia 14 e em cena até dia 17.

O programa de início de temporada foi apresentado no TeCA depois da inauguração da exposição “Teatro de Rua”, feita de cartazes que põe em perspetiva mais de uma década de criação gráfica para esta sala de espetáculos do Porto, que completa este ano 120 anos de vida. Recuperando do arquivo trabalhos dos designers João Faria, Joana Monteiro e Dobra (João Guedes e André Cruz), poem ver-se cartazes que anunciando produções da casa, criações de várias companhias do Porto, ciclos de teatro e dança ou espetáculos internacionais.

Para assinalar o aniversário, está marcada para este sábado, 9 de setembro, às 15h, uma visita guiada especial pelo edifício, orientada pelo arquiteto e cenógrafo Nuno Lacerda Lopes, autor do projeto de reabilitação do TeCA.

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