O primeiro-ministro, António Costa, congratulou-se esta quinta-feira por o Conselho de Finanças Públicas (CFP), habitualmente mais pessimista que o Governo, agora até ser mais otimista nas previsões de crescimento económico, e desvalorizou os alertas, considerando-os “conselhos banais”.

No dia em que o CFP atualizou as suas previsões, apontando agora para um crescimento da economia portuguesa de 2,7% este ano, António Costa, que se encontra em Talin para um jantar informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, disse ter registado “como um facto muito positivo” o Conselho ter revisto em alta as suas previsões, já que as anteriores, em março passado, estimavam um crescimento de 1,7%.

É não só uma grande aproximação àquilo que são as previsões do Governo, como ultrapassou o otimismo que o Governo tem relativamente às perspetivas de crescimento para este ano. Invertemos as posições: habitualmente era o Governo mais otimista, agora é o CFP mais otimista”, comentou.

Já quanto aos alertas deixados pela presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, que defendeu que a redução do défice não deve ser o único motivo para reduzir impostos e aumentar despesa pública, considerando que é necessário fazê-lo de forma estrutural, António Costa considerou-os “banais”.

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São conselhos banais, que todos damos sempre que temos que emitir opiniões sobre o futuro. O que se diz ao filho quando sai de casa? «Tem cuidado, atravessa na passadeira, agasalha-te, não apanhes frio»… São conselhos de mera banalidade e de bom senso”, disse.

Na atualização do relatório ‘Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2017-2021’, apresentada esta quinta-feira, o CFP revê em alta a projeção do crescimento económico para este ano, dos 1,7% previstos em março para 2,7%, justificando com a “forte aceleração” do investimento e das exportações, “a que se associou a rápida quebra do desemprego e a retoma de confiança na economia”.

A entidade liderada por Teodora Cardoso melhorou também a projeção para o défice orçamental deste ano, estimando agora que, no final de 2017, represente 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), quando em março estimava que totalizasse 1,7% do PIB.

As novas projeções do CFP são mais otimistas do que as do Governo, que, no Programa de Estabilidade 2017-2021, estimava que a economia crescesse 1,8% este ano (embora, no verão, o ministro das Finanças, Mário Centeno, tenha admitido que o PIB avançasse 2% em 2017) e que o défice orçamental fosse de 1,5% do PIB.

Teodora Cardoso considerou que o “principal risco” nesta evolução “tem a ver com o facto de, com uma economia a melhorar e o saldo orçamental a aproximar-se dos objetivos desejados e das regras europeias, haver a tentação de voltar a apostar nas despesas públicas como forma considerada necessária para reforçar o crescimento da economia e para resolver um conjunto de problemas estruturais que a economia portuguesa continua a exibir”.