Cultura

Guitarristas de jazz André e Bruno Santos editam disco “transversal” na sexta-feira

Os guitarristas e irmãos André e Bruno Santos editam, na sexta-feira, "Mano a Mano vol.2", um disco "transversal e que chega a outros estilos e outras pessoas", feito por dois músicos de jazz.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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  • Agência Lusa
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Os guitarristas e irmãos André e Bruno Santos editam, na sexta-feira, “Mano a Mano vol.2”, um disco “transversal e que chega a outros estilos e outras pessoas”, feito por dois músicos de jazz. “Acredito que este disco, apesar de sermos na essência músicos de jazz, é um disco transversal e que chega a outros estilos e outras pessoas”, afirmou Bruno Santos, em entrevista à agência Lusa, que decorreu no Hot Club Portugal, em Lisboa.

André, de 31 anos, e Bruno, de 41, começaram a tocar juntos “naturalmente”, ainda na Madeira, onde cresceram. Bruno praticava “numa sala onde o André tinha o computador e os videojogos”, e o mais novo “passava a tarde” a ouvir o mais velho tocar. “A dada altura pegou na guitarra e começámos a tocar [juntos] por brincadeira”, recordou Bruno.

Depois, André “começou a estudar [música] e a tornar a coisa mais séria”. “Em 2009 houve uma hipótese de fazermos um concerto, os dois, e a partir daí assumimos uma coisa mais a sério – preparar repertório, gravar um disco”, contou. Bruno, disse André, “fez o trabalho mais difícil, escolher o instrumento”. “Eu comecei a ver uma guitarra lá por casa e comecei a experimentar”, partilhou.

O primeiro disco do projeto Mano a Mano foi editado em 2014, com recurso a uma campanha de ‘crowdfunding’, que “correu muito bem”. “Até ultrapassámos o valor que tínhamos pedido”, referiu André.

Com “Mano a Mano vol.2” o processo “foi diferente”. Recorreram à Câmara Municipal do Funchal, cidade de onde são originários, “que já tinha demonstrado interesse” no trabalho de ambos, “neste e noutros”. Além disso, o Paulo Ferraz Studio, no Funchal, ofereceu-lhes dois dias para gravarem. Apoios “fulcrais na criação do disco”, uma edição de autor tal como o anterior.

No início do projeto, pegaram em canções de que gostam, “bossa nova, ‘standards’ de jazz ou outras”, e iam experimentando “de forma muito direta – tocando os acordes e melodia”. “Agora [para o segundo disco] começámos a fazer ensaios como banda de garagem à antiga. Juntávamo-nos a experimentar, tanto os arranjos como certas ideias de composição que tínhamos”, partilhou Bruno.

“Mano a Mano vol.2” é composto por 11 temas, quatro dos quais originais. Um destes, “Mano a Mano”, foi criado “mesmo em conjunto”. “O meu irmão tinha a ideia de uma progressão de acordes e de um ritmo, eu criei uma melodia por cima e fomos criando em conjunto. Os outros já vinham bem definidos de casa e só limámos algumas arestas”, disse.

Além de partilharem as mesmas influências musicais, os dois têm “muito respeito” pelo que fazem e “noção de o que interessa é o resultado final, sem egos nem protagonismos”.

“Quando o André sugere algo eu aceito e vice-versa. Havia sempre a probabilidade, porque há muitos irmãos por aí, de andarmos sempre à estalada. Damo-nos muito bem e só por isso é possível que isto funcione musicalmente”, referiu Bruno.

Com carreiras na área do jazz, reconhecem que “há [dentro daquele género musical] alguma música que é difícil de se perceber, de se consumir, que é feita quase exclusivamente só para músicos”.

“A nossa missão enquanto músicos de jazz é descomplicar. O jazz há umas dezenas de anos era a música que se dançava e era muito mais direta”, disse Bruno, referindo que os dois têm “uma preocupação muito grande em chegar às pessoas e tocar coisas que algumas pessoas reconhecem”.

Em “Mano a Mano Vol.2” recriaram, entre outros, os temas “Modinha”, de Tom Jobim, “Trinkle, Tinkle”, de Thelonious Monk, “Carta ao Tom”, de Vinicius de Moraes, e “Vignette”, de Hank Jones.

Nos concertos tentam “criar um ambiente de sala de estar”. “Trazemos um tapete de casa e pomo-lo no palco, explicamos que aquele tema foi escrito por tal pessoa que faz parte de uma determinada era do jazz e fez isto e aquilo. Contextualizar as pessoas e pô-las mais próximas de nós”, descreveu.

“Mano a Mano vo.2” é apresentado ao vivo quinta-feira, no Festival de Jazz de Bragança, e na sexta-feira no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco.

Em novembro, André e Bruno Santos atuam no Cineteatro Grandolense, em Grândola (a 04), no Centro Cultural de Belém (a 11) e no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal (a 24). Para dezembro têm atuações marcadas no Museu Nogueira da Silva, em Braga (a 07) e em Luanda, Angola (a 09).

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