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Era um tributo a Diana, agora é alvo de chacota na internet, mas pode ser oportunidade de negócio

A cidade de Chesterfield, em Inglaterra, fez um tributo à princesa Diana. O resultado está a ser ridicularizado, mas a autarquia vê agora uma oportunidade para o turismo local: "Só pode ser bom".

Todos os anos, a autarquia de Chesterfield patrocina um arranjo temático feito com materiais naturais, que é colocado no centro. Em 2016, o tema foi a saga Harry Potter

Todos os anos, a cidade de Chesterfield, no centro de Inglaterra e com uma população de cerca de 100 mil habitantes, coloca um painel temático feito exclusivamente de materiais naturais (frutos, folhas e sobretudo flores) em torno de um poço no centro da localidade. É uma tradição que remonta ao século XVII. Em 2017, o tema escolhido foi a princesa Diana, como forma de assinalar os 20 anos da sua morte.

A ideia até podia ser boa, mas a execução nem por isso — e é esse pormenor que está a merecer vários comentários no Reino Unido e não só. As imagens valem por si, mas nunca é demais descrevê-las: no lugar do cabelo loiro de Diana vê-se um volume cinzento; os olhos surgem disformes e parecem estar revirados; a boca consiste nuns lábios cor-de-rosa claros que contornam uma dentição cinzenta, com o cabelo.

This year's #Chesterfield well dressing marks the 20th anniversary of the death of Diana, Princess of Wales.The well dressing is on display at the Town Pump outside the Market Hall.

Posted by Chesterfield Borough Council on Tuesday, September 12, 2017

As imagens foram partilhadas no Facebook da autarquia local, que não foi poupada a vários comentários ora de desagrado, ora de chacota.

“As nossas lojas estão a fechar, as bancas do nosso mercado estão vazias, temos sem-abrigo na nossa rodoviária, a nossa equipa de futebol é uma porcaria e agora temos isto”, queixa Roger Fearn, habitante de Chesterfield.

Louise Foyster escreveu: “Isto pode ser viral e ir para as notícias do país. Coloca Chesterfield no mapa! É horrendo”.

“A sério! Espero que isto tenha sido feito na escola primária. Ainda assim, conhecendo a nossa autarquia, provavelmente pagaram uma comissão de 40 mil libras”, comentou Stephen Jones.

Foram poucos os comentários a demonstrar alguma compreensão, ou condescendência, para aquele tributo à princesa Diana. “Talvez não esteja totalmente igual, mas vá lá, pessoal! Houve gente que se esforçou muito para fazer isto e não tinham de fazê-lo. Fizeram uma coisa agradável para Chesterfield e por Diana. Mostrem algum respeito. Eu cá sei que não teria feito melhor! Alguém gastou horas do seu tempo para fazer isto, que sejam abençoados! Espero que eles nunca leiam estes comentários, porque podem magoar mesmo os seus sentimentos”, escreveu Emma-Leigh Rose.

Será que o turismo de Chesterfield vai ganhar com isto? Em Espanha, resultou

Enquanto isso, a autarquia de Chesterfield não parece demonstrar arrependimento pela obra por trás do súbito interesse nacional por aquela localidade. “Toda a arte deve servir para começar uma conversa e certamente que é esse o caso com a obra deste ano”, disse a autarquia, em comunicado citado pelo The Guardian. “A decoração do poço é feita para atrair visitantes à nossa zona e se a publicidade motivar mais pessoas a vir e visitar o nosso mercado e as lojas locais, então isso só pode ser bom para Chesterfield.”

A surgir um fenómeno de visitas àquela localidade, tal não seria um caso inédito. A pacata vila de Borja, nos arredores de Saragoça e com apenas cinco mil habitantes, viu o número de turistas subir a pique depois de, em agosto de 2012, ter ficado mundialmente conhecido o restauro desastroso de um fresco com a figura de Jesus Cristo. A obra, intitulada “Ecce Homo” e que foi produzida pelo pintor Elías García Martinez na década de 1930, foi retocada, e consequentemente desfigurada, por Cecília Giménez, uma octogenária sem experiência relevante na área da pintura. A “obra” que a reformada fez sobre o fresco rendeu, até novembro de 2016, cerca de 180 mil visitas. Agora que já passaram cinco anos da data, é possível que o número já tenha passado dos 200 mil visitantes.

O facto é até referido, com algum humor, no site oficial do turismo de Borja. “A mudança sofrida (e não desejada) no santuário é inegável: há um antes e um depois do restauro do Ecce Homo. A partir de então, a chegada de visitantes é constante, turistas e curiosos chegam ao Santuário da Misericórdia para ver pessoalmente e fotografar aquela versão tão única”, lê-se naquele site. “Sem dúvida, trata-se de uma visita que arranca sempre um sorriso.”

Há ainda quem recorde a polémica estátua de Cristiano Ronaldo, no aeroporto do Funchal, como um dos casos que merece estar na galeria de casos polémicos como este mural da princesa Diana ou a pintura de Jesus.

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