Jogos Olímpicos

Olímpicos. Os planos (e milhões) de Paris até 2024

O Comité Olímpico Internacional oficializa hoje a organização dos Jogos Olímpicos de 2024 em Paris. Os números - e os milhões - são muitos. Los Angeles fica com a edição seguinte.

Paris organiza os Jogos Olímpicos cem anos depois

PHILIPPE LOPEZ/AFP/Getty Images

A partir desta quarta-feira a decisão deve tornar-se oficial: os Jogos Olímpicos (JO) de 2024 vão ser em Paris e Los Angeles fica com a edição de 2028. Os dois países são os únicos candidatos ainda em jogo, por isso, nada disto é novidade. Mas o anúncio oficial e posterior votação só acontecem esta quarta-feira, em Lima, no Peru.

Paris vai organizar os Jogos Olímpicos exatamente cem anos depois de o ter feito pela primeira – e única – vez, em 1924. A espera foi longa e, para celebrar a vitória da candidatura a cidade planeou um concerto ao ar livre, perto da Torre Eiffel. Além da população, também as empresas francesas têm motivos para festejar: o Comité Olímpico Internacional (COI) vai disponibilizar 6,6 mil milhões de euros para organizar o maior evento desportivo do mundo.

Em declarações à Bloomberg, Martin Bouygues, presidente-executivo da Bouygues, segunda maior construtora francesa e patrocinadora da candidatura, disse que “é extremamente positivo. Os Jogos são uma oportunidade de melhorar a infraestrutura existente e desenvolver novas”. Vai ser investido um total de 3,2 mil mihões de euros na criação de novas plataformas. A maior parte do dinheiro vem de patrocínios privados, do COI e da venda de bilhetes. Um estudo feito pela própria cidade de Paris estima que os JO possam gerar mais de 10,7 mil milhões de euros para a região e 247 mil postos de trabalho.

Numa entrevista também à Bloomberg, a presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo, disse que “os Olímpicos são um projeto para toda a sociedade que põe a funcionar todos os setores. Vai acelerar o nosso trajeto rumo a uma economia mais ecológica e inclusiva.”

Anne Hidalgo afastou as imagens repetidas de Atenas e Rio de Janeiro, em que os estádios e instalações abandonadas fizeram capas de jornais e revistas em todo o mundo. A presidente da câmara de Paris acredita que a cidade vai criar estruturas duradouras e trabalhar com as empresas para que toda a organização fique dentro do orçamento – que equivale a metade do que foi usado no Brasil.

“A maior parte das instalações desportivas e de hotelaria está construída”, explica Hidalgo, e acrescenta que “as que não estão vão estimular atividade para os construtores locais”, dando o exemplo da próxima piscina olímpica nos subúrbios de Saint-Denis, que vai ser construída de raiz para os JO e aproveitada depois como piscina municipal aberta ao público. Outro dos planos é tornar todas as estruturas de acomodação da comunicação social e dos atletas em casas para habitantes com baixo rendimento.

Contudo, a história não abona a favor de Anne Hidalgo. Outros presidentes de câmara tentaram permanecer dentro do orçamento e falharam. Em 1968 (Cidade do México) e 2016 (Rio de Janeiro), os gastos foram superiores ao que era esperado em 176%. De acordo com Alexandre Delaigue, economista da Universidade de Lille, isto acontece porque os futuros anfitriões têm tendência a baixar o valor dos orçamentos para vencer o concurso.

O orçamento para Paris 2024 não inclui o custo da segurança – um tópico especialmente importante devido aos vários ataques terroristas que aconteceram na cidade nos últimos anos. As autoridades francesas vão utilizar 48 mil agentes para a segurança fora da Aldeia Olímpica, enquanto que 20 mil agentes privados vão estar mais perto da ação. Em 2016, foi mobilizado um total de 90 mil polícias para o Campeonato da Europa de futebol.

A cidade está ainda a planear a limpeza do rio Sena para as provas de triatlo e de águas abertas. Anne Hidalgo enumerou Sydney, Barcelona e Londres como exemplos a seguir e terminou ao dizer “cada euro vai ser útil. Vamos demonstrar que os JO não são só um custo”.

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