Venezuela

Venezuela. Maduro disponível para dialogar com oposição

As conversações vão ser mediadas pelo presidente da República Dominicana e por José Luis Zapatero. Nicolás Maduro também anunciou um novo plano agrícola.

Uma nova chance à oposição e 200 mil jovens para o campo

MIRAFLORES PRESS OFFICE / HANDOUT/EPA

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  • Agência Lusa

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse esta terça-feira estar disposto a dialogar com a oposição no país, no âmbito da mediação proposta pelo presidente da República Dominicana e pelo antigo primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero.

“Quero anunciar que (…) aceito esta nova jornada de diálogo”, disse o chefe de Estado venezuelano na televisão oficial do país, referindo-se ao que apelidou de convite de Danilo Medina e de José Luis Zapatero.

Maduro indicou que este repto permite iniciar, muito brevemente, “uma nova jornada de diálogo para a paz e para a democracia venezuelana“.

O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza, garantiu já ao seu homólogo francês, Jean-Yves Le Drian, que as conversações começam hoje na República Dominicana.

Nicolás Maduro também anunciou um “plano especial de produção agrícola” que prevê o envio de 200 mil jovens para o campo para produzir alimentos e formar cooperativas apoiadas e supervisionadas pelo Governo.

“Quero um plano especial de produção agrícola para que dos 700 mil jovens do Plano Chamba [Trabalho] Juvenil, pelo menos 200 vão para o campo para produzir alimentos”, afirmou Maduro, prometendo garantir-lhes “tudo”, como educação para o efeito e um lugar onde viver.

Segundo o chefe de Estado venezuelano, “há muitos jovens” no país que estudaram já a produção agrícola.

“Se se formou na universidade como agrónomo profissional, o que é que está a fazer em Chacao [município de classe média no leste de Caracas]? Vá para [os estados rurais de] Portuguesa, Guárico, Barinas que lhe garantimos casa, um bom salário, crédito, terras, uma empresa cooperativa, mas sim, monitorizada, apoiada”, sublinhou.

O Presidente da Venezuela, que falava na televisão estatal no final de um Conselho de Ministros, pediu “o apoio da Juventude Socialista Unida da Venezuela” para concretizar o seu novo projeto.

Nicolás Maduro adiantou ainda que 20 mil jovens vão integrar, no próximo mês, um novo plano que incluirá fórmulas para garantir que há “proteína animal no bairro, na comunidade”, o qual prevê a introdução da criação de coelhos nas cidades, com o objetivo aliviar a falta de alimentos.

O coelho não é um animal habitual na dieta dos venezuelanos, sendo mais popular como mascote do que como sustento, uma circunstância que pode ser um obstáculo à aplicação desta ideia.

Com efeito, um primeiro lote de coelhos foi distribuído por 15 bairros e comunidades. “As pessoas tinham os coelhitos com um lacinho e pegaram neles como mascotes. Foi um primeiro revés do ‘Plano Coelho'”, declarou Maduro, rodeado pelos seus ministros, reconhecendo que o seu mais recente projeto enfrenta um problema cultural.

“Ensinaram-nos que o coelho é uma mascote bem bonita (…). Contudo, olhado do ponto de vista da guerra, uma coelha parirá aproximadamente 10, 12 coelhitos, no final criam-se oito”, disse, por seu lado, o ministro da Agricultura, Freddy Bernal.

Neste âmbito, defendeu o lançamento de uma campanha para mudar a visão da população relativamente àquele animal, de modo a fazê-lo ver que são “2,5 quilos de carne” na mesa.

“Estamos à procura de soluções criativas na visão socialista, produtiva”, realçou o Presidente da Venezuela, país que se encontra a braços com uma grave crise provocada pela escassez de alimentos e outros bens essenciais e por uma galopante inflação.

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