Alimentação

Leite com chocolate deixará de ser subsidiado pela União Europeia, mas nas escolas pouco mudará

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Novo regulamento europeu incentiva consumo de leite, frutas e vegetais, mas, na prática, poderá mudar pouca coisa nas escolas. O leite com cacau que já é distribuído não tem adição de açúcar.

Pedro Graça, da DGS, defende o consumo de leite e, de preferência, na sua forma mais simples, "sem aditivos"

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Leite, frutas e vegetais e outras opções como queijo, requeijão e iogurtes, sem adição de açúcar, nem sal, nem outras gorduras. O novo regulamento da Comissão Europeia, que define os regimes de ajuda destinados a melhorar a distribuição de produtos agrícolas e os hábitos alimentares das crianças nas escolas dos vários estados-membros, incentiva a distribuição de alimentos saudáveis, da época, e deixa de financiar leite com chocolate mas, na prática, poderá mudar pouca coisa nas escolas portuguesas.

“Este regulamento que saiu agora em agosto diz que os estados membros da União Europeia, que solicitem esta ajuda alimentar, devem, nos cadernos de encargos, incentivar a utilização de leite o mais simples e sem aditivos. É a visão do legislador. Depois dá margens de manobra: em casos especiais, em alguns países que fundamentem com razões culturais, por exemplo, pode haver adição de pequenas quantidades de açúcar, sal e açúcar e até outras substâncias como cacau. Ou seja, não proíbe taxativamente a distribuição desses produtos”, explicou ao Observador, Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Mas isto significa que as crianças das escolas primárias vão deixar de receber o leite com chocolate que recebiam até aqui? Não. E porquê? “O dito leite com chocolate é um leite com cacau”.

A maior parte das pessoas não tem noção, mas o chocolate é uma mistura de cacau com açúcar. E o que vai para as escolas é leite com cacau. O açúcar que lá está é o do leite, não é adicionado”, esclarece Pedro Graça.

Pese embora esta explicação, Pedro Graça defende que se deve “incentivar as crianças a gostar dos produtos da natureza sem aditivos porque são saborosos” e, nessa medida, “as escolas têm obrigação de educar o palato das crianças para os alimentos e sabores naturais“, neste caso o leite simples. Porém, admite “alguma lógica” no argumento em defesa da distribuição do leite com cacau: “reconheço que o leite aromatizado com pequenos pedaços de cacau possa servir para algumas crianças beberem leite”.

O responsável da DGS sublinha ainda que “o consumo de leite deve ser incentivado”. “Nós no Ministério da Saúde consideramos que o leite é uma bebida muito importante para os jovens. É muito interessante do ponto de vista nutricional”, defende Pedro Graça, acrescentando que não existe “um bom substituto para o leite”. “As bebidas vegetais, por um lado, têm quantidades de açúcar elevadas, e, por outro lado, não há um controle da quantidade de vitaminas que as empresas põem.”

A Comissão Europeia incentiva ainda, neste regulamento que é de adesão voluntária, o consumo de produtos orgânicos, bem como o favorecimento de produtores locais e regionais na hora da compra e de frutas da época.

De um pacote global de 250 milhões de euros para o ano escolar 2017/18, 150 milhões serão para frutas e vegetais e 100 milhões para leite, nos 28 estados membros da UE. A Portugal, para o presente ano escolar foram atribuídas, dotações indicativas anuais de 5.504.378 euros, das quais 3.283.397 euros para distribuição de frutas e produtos hortícolas nas escolas e 2.220.981 euros para distribuição de leite.

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