Nações Unidas

Guterres na ONU: “O mundo tem medo de uma guerra nuclear”

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António Guterres conduziu esta terça-feira a sua primeira Assembleia-Geral das Nações Unidas. Falou da tensão norte-coreana e da crise em Myanmar, sem esquecer o terrorismo e as alterações climáticas.

António Guterres falou pela primeira vez perante uma Assembleia-Geral da ONU

Spencer Platt/Getty Images

O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou esta terça-feira na sua primeira abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre em Nova Iorque, onde ressalvou o perigo do armamento nuclear na Coreia do Norte, a crise humanitária em curso em Myanmar e os esforços globais de combate ao terrorismo. Não deixou de lado os efeitos “visíveis” do aquecimento global, as desigualdades sociais ou os perigos “obscuros” da inovação tecnológica.

“O mundo tem medo de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte”, afirmou Guterres, ressalvando que “o uso de armas nucleares tem de ser impensável”.

Milhões de pessoas vivem sob a sombra do perigo causado pelos ensaios nucleares da Coreia do Norte”, afirmou António Guterres.

O secretário-geral não deixou margem para dúvidas quanto à sua posição no que diz respeito aos ensaios nucleares levados a cabo por Pyongyang: “Condeno inequivocamente”.

Uma semana após o decreto de novas sanções ao regime de Kim Jong-un, Guterres considera que “a unidade” do Conselho de Segurança é a chave para a resolução da escalada de tensões e que essa unidade é frágil. Para António Guterres, as sanções aprovadas “enviam uma mensagem clara”.

Não podemos entrar sonâmbulos numa guerra. Os países têm que mostrar um grande empenho para um mundo sem armas nucleares. Os Estados com armas nucleares têm uma responsabilidade.”

A seguir, o secretário-geral focou-se na “ameaça global que é o terrorismo”. Apelou, da mesma forma, à união entre organizações e entidades globais no combate ao terrorismo, mas aproveitou para chamar à atenção das nações presentes para os focos de conflito onde o terrorismo se desenvolve. “Não basta combater no campo de batalha”:

Temos que fazer mais para resolver as raízes da radicalização. Juntos, temos que tirar partido dos instrumentos das Nações Unidas e apoiar os nossos esforços. A experiência mostra-nos que retaliações demasiado duras, e de mão pesada, podem ser contraprodutivas.”

“Ninguém está a ganhar as guerras de hoje”

António Guterres virou-se depois para Myanmar (ex-Birmânia), onde a crescente crise humanitária que envolve centenas de milhares de rohingyas não vê fim, e dirige-se diretamente a Aung San Suu Kyi, líder de facto do país, e pede ajuda para pôr fim aos “conflitos por resolver e à violação sistemática do direito humanitário internacional”.

Todos estamos chocados com a escalada das tensões em Myanmar: um ciclo vicioso de perseguições, recriminações e repressões violentas que levou a que 400 mil refugiados fujam desesperados e que colocou a estabilidade regional em risco.”

Ninguém está a ganhar as guerras de hoje, da Síria ao Iémen, do Sudão do Sul ao Afeganistão”, afirmou Guterres, defendendo que “só soluções políticas nos podem trazer a paz”. Contudo, ressalva que “não devemos ter ilusões, não vamos erradicar o terrorismo se não resolvermos os conflitos e situações nas quais o terrorismo violento se reproduz”.

Desde que assumi funções tenho tentado juntar as partes em conflito e aqueles que têm influência sobre elas.”

O secretário-geral explica que, da sua experiência na ONU, constatou “que é possível passar da guerra para a paz, da ditadura para a democracia” e que são “os civis quem paga o preço mais elevado”.

“Temos que sair deste caminho”

Guterres abordou ainda as alterações climáticas, “que põem as nossas esperanças em risco”. Para Guterres, não faz sentido rejeitar o aquecimento global: “Os cientistas estão certos que as condições extremas são exatamente aquilo que eles tinham previsto”.

“Mega-furacões, super-tempestades”, exclama, referindo-se “à nova linguagem” que teremos de adotar para descrever os fenómenos naturais: “Temos que sair deste caminho, sabemos já o suficiente hoje, a ciência está ao nosso alcance e os governos têm que adotar o Acordo de Paris como solução“, disse, numa clara alusão à saída dos Estados Unidos do acordo climático de redução de emissões.

Para um top 5 de problemas a resolver, António Guterres terá um mandato preenchido, mas alerta ainda para a necessidade de combater “as desigualdades crescentes” no mundo onde “a classe média é mais importante que nunca”. Ressalva que “os avanços não são iguais em toda a parte. Há desigualdades gritantes nos rendimentos e no acesso a oportunidades.”

Oito homens têm tanta riqueza no mundo como metade de toda a humanidade.”

Como último desafio mencionado, António Guterres ressalvou que os avanços tecnológicos andam de mão dada com os perigos do online, nomeadamente a Inteligência Artificial e o cibercrime. Para o secretário-geral, “o lado obscuro da inovação é a sexta ameaça que temos de enfrentar, e [é uma ameaça] que já entrou na nossa casa“.

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