Cultura

Já visitou a cortesã que mora no Amoreiras?

Se passar pela montra de uma loja de lingerie do Amoreiras Shopping Center e deparar-se com a imagem de uma odalisca exibindo os seios, não se admire. Há um roteiro de obras primas para descobrir.

Existe um novo respirar no Centro Comercial que acolhe as réplicas da coleção do Museu Nacional de Arte Antiga, durante um mês. O museu, com casa na rua das janelas verdes entrou pelo Amoreiras dentro, por estes dias. No total são 31 réplicas de obras-primas de pintores nacionais e estrangeiros que saem do MNAA e seguem para as montras de 31 lojas do primeiro centro comercial a ser inaugurado no país. O percurso expositivo termina no Miradouro Amoreiras 360º Panoramic View com a reprodução da obra “A Vista do Mosteiro e Praça de Belém”, do pintor português Filipe Lobo. Um pormenor de Lisboa setecentista antes de atingir-se o telhado do edifício, e alcançar um plano privilegiado sobre a cidade profundamente cosmopolita do século XXI.

A arte foi escolhida em função da natureza da loja

Com muito trabalho de bastidores, a exposição começou a ser preparada em maio e envolveu os lojistas que acolheram as réplicas das obras-primas selecionadas em função da vocação natural das lojas. E há consonâncias mais do que perfeitas, como a “Cortesã” de Jacob Backer, a provocar o olhar de quem passa e a loja de lingerie Triumph, o “S. Jerónimo” de Dϋree e a livraria FNAC, o “Homem do Cachimbo” de Gustave Courbet e a Casa Havana, ou a natureza-morta de Cornelis de Heeme de “Frutos” e a loja da Vista Alegre.

3 perguntas ao diretor do MNAA, António Filipe Pimentel

Qual o objetivo do MNAA nesta iniciativa?

Divulgar o acervo do Museu. Esta é uma forma de nos aproximarmos dos nossos públicos chamando a atenção para os originais. Por muito bonita que aparente ser uma reprodução, o original é sempre incomparavelmente mais voluptuoso e tem a sacralidade de obra-prima propriamente dita.

Projetos como o “MNAAmoreiras”, e anteriormente o “ComingOut”, têm impacto no número de visitantes do MNAA?

Não conseguimos estabelecer uma relação lógica entre um projeto desta natureza e o incremento dos públicos. Acontecem continuamente pelo efeito global de perceção do museu e de campanhas diversas. Mas, com certeza, que contribui também para o aumento dos públicos.

Como está a correr esta parceria com o Centro Comercial?

Muitíssimo bem. A Mundicenter tem sido amabilíssima e muito colaboradora. Quero destacar também o papel ativo dos lojistas, que acolheram as nossas réplicas, em alguns casos tendo que esvaziar por completo as suas montras para que as peças pudessem brilhar em todo o seu esplendor.

Se por vezes o argumento não é direto, a criatividade supera-se: há manequins a imitar a pose das personagens dos quadros, como o da Loja das Meias by Ralph Laurent que assume a postura do “Conde de Farrobo”, de Domingos Sequeira.

Uma exposição fora de portas

O conceito por trás da iniciativa “MNAAmoreiras” não é novo e já levou as obras do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) às ruas do Chiado e do Príncipe Real, em Lisboa, no âmbito do projeto ComingOut 2015. “A ideia é repetir de alguma forma o que foi feito na altura, mas agora dentro de outras ruas um pouco mais protegidas”, explica Fernando Oliveira. O administrador da Mundicenter, empresa que gere o Amoreiras Shopping Center, diz que este é mais um passo na colaboração entre o Amoreiras e o MNAA, que se traduziu numa outra campanha intitulada “Vamos pôr o Sequeira no lugar certo”, a que o Centro Comercial se associou expondo uma reprodução da “Adoração dos Magos”. O objetivo era sensibilizar e mobilizar os seus visitantes a contribuírem com donativos para ajudar na aquisiçãoda obra de Domingos Sequeira.

No lugar onde a vida acontece

Os projetos especiais inserem-se na vocação da Mundicenter, como explica Fernando Oliveira e justifica que “faz parte do nosso ADN trabalhar a responsabilidade social e a relação com a sociedade”. Acrescenta ainda que o Amoreiras tem uma série de ações que o liga a várias atividades da vida social, sob o mote de que “um centro comercial não é apenas onde se vendem e compram produtos, tem lazer e é ponto de encontro de amigos e família”. E se “é onde a vida acontece, logo, faz todo o sentido a cultura também estar presente”, conclui Fernando Oliveira.

Esta exposição está disponível todos os dias até 5 de novembro, e aos domingos às 11h30, em visitas gratuitas comentadas por um guia certificado. Os interessados só têm de inscrever-se presencialmente no balcão de informações do Amoreiras Shopping Center, sendo que há um limite de inscrições de 25 pessoas.

Conteúdo produzido pelo Observador Lab. Para saber mais, clique aqui.
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