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Conheceram-se na II Guerra e estiveram casados 75 anos. Morreram com 5 horas de diferença

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Jean, inglesa, foi convidada para dançar por George, soldado canadiano, em 1941, num baile nos arredores de Londres. Estiveram casados durante 75 anos. Morreram agora, com apenas 5 horas de diferença.

George, 94 anos, e Jean, 91, morreram com 5 horas de diferença em Otava, no Canadá, na passada sexta-feira

Postmedia

Conheceram-se em 1941, num baile nos arredores de uma Londres devastada pela Blitzkrieg. Ela tinha 18 anos, era bombeira e tinha acabado de enterrar o sonho de ser jornalista, depois de a redação do jornal onde trabalhava como secretária ter sido destruída por uma bomba alemã. Usava um vestido vermelho. Ele, natural de Otava, tinha 21 anos e era o mais jovem sargento do Corpo Real de Engenheiros do Canadá. Calçava botas da tropa. Não foram elas que o impediram de a puxar para dançar.

Juntos, dançaram a noite inteira, contaria ela décadas mais tarde. “Assim que a vi, soube que era ela. Nunca mais lhe tirei os olhos de cima”, revelou ele.

Um ano mais tarde, Jean e George Spear casaram-se, em Kingston Upon Thames, terra-natal dela, que usou um vestido de noiva emprestado pela filha do talhante. Festejaram 75 anos de casados no passado dia 22 de agosto. Morreram agora, na última sexta-feira, depois de ambos serem internados no Queensway Carleton Hospital, na capital canadiana, ela com uma pneumonia, ele sem causa aparente senão um sono muito profundo.

Jean morreu às 4h30 da madrugada, ele logo depois, às 9h45. “Contamos histórias para tentarmos sentir-nos melhor. Mas isto desafia qualquer tipo de lógica. Fomos surpreendidos com a rapidez com que tudo aconteceu”, disse ao Ottawa Citizen a filha mais velha, Heather, 70 anos (Ian, o mais novo, tem 67).

Apesar de casados desde 1942, Jean e George só começaram a viver juntos dois anos depois — depois de Londres, ele foi enviado para Itália e para o Norte de África e só a seguir para Otava. Com a guerra ainda a decorrer, em 1944 ele tratou de tudo para que ela pudesse embarcar num comboio naval da Cruz Vermelha em Londres, com destino ao Canadá. Foi uma operação digna de agente secreto, conta o jornal canadiano: Jean recebeu um telefonema com ordens para fazer as malas e se encontrar com uma mulher, que nunca antes tinha visto, no porto. Nem tempo para se despedir da família teve. Quando chegou a Otava, tratou de ajudar quem deixara para trás.

Foi o programa que montou, através do qual durante o último ano da guerra uma centena de famílias de Londres receberam alimentos enviados por outras tantas canadianas, que chamou a atenção da família real britânica, que em 2006 a condecorou com a Ordem do Império Britânico. E que em 2011 valeu ao casal um convite para uma receção organizada em Otava em honra do Príncipe William e da Duquesa de Cambridge.

Durante o jantar, George fez questão de mostrar a Kate Middleton a primeira fotografia que tirou com Jean, na primeira vez que saíram juntos. Ela perguntou-lhe se tinha andado sempre com ela, até ao fim da guerra. “Até ao fim da guerra e depois dela”, respondeu ele.

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