Fogo de Pedrógão Grande

Ministra da Administração Interna garante que não se demite

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Confrontada pela oposição, que exigiu esta sexta-feira o apuramento de responsabilidades políticas a partir do relatório sobre os fogos de Pedrógão, Constança Urbano de Sousa mantém posição: não sai.

Constança Urbano de Sousa foi esta sexta-feira ao Parlamento

TIAGO PETINGA/LUSA

Menos de 24 horas depois de ser conhecido o relatório da Comissão Técnica independente sobre os fogos de Pedrógão Grande, onde se conclui que houve falhas táticas e estratégicas nas decisões operacionais que contribuíram para as mortes de 64 pessoas, a ministra da Administração Interna foi ao Parlamento.

Confrontada pelos deputados da oposição, começou por garantir com veemência que se mantém no cargo — “Não, não vou pedir a demissão” — para depois caracterizar como “pouco sério” o ato da sua chamada à Assembleia da República, tão pouco tempo depois de o documento ter sido tornado público. “Ninguém teve a oportunidade de ler o relatório com seriedade e cuidado”, afiançou a ministra. Essa foi, de resto, uma das teclas mais batidas durante o debate — quem leu e quem não leu o relatório.

Invetivada pela oposição de direita, que exigiu consequências políticas — “O relatório aponta falhas técnicas, de que deviam resultar consequências políticas. Assuma-as, senhora ministra. Encerrem esta questão com dignidade ou peça desculpa às vítimas ou aos portugueses pelo péssimo serviço que prestaram ao país”, avançou o social-democrata Carlos Abreu Amorim –, a ministra manteve-se inabalável.

Admitiu que houve falhas:

Falhou a prevenção estrutural , é uma falha que já tem anos.”

“Também resulta deste relatório que o ataque inicial falhou. E que o fogo não tendo sido extinto rapidamente, teve um crescimento rápido e incontrolável muito superior à capacidade de extinção.”

“Falharam de facto medidas de proteção civil pretendidas, que não existem neste país.”

Mas também fez questão de justificar os erros:

Antes desta tragédia, este Governo propôs medidas legislativas no âmbito da reforma florestal.”

“Podemos concluir da nota que ‘a maioria das mortes’ se deveu a um fenómeno meteorológico extremo, o downburst, que não podia ser previsto por nenhum serviço de proteção civil do mundo.”

“Muito antes desta tragédia, este Governo já estava a trabalhar numa estratégia de proteção civil preventiva, de aviso às populações.”

Pelas justificações foi criticada pela oposição: “Quase que faltava dizer ‘eu nem sequer lá estava!’”, atirou o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, logo depois de acusar: “Faltou planeamento, faltou comando, faltou ação, faltaram meios, faltou a verdade quando se diz que todos os meios aéreos foram alocados para aquela zona, faltou até a decência de não ocultar factos e apagar a fita do tempo”.

Carlos Abreu Amorim foi outro dos mais duros: “Não tenho memória de um ministro ter um atitude tão indecorosa como a senhora ministra agora neste Parlamento teve. É indecoroso que a senhora ministra, este Governo, e o senhor primeiro-ministro continuem a não encarar a problemática. O Estado falhou, e não apenas ao nível operacional”.

As intervenções dos partidos de esquerda, por seu turno, pautaram-se pela moderação das críticas ao Governo e pela co-responsabilização da direita pelo problema dos fogos que grassaram na zona centro do país entre 17 e 24 de junho deste ano. “É preciso um grande desplante do PSD e CDS, quando contribuíram para a falha da nossa floresta, designadamente com a liberalização da lei do eucalipto”, apontou Heloísa Apolónia, dos Verdes.

António Filipe, do grupo parlamentar do PCP, acusou o PSD de utilizar o relatório como “arma de arremesso político”, mas ainda assim foi dos mais críticos à esquerda: “Neste debate o PSD exige pedidos de desculpas, o CDS exige demissões; senhora ministra, o país não precisa de desculpas, precisa é do apuramento de responsabilidades e de medidas concretas. De nada nos serve que um qualquer membro do governo peça desculpas e vá para casa tranquilo e depois não faça nada”.

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