Catalunha

Caixabank, dono do BPI, sai da Catalunha para Valência

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O Caixabank, dono do BPI, decidiu transferir a sede social da Catalunha para Valência. Também a Gas Natural e o Sabadell se juntam a um crescente número de empresas que abandonam a região espanhola.

FÁBIO PINTO/OBSERVADOR

O conselho de administração do CaixaBank, dono do BPI em Portugal, decidiu mudar a sede social de Barcelona para Valência devido à incerteza associada à crise na Catalunha. A decisão foi tomada após uma reunião esta sexta-feira à tarde.

A administração do grupo bancário aproveitou o decreto do governo espanhol, aprovado esta manhã, que facilita a mudança das sedes sociais de qualquer empresa, sem que para isso seja necessária uma reunião de acionistas. A sede escolhida é a do antigo Banco de Valência, no centro da cidade.

O conselho de administração deve reunir novamente porque o decreto do governo só entra em vigor quando for inscrito nos cadernos do Estado. O ministro da economia espanhol, Luis de Guindos, informou que essa publicação deverá ser feita no sábado.

A ideia inicial era uma mudança para Maiorca, noticiada pelo jornal O El País. Quando foi anunciada a intenção do governo espanhol de aprovar esta legislação, o governo regional da Catalunha acusou Madrid de querer “castigar” a economia catalã, facilitando a saída de empresas da região para outras partes de Espanha.

O CaixaBank é o terceiro maior banco espanhol e não quer admitir que se arraste a incerteza em torno da permanência da Catalunha, sobretudo com a insistência de Carles Puigdemont em avançar na próxima semana com uma declaração unilateral de independência.

A opção por Valência não terá sido consensual entre os responsáveis do Caixabank. Alguns dos administradores preferiam Madrid pela proximidade aos reguladores e onde o Caixabank já tem a sede fiscal de uma filial – o MicroBank – mas a opção por Madrid transmitiria uma mensagem política indesejável.

O Caixabank já tem sofrido — ainda que “de forma gerível” — alguma perda de depósitos, com alguns aforradores a temerem o risco de o banco deixar de ter sede numa jurisdição do Banco Central Europeu (BCE) e da União Europeia, que tem regras para a proteção de depósitos que podem ser colocadas em causa se o Caixabank deixar de pertencer a Espanha.

Também o Banco Mediolanum, filial de uma entidade italiana, decidiu esta sexta-feira mudar-se a sede social de Barcelona para Valência, como “forma de garantir o interesse dos clientes e manter a máxima normalidade”.

Gas Natural ruma a Madrid

Quem também deixa a Catalunha é a multinacional Gas Natural, e os administradores não estão preocupados com qualquer mensagem política: a opção é Madrid. A reunião de emergência do conselho de administração decorreu ao mesmo tempo que a do CaixaBank.

Gas Natural confirma saída da sede da Catalunha

O comunicado enviado à Comissão Nacional de Mercado de Valores espanhola, explica mesmo que a decisão se deve “aos acontecimentos sociais e políticos que estão a ocorrer na Catalunha e devido à insegurança jurídica que esses acontecimentos provocam”.

A decisão não afeta, contudo, as sociedades detidas pelo grupo que operam exclusivamente na Catalunha para que se mantenha “a normalidade das operações com fim a proteger os interesses [da empresa], dos clientes, empregados, credores e acionista”, encerra o comunicado.

Com 174 anos, a Gas Natural é uma das empresas mais emblemáticas do panorama empresarial de Barcelona.

Sabadell muda-se para Alicante

Já o Sabadell, ex-acionista do BCP, decidiu mudar a sede de Barcelona para Alicante. Foi, aliás, o primeiro banco a abandonar a região da Catalunha. A decisão foi igualmente tomada por uma reunião extraordinária do conselho de administração. A escolha pela região de Alicante (zona de cidades como Benidorm e Calpe) não é uma surpresa: é nessa mesma região que opera a filiar imobiliária do Sabadell, a Solvia.

Além disso, o quinto maior banco possui um centro de dados na região.

As manobras de bastidores do vice da Generalitat

A saída, ou possível saída, de empresas da Catalunha não se limita, contudo, aos bancos. Esta sexta-feira é notícia a hipótese de a Freixenet, que produz espumantes e tem sede em Sant Sadurní d’Anoia (Barcelona), também admitir a hipótese de sair da Catalunha.

O presidente da Câmara do Comércio de Espanha e da Freixenet, José Luis Bonet, explicou que a ponderação “não depende de mim, depende do conselho [de administradores]”. Mas já antes Bonet tinha admitido que a independência da Catalunha seria “uma verdadeira catástrofe”.

Outro exemplo é o da têxtil Dogi International, que decidiu mudar-se para Madrid para “otimizar as operações e as relações com os investidores”.

Na capital espanhola haverá ainda espaço para a Service Point Solutions e o grupo de estações de serviço Ballenoil — ambos anunciaram também a sua decisão de saída da Catalunha.

Ainda duas empresas estão para anunciar as decisões tomadas em conselhos de administração: a Codorniu e a Renta Corporación.

O El Confidencial faz um relato das manobras de bastidores sobre esta matéria — a permanência das empresas catalãs ou saída para outros locais. O protagonista, do lado catalão, é o vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, que há vários dias tem a agenda em branco.

Junqueras reuniu-se pessoalmente com o presidente do Sabadell, Josep Oliu, e com o líder do La Caixa, a fundação que detém o CaixaBank. O vice do governo regional pediu-lhes para não alterarem a sede, saindo da Catalunha.

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