Economia

“Põe quanto és no mínimo que fazes”

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Filipe Botto, CEO e fundador da Yonest, marca de iogurte grego tradicional, acredita que o sucesso está presente nas mais pequenas coisas e no caminho escolhido para chegar ao objetivo final.

O conceito de sucesso remete-nos frequentemente para o que o mundo acha que devemos ser. Mas, na verdade, a realização é que é a nossa forma de sucesso. E eu opto todos os dias por esse caminho. Só podemos ter sucesso – e sentir este nível de realização – se estivermos a construir um caminho que satisfaça a comunidade, a equipa e o mundo com coisas boas. Ou seja, se o associarmos a satisfação à sensação de realização, o que nem sempre é tangível. Até porque não pode ser visto apenas numa perspetiva financeira.

A importância da viagem

A verdade é que devemos definir um objetivo e atingi-lo. Mas não se trata apenas de um destino, é um caminho. Os nossos dias começam com um saco vazio e, durante as horas que ele dura, vamos fazendo coisas. Algumas correm bem, outras menos bem e chegamos ao fim do dia com vários pequenos momentos de realização e de frustração. É o somatório desses momentos e desses dias, que nos permite construir coisas boas. É importante terminar a maior parte desses dias a sentirmo-nos realizados.

Além disso, não estamos sozinhos. Como percurso pessoal seria uma enorme ingratidão para com o universo se dissesse que não sinto o sucesso. As minhas decisões sempre tiveram uma estratégia e (quase) sempre atingi os objetivos a que me propus. Tenho 37 anos e penso que já fiz um percurso interessante. Por exemplo, tive a sorte de estudar em instituições de alto valor (NOVA e INSEAD) e de desenvolver ferramentas analíticas num banco de investimento onde trabalhei mais de 10 anos. Concebi a Yonest, concretizei as ideias que tinha e atraí quem confiasse em mim para trabalhar e investir. Sou pai da Francisca, de sete anos, tenho uma família incrível e casei com uma mulher extraordinária. Mas tudo isto não foi só um esforço ou conquista pessoal, foi também resultado do investimento e apoio de outras pessoas, fundamental ao nosso sucesso. Começando nos meus pais e nas pessoas com quem trabalhei, nomeadamente a equipa da Yonest.

Da minha parte, tenho tentado dar sempre o melhor de mim em tudo o que faço. Acredito que, se fazemos coisas boas, recebemos coisas boas. Estas são as leis energéticas do sucesso. Mas também tem de haver equidade em todas as áreas da nossa vida: como pais, como filhos e como maridos.

Posso dizer que tem sido um percurso bem sucedido, já que o que me move é a criação e a construção, é liderar e ajudar. Porém, nem sempre me sinto realizado. Há dias em que sinto que dei dois passos atrás.

Um imenso mundo novo

O conceito de sucesso alterou-se nos últimos anos. Quando acabei a faculdade há 15 anos na área de gestão, a saída profissional mais óbvia seria trabalhar numa grande empresa e fazer aí a minha carreira. Na “pior das hipóteses”, numa das grandes empresas do PSI20. Naquela altura, PME’s nem pensar.

Mas nossa geração foi obrigada a tentar outras coisas e, nesse aspeto, o papel das startups foi fundamental. Conseguiu mudar mentalidades e dar ferramentas para fazer coisas novas. Já não é visto como um louco alguém que termina o curso e vai para uma startup ou começa a sua própria empresa. A nossa geração procura a realização, é mais informal, diz o que pensa e quer estar sempre em ligação. E as grandes empresas terão de o permitir.

Mas não sabemos tudo. Quando ouvimos “isso não é possível” devemos ouvir e ter em consideração. Os outros têm perspetivas que nós não temos, é necessário tentar perceber porque nos querem demover. De qualquer forma, pesados os argumentos, devemos fazer o que o nosso coração sente, o futuro pertence-nos. E há muita coisa que o excell e o powerpoint não dizem. Mas é importante não fazer loucuras que ponham em risco a nossa subsistência. É preciso pensar no que são as nossas bases e, para cada pessoa, isso pode ser diferente (pode ser ficar na casa dos pais, conseguir um aumento, ou obter independência financeira).

Resiliência e honestidade

A resiliência foi necessária ao longo do percurso da Yonest. Mas fomos fazendo pontos de situação e percebemos que tanto o mercado como os investidores nos estavam a dar uma oportunidade. Não cheguei a nenhuma fase em que sentisse que tinha de deitar a toalha ao chão. Fazê-lo só por mim, seria teimosia. Mas enquanto perceber que trabalhamos para mais pessoas, para os clientes e para o mundo, sou e serei resiliente.

Coragem e paciência

A noção de sucesso é de curto prazo. É cada vez mais difícil satisfazer o mundo porque todos querem tudo para amanhã e o cliente quer novidades todos os dias. É difícil, parece que o copo está sempre meio vazio. Mas é preciso ir vendo em perspetiva e fazer crescer as empresas com coragem e a sonhar em grande. Celebrando as pequenas conquistas diárias.

A Yonest tem três anos e meio de existência e já conquistou muita coisa. Sempre quisemos fazer uma linha de iogurte diferente para que percebessem que este pode ser outra coisa. Um conceito e não um nicho de mercado, algo mais transversal. Mas o mercado português, embora estimulante, é pequeno. Queremos estender a gama e torná-la acessível a mais pessoas aqui e no estrangeiro. No entanto, continuamos a viver para o momento em que alguém experimenta pela primeira vez o nosso iogurte. A surpresa que sentem ao prová-lo é indescritível. Não tem preço, mas paga tudo.

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