Furacão

Efeitos do Ophelia podem atingir norte de Portugal Continental. Açores estão “em alerta”

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Os efeitos da passagem do furacão Ophelia podem fazer-se sentir no norte de Portugal Continental. Os Açores estão em "alerta" e a Proteção Civil já mobilizou meios extra.

NHC - NATIONAL HURRICANE CENTER

A passagem do furacão Ophelia não deverá atingir Portugal Continental, mas os efeitos da sua passagem podem vir a ser sentidos em território continental. Ainda que a possibilidade seja remota (5 a 10%), a região Minho e norte litoral pode ser atingida com precipitações de maior intensidade, tal como rajadas de vento típicas das tempestades tropicais – com rajadas iguais ou superiores a 65 quilómetros -, confirmou ao Observador a metereologista Vanda Costa.

Depois do fim de semana, o Ophelia deverá perder intensidade e passar a depressão (perdendo as suas condições tropicais) à medida que se aproxime das águas frias do norte da Europa, ao chegar à Irlanda e à Grã-Bretanha. A metereologista reforça ainda que não está previsto o ciclone aumentar mais de intensidade – depois de ter atingido esta quinta-feira a categoria 2.

No que toca ao arquipélago, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê vento com rajadas na ordem dos 100 quilómetros/hora nas ilhas de Santa Maria e São Miguel, nos Açores. De acordo com o último comunicado do Centro de Previsão e Vigilância Meteorológica dos Açores do IPMA, às 09h00 de sexta-feira (mais uma hora em Lisboa), o centro do ciclone Ophelia estava a menos de mil quilómetros a sudoeste dos Açores.

De acordo com o National Hurricane Center (NHC) – o centro americano que monitoriza estes fenómenos – o percurso do Ophelia prevê que este passe pela zona oriental do arquipélago açoriano e chegue à Irlanda e Grã-Bretanha na segunda e terça-feira.

Percurso previsto para o Ophelia, de acordo com o National Hurricane Center. (Fonte: HNC)

O Ophelia dirige-se na direção este/nordeste em direção ao arquipélago dos Açores, a uma velocidade a 13 quilómetros/hora. A última previsão do IPMA reforça que o estado do tempo do grupo oriental das ilhas deverá começar a ser condicionado a partir das 12h00 de sábado – com vento médio igual ou superior a 65 quilómetros/hora.

Assim, prevê-se que “ocorra um agravamento do estado do tempo, com precipitação forte e acompanhada de trovoada, vento com rajadas que em São Miguel podem chegar aos 100 quilómetros/hora e em Santa Maria poderão ultrapassar os 100 quilómetros/hora, e ondas que podem atingir os seis metros de altura significativa”. Nos grupos ocidental e central deverá ocorrer precipitação forte, podendo ser acompanhada de trovoada.

Proteção Civil mobiliza meios e aconselha a população

A Autoridade Nacional de Proteção Civil dos Açores garante que estão a ser tomadas “todas as precauções para socorrer as populações nos próximos dias”, confirmou ao Observador o Tenente Coronel Neves. O Tenente adiantou que foram enviadas para a ilha de Santa Maria duas equipas de bombeiros, tal como mais meios de socorro da Proteção Civil, e que as corporações estão em “estado de alerta” e “preparadas para atuar em caso de necessidade”.

O responsável garantiu também que as ilhas estão “naturalmente preparadas para resistir aos ventos fortes” até porque “sofrem este tipo de intempéries com certa frequência”. A passagem do Ophelia, acredita, “não deverá provocar grandes danos”.

No que toca a recomendações, a Proteção Civil aconselha a população a se afastar da orla costeira, a fechar bem portas e janelas e a retirar objetos soltos à volta das habitações. As populações devem também evitar deslocar-se nas horas de maior intensidade de vento.

