Portugal Fashion

Portugal Fashion em Lisboa. Desfiles que são bailados e designers que descem do salto

O primeiro dia de Portugal Fashion foi em Lisboa. Neste sábado, seis designers apresentaram as suas propostas para o próximo verão.

O Portugal Fashion voltou a cumprir a tradição e, antes de rumar ao Porto, assentou arraiais em Lisboa para um dia de desfiles. O calendário nunca foi tão completo. Foram cinco os criadores que apresentaram as suas propostas para o verão de 2018 num dos grandes armazéns industriais do Poço do Bispo, este sábado. Pedro Pedro e Carlos Gil fizeram-no pela segunda vez nesta temporada. Depois da Semana de Moda de Milão, foi na capital portuguesa que os dois designers anteciparam a próxima estação quente.

Pedro Pedro estreou a passerelle, que obrigou os modelos a serpentear por entre a assistência, desfile após desfile. Foi a vez do público português ver de perto a tão bem sucedida viagem do criador ao streetwear dos anos 80, agora, infelizmente, sem Suzy Menkes a aplaudir. Outro segundo assalto, o de Carlos Gil. Milão assentou-lhe como uma luva, mas em Lisboa o criador juntou ainda mais coordenados ao desfile. O quadro manteve-se o mesmo — cor, brilho e aquele toque desportivo dado aos clássicos do guarda-roupa feminino. Na verdade, a passagem de Carlos Gil para o calendário Lisboa do Portugal Fashion é tudo menos inocente. O designer, com atelier no Fundão, prepara-se para abrir uma loja própria na capital. Vai ser na Praça da Alegria e deverá inaugurar até ao fim do ano.

Os Storytailors apresentaram a coleção primavera-verão 2018 no Rive Rouge © Ugo Camera

Mas o dia começou muito antes do primeiro desfile no armazém. Os Storytailors, que nas últimas edições nos habituaram a apresentações bem mais intimistas, escolheram o bar Rive Rouge, no Cais do Sodré, para fugir ao formato do desfile convencional. Entre modelos e público não houve barreiras. Sob a bola de espelhos, a dupla apresentou “Palindrome”, uma coleção onde o género, tal como as silhuetas, se tornou fluido. O preto, o branco e o vermelho predominaram, enquanto peças de design inteligente deixaram bem claro que aquela era só uma das formas de serem vestidas. Na escolha dos materiais, os Storytailors chegaram a um equilíbrio entre o conforto e aqueles que são os seus elementos de assinatura. Usaram cupro, ganga e algodão, sem deixar de fora tecidos com maior impacto visual, como o tule e o cetim.

De volta ao Poço do Bispo, foi o desfile da TM Collection que mais gente juntou no armazém. Expectativa? Talvez. Afinal, na última edição a marca de Teresa Martins levou mais de dez árvores verdadeiras para a passerelle. Agora, sem direito a cenário e num ambiente bem menos bucólico, a coleção “Silent Revolution” foi precisamente uma pequena revolução dentro da marca. A onda campestre deu lugar a um tom mais enérgico. Cores quentes, bordados, camadas, materiais leves, detalhes de inspiração oriental e tribal e acessórios XL formaram uma harmonia perfeita conseguida através de um styling brilhante.

Os brincos XL foram os acessórios que mais chamaram a atenção no desfile da TM Collection © Ugo Camera

O desfile voltou a levar bailarinos para a passerelle. Benvindo Fonseca e Ana Lacerda, dois ícones do antigo Ballet Gulbenkian, entraram em cena e suspenderam a marcha das modelos. Para Teresa Martins, é como se coleção e desfile fossem uma só obra. “Não é nada fácil mas é nestes momentos que vejo o público mais emocionado e isso para mim é tudo. Acho que cada vez mais os desfiles vão ser assim, instalações”, afirma a criadora. Num desfile espetáculo, nenhum detalhe pode ser deixado ao acaso. Os bailarinos ensaiaram diariamente durante três semanas, as músicas foram escolhidas a dedo e a coleção foi dividida em duas partes, a primeira à base de cores vibrantes e a segunda composta unicamente por tons neutros.

Luís Onofre, outro dos nomes da noite, não desfilava em Lisboa há dez anos. Na 41ª edição do Portugal Fashion, a organização fez o convite e o designer de calçado não pensou duas vezes. Na bagagem, trouxe uma coleção cintilante. Se nas cores Onofre não quis pisar o risco mantendo a paleta neutra, no que toca aos materiais, o criador não poupou no brilho. “A coleção é muito grande, tem quase 300 modelos. Alguns são mais básicos, mas para o desfile trouxe as peças mais especiais. Houve um período em que estive muito controlado na utilização de cristais e outros adornos. Desta vez, decidi usar e abusar”, afirma Luís Onofre.

Com uma coleção inspirada nos adornos usados pelos povos da Mesopotâmia, Luís Onofre usou e abusou das pedras © Ugo Camera

De facto, os brilhos voltaram em força, desde pequenos cristais a aplicações do tamanho de moedas. Não foram só os saltos altos que deram espetáculo. Depois de muita insistência por parte das clientes, o criador admite ter-se rendido aos saltos médios. Diz que não foi fácil de convencer, enquanto nós dizemos que o resultado está ao nível dos stilettos mais vertiginosos.

A marca Luís Onofre está em expansão. Neste verão, abriu uma loja própria no Porto, que se vem juntar à primeira, inaugurada em 2014, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Abrir mais lojas faz parte dos planos, mas não em Portugal. Atualmente, a marca exporta mais de 90% da sua produção e embora uma parte tenha como destino os Estados Unidos, é nesse país que Luís Onofre quer concentrar os próximos esforços. Se tudo correr como esperado, a próxima loja própria será lá.

Maria Clara encerrou encerrou o desfile de Alves/Gonçalves com um vestido branco © Ugo Camera

O dia de Portugal Fashion em Lisboa não podia acabar sem o seu maior clássico: o desfile de Alves/Gonçalves. A dupla de veteranos apresentou uma coleção onde a diversidade dos materiais usados saltou à vista. Renda, organza, algodão e lãs finas combinaram-se entre si em coordenados improváveis. Dos macacões que simulam fatos à largura dos ombros, os cortes próprios da roupa masculina pairaram, do princípio ao fim. Exceto no final, quando os devaneios de Manuel Alves e José Manuel Gonçalves ganharam a forma de vestidos em organza plissada. As silhuetas surgiram cada vez mais aparatosas até culminarem num vestido branco. Tudo leva a crer que terá sido um regresso aos tempos em que os desfiles encerravam com um vestido de noiva. Quem o levou para a passerelle foi Maria Clara.

Em Lisboa, o Portugal Fashion fica por aqui. O calendário recomeça no dia 19 de outubro, já no Porto. Durante três dias, desfilam nomes como Diogo Miranda, Anabela Baldaque, Miguel Vieira, Katty Xiomara, Luís Buchinho, Nuno Baltazar e Alexandra Moura.

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