Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa sobre os incêndios: “Tudo terá de ser analisado”

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O Presidente da República diz que, da mesma maneira que se analisou o fogo de Pedrógão, tudo que se passou em termos de incêndios desde o verão e neste mês de outubro "terá de ser analisado".

TIAGO PETINGA/LUSA

Um dia depois de ter feito um discurso junto das famílias das vítimas dos fogos de Pedrógão Grande, a dizer que “já perdemos todos tempo demais”, o Presidente da República voltou a reagir à questão dos fogos. Um par de horas antes de o primeiro-ministro ter dito aos jornalistas que não tinha “soluções mágicas” para evitar tragédias, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a insistir na necessidade de se tirarem conclusões sobre os eventos trágicos destes dias.

O Chefe de Estado começou por publicar uma breve nota no site da Presidência da República a manifestar solidariedade com as vítimas, mas foi mais substantivo quando esteve ao telefone com a SIC, a dizer que esteve em contacto com autarcas por todo o continente. Marcelo Rebelo de Sousa insistiu para que se tirem conclusões de todas estas tragédias:

Do mesmo modo que se tiraram algumas conclusões, espero que se retirem as da tragédia de Pedrógão. Do mesmo modo, espero que se analise todo este ano e todo este verão que começou muito cedo e que acaba muito tarde”.

“Que se analisem os fatores estruturais e o que pode explicar esta realidade, para a qual nenhum de nós tem ainda uma resposta imediata”, disse o Presidente da República. “Pedrógão resultou num relatório, sobre o qual haverá uma reflexão imediata, mas tudo o que acontece depois disso e nesta situação anormal terá de ser analisado”.

O Presidente da República ressalvou, porém, que “as conclusões de Pedrogão não podem ter servido” para os fogos de hoje, “porque foram entregues dia 12. Estamos a viver esta tragédia menos de uma semana depois”.

Durante a sua conversa televisiva, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que não foi para o terreno devido à dispersão geográfica dos incêndios, mas também porque encaixava o reparo da comissão técnica independente, que escreveu no relatório sobre Pedrógão que os políticos atrapalharam as operações do posto de comando: “A minha palavra de hoje é de apoio, solidariedade e só não foi presença física porque seria uma dispersão impossível e não queria com essa presença criar alguma dificuldade de combate ao fogo, tal foi o entendimento da comissão técnica independente”.

A meio da noite, quando ainda não se sabia bem a verdadeira dimensão da tragédia, Belém já tinha feito um comunicado a manifestar solidariedade para com as vítimas. O Presidente dissera, em comunicado, estar a acompanhar a evolução dos incêndios: “Manifesta a sua solidariedade às populações e aos autarcas por todo o Continente, agradece o seu sacrifício, bem como dos Bombeiros e demais estruturas da Proteção Civil no combate aos fogos e exprime o seu profundo pesar aos familiares das vítimas”.

Marcelo pede “consequências” ao Governo da tragédia de Pedrógão

Marcelo Rebelo de Sousa tinha dito um dia antes desta nova tragédia que “Portugal aguarda” o apuramento de responsabilidades pelos incêndios de Pedrógão Grande e aguarda as prometidas consequências que o Governo irá retirar daí. Depois de ter dito, logo em junho, que era preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo” sobre o que tinha acontecido em Pedrógão, o Presidente voltou a frisar que “já perdemos todos tempo demais” e exigiu ao primeiro-ministro que retire consequências dos diversos relatórios que têm sido produzidos, para, mais à frente, defender uma avaliação rápida das indemnizações devidas às vítimas, nomeadamente pela “perda de tantas vidas”. As palavras do Chefe de Estado foram proferidas durante um encontro organizado pela Associação de Apoio às Vítimas, em Pedrógão Grande.

Perante o anúncio feito pelo senhor primeiro-ministro relativamente a uma reflexão ponderada e exaustiva, nomeadamente, baseada no teor do relatório, Portugal aguarda, com legítima expectativa, as consequências que o Governo irá retirar de uma tragédia sem precedente na nossa história democrática”.

Marcelo deixou ainda uma “palavra de convite” para que fosse feita uma “rigorosa avaliação dos contornos jurídicos do sucedido”, à luz do que diz o relatório da comissão independente, nomeadamente enquadrando as “atuações e omissões no conceito de culpa funcional ou funcionamento anómalo ainda que não personalizado”. E assim tocou num segundo ponto: o das indemnizações às vítimas. E ainda não se tinha dado o pior dia de incêndios do ano.

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