Nível recorde de furacões

A vaga de furacões no Atlântico começou a 9 de agosto – altura em que a tempestade tropical “Franklin” se converteu a ciclone, afetando o Golfo do México. Semanas depois, chegaram o Harvey (na mesma região), e em seis semanas parte da costa do Golfo dos Estados Unidos e das Caraíbas enfrentaram uma série de furacões – o Irma, a Maria e também o Nate, que rapidamente evoluíram de uma tempestade tropical para a condição de furacão. Desde o início do ano, já 10 tempestades passaram a essa condição.

Tal facto, e em tão grande número, não acontecia de 1893 e só aconteceu quatro vezes desde que há registo – em 1878, 1886, 1893 e agora em 2017. O ano fica marcado por ter enfrentado já 10 furacões consecutivos.

O IPMA emitiu avisos amarelo e laranja para o arquipélago devido à previsão de chuva, vento, trovoada e agitação marítima.

As ilhas de Santa Maria e de São Miguel estão sob aviso laranja para vento e aviso amarelo para agitação marítima a partir das 12h00 de sábado até às 06h00 de domingo. O IPMA emitiu ainda um aviso laranja devido à chuva forte prevista entre as 12h00 e as 24h00 de sábado nestas duas ilhas.

Sob aviso laranja para chuva forte estão as cinco ilhas do grupo central entre as 00h00 e as 18h00 de sábado. Neste período vai vigorar ainda um aviso amarelo para trovoada. Para as Flores e Corvo, esta sexta-feira, entre as 03h00 e as 18h00, está prevista trovoada e precipitação forte, pelo que estas duas ilhas estão sob aviso amarelo.

O aviso laranja é o segundo de uma escala de quatro e indica situação meteorológica de risco moderado a elevado. O aviso amarelo, o terceiro de uma escala de quatro, revela situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Fim de semana com calor, chuva regressa na segunda devido ao furacão Ophelia

O fim de semana vai ser marcado por temperaturas acima dos 30 graus Celsius na generalidade do território, mas na segunda-feira a chuva regressa devido à passagem do furacão Ophelia, adiantou à Lusa meteorologista Maria João Frada.

De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para o fim de semana estão previstas temperaturas acima dos 30 graus Celsius na generalidade do território, mas na segunda-feira, o cenário muda muito por conta da trajetória do furacão Ophelia, que esta sexta-feira está no Atlântico.

A partir de segunda-feira parece que vai haver uma mudança no estado do tempo, mas até lá vamos continuar, na generalidade do território, com temperaturas acima do normal para a época, com máximas acima dos 30 graus”, disse.
Segundo Maria João Frada, para esta sexta-feira está prevista, no litoral a norte do Cabo Raso, uma descida da temperatura devido a uma massa de ar que tem um trajeto marítimo e que dá origem a mais humidade.

“Amanhã [sábado] vai haver uma subida da temperatura, ficando as máximas acima dos 30 graus na generalidade do território e no domingo vamos ter uma subida das mínimas, que em alguns locais poderão dar origem a noites tropicais”, destacou.

Na segunda-feira, de acordo com a meteorologista, vai haver uma mudança no estado do tempo, com chuva e descida das temperaturas em parte devido ao furacão Ophelia que neste momento está no Atlântico, longe do continente e que no sábado vai passar a sudoeste dos Açores.

“Vai passar longe e não vai afetar diretamente o continente, mas vai dar-nos uma mudança de situação. Há-de vir uma componente de vento de sul, uma massa de ar mais quente e instável que vai trazer períodos de chuva ou aguaceiros. A intensidade destes aguaceiros vai depender se o furacão, que na segunda-feira já vai ser uma tempestade ou depressão, vai passar mais longe ou perto”, explicou.

No entender de Maria João Frada, esta passagem do Ophelia vai “abrir a porta” para uma mudança no estado do tempo.

“Na segunda e na terça-feira a previsão é de ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, mas no resto da semana ainda é cedo para dizer, mas pode não ser o mesmo cenário”, disse.

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