Cuidado: está quente

Naked. Os alimentos como vieram ao mundo no novo restaurante do Príncipe Real

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A comida saudável quando nasce é para todos: vegetarianos, veganos ou simplesmente gulosos. O Naked comprova a teoria, com refeições para todos os gostos (e estômagos), no Príncipe Real, em Lisboa.

O ceviche de cogumelos é só uma das especialidades do Naked, o novo restaurante do Príncipe Real que serve os alimentos ao natural.

Divulgação

O que interessa saber

Nome: Naked
Abriu em: Setembro de 2017
Onde fica: Rua da Escola Politécnica, 85-89 (Príncipe Real), Lisboa
O que é: Um novo restaurante de comida saudável que não quer cair em fundamentalismos. Tem opções vegetarianas, veganas, mas também pratos com mais substância. Todos os produtos são biológicos e não há alimentos processados.
Quem manda: Miguel Júdice e Carla Contige
Quanto custa: Entre 15€ e 20€ por pessoa.
Contacto: 92 540 6880
Horário: Para já, de segunda a domingo, das 10h às 18h, mas a partir da próxima semana fica aberto até às 22h, todos os dias.

A História

Miguel Júdice está longe de ser um novato a gerir negócios. Depois dos hotéis e dos gelados de pauzinhos, o empresário pôs a cozinha a nu com o novo Naked. Diz que a alternativa já fazia falta ao Príncipe Real e a Lisboa e que vem pôr fim aos dilemas dos vegetarianos que têm amigos carnívoros que têm amigos veganos e que, volta e meia, querem ir todos almoçar ou jantar fora e não encontram uma ementa que agrade a todos. Porquê? Já vai perceber mais abaixo.

Mas Miguel Júdice não veio para o Príncipe Real sozinho. Carla Contige é a sócia cheia de experiência na área. Teve em tempos o quiosque mais verde do Martim Moniz, o Erva, e é uma das donas do Nós é Mais Bolos, a tentadora pastelaria do Mercado da Ribeira. Tudo misturado, já dá para ver que, pelo menos a ementa, é qualquer coisa de original. Há muito que os dois tinham batido com os olhos neste espaço. O Naked lá ganhou forma e abriu portas há duas semanas, com comida saudável e pratos que não têm hora. Brunch ao fim da tarde? Ceviche às 11 da manhã? Só tem de haver apetite.

A parede preenchida pel’O Jardim das Delícias Terrenas, de Bosch, já é o ex libris do espaço © Divulgação

O Espaço

A fachada com grades de ferro é o primeiro cartão-de-visita do Naked. O segundo é a reprodução d’O Jardim das Delícias Terrenas de Bosch, que ocupa uma parede inteira. Segundo Miguel Júdice, é um aperitivo antes de fazer o pedido propriamente dito ao balcão. Ângela Rodrigues assina o projeto e a prioridade foi deixar o espaço bem confortável, de manhã à noite. Computadores e blocos de notas são bem-vindos em cima da mesa, mas este restaurante e café também foi pensado para quem prefere agarrar na refeição e ir comê-la para outro lado.

O Naked não vai ficar só pelo Príncipe Real. O segundo espaço abre no início do próximo ano em Cascais e a expansão não deve ficar por aí.

A Comida

“Não comam nada que a vossa bisavó não reconhecesse como comida” — a frase escrita na ementa diz tudo. Porque a comida saudável (ou a ideia que a maioria das pessoas tem da comida saudável) nem sempre é consensual, o Naked quer provar que deixar a carne de lado não é sinónimo de refeições a meio gás. De facto, a carne é o único ingrediente a ficar fora do menu. O peixe espreita em dois dos pratos principais, no bacalhau fresco, acompanhado de pak choi (couve branca chinesa), batata-doce e puré de grão, e no ceviche de peixe branco, servido com banana, coco e puré de batata-doce. Os donos resumem a cozinha com um único estrangeirismo: flexitarian ou, se preferir, semi-vegetarianismo.

Mezze, uma das sugestões do Naked para partilhar. Traz húmus, pasta de cogumelos, shakshouka, pasta de legumes assados, tostas e vegetais © Divulgação

“Costumo dizer que temos comida saudável para quem normalmente não come comida saudável”, afirma Miguel Júdice. Entre as especialidades que estão a fazer mais sucesso estão o mezze (12€), o shakshouka, uma especialidade do Médio Oriente com ovos, molho de tomate, pimentos e cebola (8€), e o hambúrguer de quinoa e beterraba com dukkah, um tempero egípcio que resulta da mistura de várias ervas aromáticas (12€). A moda das bowls também não passou ao lado no Naked. A que aqui se serve tem base de açaí ou pitaya e fica completa com fruta e granola (6€).

Uma ementa elaborada a oito mãos. Além dos dois sócios, Susana Rainha, a chef da casa, e Joana Limão, do blogue Lemonaid, participaram na construção da carta. Os smoothies (entre 3,50€ e 4€) e os sumos prensados a frio (3,50€) são a opção mais recorrente para acompanhar as refeições, se bem que a kombucha caseira (3,50€) também tem saída. Todos os açúcares são naturais, o que também se aplica à lista de sobremesas. Se não quiser alinhar numa das sugestões à base de fruta, as guloseimas da Nós é Mais Bolos estão logo por baixo. Numa primeira visita, recomendamos-lhe uma fatia de Tarte Naked (4€), feita de batata-doce, chocolate, compota de framboesa e agave. Bem mais refrescantes são os gelados da Paletaria. A marca é outro dos projetos de Miguel Júdice e tem lugar cativo no novo restaurante.

Tarte Naked, a sobremesa da casa © Divulgação

Numa altura em que ainda é complicado encontrar pratos sem glúten ou lactose e, sobretudo, encontrá-los num sítio com pinta, a carta do Naked identifica-os com pequenos ícones que percorrem todo o menu. Os mesmos ícones distinguem ainda as receitas vegetarianas e veganas.

Todas estas sugestões podem ser combinadas em menus. O de brunch custa 15€, pode ser pedido durante todo o dia e inclui um sumo, uma omelete de claras com shakshouka, iogurte com granola e fruta, tostas com compota e manteiga, chá ou café. O menu Naked (também sem hora) tem sopa, gelado ou bolo, um prato, uma salada ou uma bowl, limonada ou sumo de laranja e café. Fica por 15€.

Rua da Escola Politécnica, 85

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes.

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