Fotografia

A história do declínio e regresso da Polaroid

A Polaroid deixou de fabricar máquinas fotográficas no ano em que foi apresentado o iPhone. Regressou em 2016 com uma câmara instantânea demasiado cara. Em outubro apresenta uma a metade do preço.

VALERIE MACON/AFP/Getty Images

Regozijem, saudosistas: a Polaroid vai apresentar uma câmara instantânea (bem mais económica do que a apresentada no ano passado, quando regressou uma década depois à produção) em outubro.

A história do ocaso e reaparecimento da Polaroid é, sobretudo, curiosa. Quando surgiu a fotografia digital, a fotografia analógica tornar-se-ia obsoleta. Poucos são os que fazem ainda uso da segunda. Mas a Polaroid nunca foi propriamente uma câmara analógica convencional. Empresas houve, como a Kodak, que entraram em declínio com o digital. Isto porque os lucros da Kodak resultavam maioritariamente da venda de película fotográfica. Ora, a Polaroid dispensava a película e a (tantas vezes demorada) revelação. O que se fotografava era descoberto de imediato, instantaneamente, corresse bem ou corresse mal.

Ambas, Kodak ou Polaroid, fotografia analógica ou “instantânea”, sofreram sobretudo com o surgimento dos smartphones — que se tornariam num álbum fotográfico em tamanho de bolso, podendo tudo quanto é fotografado ser partilhado imediatamente, por exemplo, nas várias redes sociais. Curiosamente, a Polaroid deixou de fabricar máquinas fotográficas… no ano em que foi apresentado o primeiro iPhone: em 2007.

Não vendendo máquinas fotográficas como antes, a empresa norte-americana (que teve diferentes proprietários na última década) deixaria simplesmente de as produzir. Mas nunca de existir, tendo-se voltando, por exemplo, para a produção de óculos de sol.

O formato “Instax”, contudo, resistiria longe da própria marca que o celebrizou. Há nove anos, três empresários criaram na Holanda uma pequena empresa: a Impossible Project. A revelação instantânea ganhava nova vida. É verdade que a qualidade das fotografias não era (nem nunca foi) a mesma da máquinas Polaroid. Mas abriu-se para a Impossible Project um mercado procurado sobretudo pelos saudosistas, o “mercado da memória”. Atenta estava outra gigante da indústria da fotografia: a Fuji. E prontamente a empresa japonesa começou a comercializar câmaras instantâneas também.

No último Natal o produto fotográfico mais vendido na Amazon foi precisamente uma câmara instantânea da Fuji.

Num primeiro momento, a Polaroid quis regressar e associou-se à Fuji, sendo vendida uma câmara “Instax” com tecnologia japonesa mas com o símbolo da empresa norte-americana nela impresso. Mais recentemente, e com o sucesso que esta câmara teve, os proprietários da Polaroid resolveram adquirir a Impossible Project (lembra-se?) e rebatizá-la como Polaroid Originals.

No ano passado sairia a sua primeira câmara. Custava perto de 300 euros. Talvez pelo exorbitante preço, a procura foi pouca. Em outubro sairá outra, a OneStep 2. Preço? 119 euros. Mais: terá as lentes melhoradas e uma porta USB que permite recarregar a bateria — tendo esta uma autonomia… de 60 dias. Haverá também uma versão da OneStep 2 para fotografar a preto e branco.

O único problema que se adivinha é simples: a câmara instantânea está mais barata, sim, mas as recargas (nomeadamente a i-Type que permite fazer oito fotografias) continuam caras, custando 16 euros cada.

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