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Infografia. Há 12 motivos para precisarmos de conversar sobre (des)igualdade

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A Fundação Francisco Manuel dos Santos organiza uma conferência sobre Igualdade, este sábado, em Lisboa. Mas ainda há tanto assim a debater sobre ela? Estes 12 gráficos provam que sim.

Getty Images/iStockphoto

Em Portugal, sete em cada dez portugueses já utiliza a Internet com regularidade: quase todos os jovens com menos de 25 anos têm acesso à rede e os idosos utilizam-na cada vez mais. E perto de 90% das crianças entre os três e os cinco anos já frequenta a educação pré-escolar e muitas delas passam lá mais de dois anos e meio.

Todos estes números são boas notícias, mas há outras estatísticas mais desanimadoras: a disparidade salarial entre homens e mulheres é atualmente o dobro do que era em 2007 — e elas continuam a ser as mais prejudicadas. A maior parte dos pensionistas recebe por mês um valor de pensão inferior ao salário mínimo nacional e, sem contar com apoios sociais, 50% dos portugueses viveria abaixo do limiar da pobreza. Mesmo a contar com essas ajudas financeiras, um em cada cinco portugueses é pobre.

São estes os números que levaram a Fundação Francisco Manuel dos Santos a abrir as portas do Teatro Nacional de São Carlos para a conferência “Em que pé está a igualdade? – impactos, conflitos e desafios“. O debate, o sétimo de todos os que a Fundação preparou desde 2012, começa às 10h e termina às 20h com uma sessão em direto do programa Governo de Sombra. E embora os bilhetes, que custavam 20 euros, já estejam esgotados, vai poder segui-lo em streaming a partir do site da Fundação.

Entretanto, prepare-se para o debate através dos 12 gráficos sobre a realidade social portuguesa na infografia em baixo — que são também 12 motivos para a igualdade ainda ser um assunto vivo.

O debate sobre a igualdade (e a falta dela) já vai longo e começou quando Platão era vivo. Nessa época, Atenas era uma das sociedades mais desenvolvidas, mas também lá reinavam as maiores desigualdades sociais. Embora se vivesse em democracia, ela só estava ao alcance de 10% da população: apenas os homens adultos nascidos em Atenas e que não fossem escravos podiam votar. Os escravos, os estrangeiros e as mulheres estavam impedidos de ter voz ativa nas decisões referentes à vida social. Naquela época, Platão dizia que esta desigualdade era “justa”.

No século V a.C., este que é um dos maiores filósofos da Humanidade defendia que o facto de a sociedade ateniense estar dividida em três frações — os magistrados, os guerreiros e os artesãos — não era sinónimo de desigualdade porque era assim que se garantia que cada cidadão ocupava um lugar que lhe era designado por natureza. Vinte e seis séculos depois, será que a desigualdade ainda tem raízes no nosso tempo? E até que ponto é que a nossa situação melhorou?

Para responder a estas e outras questões, a Fundação convidou os filósofos políticos Pierre Rosanvallon e Phillippe Van Parijs, os economistas Branlo Milanovic, Richard Baldwin e Ana Rute Cardoso, o historiador Gregory Clark e nomes sonantes do mundo das artes como Gonçalo M. Tavares, Os Espacialistas e Richard Zimler. Todos eles vão dividir-se em três debates: “Globalização e Tecnologia”, “Identidade e Igualdade” e “A Persistência das Desigualdades”. O painel de encerramento conta com a participação de Ruby Bridges, que em 1960, aos seis anos, se tornou na primeira criança afro-americana a entrar numa escola frequentada apenas por brancos.

“Quem limpa casas de banho pode vir a ganhar mais do que um professor”

A Fundação Francisco Manuel dos Santos foi criada em 2009 para “promover e aprofundar o conhecimento da sociedade portuguesa através do estudo e do debate livre e independente de ideias”. Essa missão tem sido cumprida desde 2012 com grandes ciclos de debate: a primeira, “Presente no Futuro”, deu origem aos encontros anuais “Os Portugueses em 2030”, “Portugal Europeu. E agora?” e “À Procura da Liberdade”. No ano passado, a Fundação organizou mais dois debates: “Admirável Mundo Novo” e “Que Democracia? O Debate Sai À Rua”. Recorde-os aqui.

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