Cultura

A Festa do Cinema Francês na ponta da língua em oito filmes e uma retrospectiva

O cinema francês faz a sua visita anual a Portugal com a Festa que decorre em Lisboa de dia 5 a 12, e tem extensões a outras 11 cidades. Eurico de Barros escolheu oito filmes, sem esquecer a integral.

Autor
  • Eurico de Barros

Já se foram há muito os tempos em que o cinema francês tinha presença assídua, numerosa e variada nas salas portuguesas, chegando mesmo a bater o pé ao grande rival americano. Por isso, todos os anos, a Festa do Cinema Francês é uma boa maneira de tirarmos o pulso à produção local, através de uma selecção de filmes saídos de um amplo espectro de géneros, registos e tendências, mais uma retrospectiva de autor. A Festa 2017 decorre de dia 5 a 12 em Lisboa, com extensões a Almada, Cascais, Leiria, Coimbra, Porto, Aveiro, Faro, Beja, Seixal, Viana do Castelo e Setúbal, apresentando as habituais antestreias, um ciclo de filmes de realizadores membros da ACID-Association du Cinéma Indépendent pour sa Diffusion, uma integral de Jean-Pierre Melville, uma pequena mostra de fitas de Arnaud Desplechin, o padrinho da edição deste ano, um programa paralelo que se estende à RTP2 e ao canal Cinemundo, sessões escolares, masterclasses e debates e a presença de uma série de realizadores e actores. Eis uma escolha de oito filmes de entre a programação da 18ª Festa do Cinema Francês, e um destaque para a suculenta integral do autor de “O Ofício de Matar” e “O Círculo Vermelho”, que vai ter lugar na Cinemateca. (Toda a informação aqui: http://festadocinemafrances.com/18a/)

“Lumière! L’Aventure Commence”

de Thierry Frémaux

Delegado geral do Festival de Cannes, presidente do Instituto Lumière de Lyon e da Associação Fréres Lumière, Thierry Frémaux apresenta aqui uma montagem de 114 filmes dos irmãos Lumière, com uma duração média de 50 segundos, restaurados em 4K e organizados por temas (a família, as férias, Paris, etc.). Vários deles são muito pouco vistos. (Dia 5, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.30)

“12 Jours”

de Raymond Depardon

O fotógrafo e realizador Raymond Depardon continua a documentar o primeiro contacto entre um indivíduo delinquente ou enfermo e os representantes da lei. No caso de “12 Dias” (o prazo dado em França para que um juiz avalie se um doente mental hospitalizado contra sua vontade o foi justificadamente ou não), são os pacientes psiquiátricos a merecer a plena atenção da câmara de Depardon (Dia 15, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 19.30)

“Gaugin-Voyage de Tahiti”

de Édouard Deluc

Vincent Cassel personifica Paul Gaugin nesta fita que acompanha o pintor durante a sua vida no Taiti, depois de deixar para trás a mulher, os filhos e a França. É lá que ele encontra Tehura, que se tornará na sua nova companheira, na sua fonte de inspiração e no modelo para várias das obras deste período. Mas no paraíso não deixa de haver pobreza, solidão e doença, que também marcam profundamente o artista. (Dia 9-UCI Cinemas-El Corte Inglés, 21.30)

“Le Concours”

de Claire Simon

A realizadora de “Consultórios de Deus” e “Gare du Nord” volta ao documentário para filmar toda a sequência de provas de acesso à prestigiada escola de cinema La Fémis, em Paris. Simon regista não só o trabalho dos candidatos, como também o dos membros do júri de selecção e o funcionamento de toda a instituição, num estilo muito semelhante ao do mestre americano Frederick Wiseman. (Dia 14, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.30)

“Les Fantômes d’Ismaël”

de Arnaud Desplechin

O realizador de “Reis e Rainha” e “Um Conto de Natal” é o padrinho da Festa 2017 e traz consigo, além de quatro títulos da sua filmografia, este “Les Fantômes D’Ismaël”, a sua nova fita, que abriu o Festival de Cannes. Mathieu Amalric interpreta a personagem do título, um cineasta que prepara um novo filme e que nunca se refez do desaparecimento da mulher, há 20 anos. Também com Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg e Louis Garrel. (Dia 6, São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.30)

“Rock’ N Roll”

de Guillaume Canet

No seu novo filme como realizador e actor, Guillaume Canet interpreta um actor quarentão chamado… Guillaume Canet. Passa-se que nesta comédia auto-referencial e auto-irónica, Canet apercebe-se de repente que já não tem idade para fazer certos papéis e que a sua imagem já não é “sexy” (se é que alguma vez foi). Assim, vai tentar mudar tudo, para espanto e desespero dos que o rodeiam, desde a mulher e o filho aos amigos e companheiros de trabalho. (Dia 7, UCI Cinemas-El Corte Inglés, 21.30)

“Tour de France”

de Rachid Djaidani

Uma comédia dramática com uma costela de “road movie”. Gérard Depardieu é um francês da velha escola que, para fazer um favor ao filho, produtor de discos, se vê metido numa carrinha com um “rapper” (Sadek) que foi obrigado a deixar Paris por algum tempo por causa de um ajuste de contas. Seguem ambos a rota dos portos pintados pelo artista Joseph Vernet, e passam quase todo o tempo às turras. (Dia 7, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 17.00)

“Zombillénium”

de Arthur de Pins e Alexis Ducord

Também há “zombies” no cinema francês, só que na animação. Este filme é adaptado de uma banda desenhada da autoria de um dos seus realizadores, Arthur de Pins, e a história passa-se no parque de diversões homónimo, onde os monstros o são mesmo e andam um bocado fartos de entreter os humanos. Chega então um inspector das normas de segurança, determinado a fechar o estabelecimento. A solução? Transformá-lo em vampiro. (Dia 7, Cinema São Jorge, Sala 3, 11.00)

Retrospectiva

Jean-Pierre Melville, o Samurai

De seu nome verdadeiro Jean-Pierre Grumbach, Jean Pierre Melville (1917-1973) é um dos mais destacados “cavaleiros solitários” do cinema francês, fazendo charneira entre a geração da Nova Vaga e as gerações anteriores, cultivando uma imagem “americana” e sendo muito influenciado pelo cinema clássico de Hollywood, sobretudo o policial. A Festa do Cinema Francês dedica uma retrospectiva integral ao autor de filmes como “Bob le Flambeur”, “O Denunciante”, “O Ofício de Matar”, “O Círculo Vermelho” ou “Cai a Noite Sobre a Cidade”, nos quais as referências americanas estão sempre “embrulhadas” e traduzidas em atmosferas, modos de ser e personagens bem francesas. No dia de abertura, às 18.30, na Sala Luís de Pina, há uma conferência por Laurent Grousset, sobrinho de Jean-Pierre Melville e presidente da fundação com o nome do seu tio. (Cinemateca, dias 7 a 18, vários horários)

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