Vinho

“Aquilo que nos une”. 6 vezes em que o vinho foi estrela de cinema

"Aquilo que nos une" estreia esta quinta-feira nos cinemas. O filme que gira em torno do vinho e do amor à terra serve de mote para recordar as vezes em que a bebida esteve no papel principal.

“Aquilo que nos une” (2017)

É a mais recente história à volta do vinho a chegar às salas de cinema — a estreia nacional acontece já esta quinta-feira, dia 26 de outubro. O enredo cativante junta três irmãos e o dilema de ficar ou não com a propriedade que o pai lhes deixou, terra onde eles e o vinho nasceram e cresceram. O filme narra tensões familiares — de pais e filho, de genro e sogro, de marido e mulher — e vai mostrando os distintos processos de fazer vinho. No final, paira no ar a homenagem à união e ao legado familiar, mas também uma ode a quem ama a terra.

A história é toda ela narrada por Jean (Pio Marmaï) que deixa para trás a família e a terra natal, na Borgonha, para conhecer o mundo de mochila às costas. Dez anos passados, já o pai está doente e acamado, Jean regressa para lidar com a morte deste e com a terra que tanto ele e os irmãos mais novos herdaram.

“SOMM: Into the Bottle” (2015)

O filme de 2015 é uma espécie de continuação de um primeiro, que chegou às salas de cinema três anos antes. O enredo original contava a história de quatro jovens escanções e a dedicação destes em passar no dificílimo exame da formação “Master Sommelier”. A longa-metragem que se seguiu aprofunda um pouco mais a profissão de escanção (ou sommelier) e leva os telespetadores aos bastidores de como o vinho é realmente feito.

“Duelo de castas” (2008)

Não deixemos que o fator Alan Rickman nos distraia do essencial: o filme retrata, na verdade, a histórica prova cega de 1976, em Paris, quando dois vinhos californianos foram os mais bem cotados e venceram, para surpresa de todos, os franceses. A prova é conhecida como “O Julgamento de Paris”, evento marcante que em 2016 celebrou 40 anos. Refira-se que isto aconteceu quando os vinhos franceses dominavam o mundo e o Napa Valley estava ainda por ser descoberto.

O enredo junta personagens e desafios diferentes: Rickman é o comerciante britânico, sediado em Paris, que quer salvar a garrafeira e, por isso, vai em busca de vinhos californianos de qualidade; Bill Pullman é o produtor do famoso Chateau Montelena, cujo vinho branco venceu a prova, e Chris Pine o filho irresponsável, mas bem intencionado.

“Um ano especial” (2006)

Da lista é talvez o filme que menos revela sobre a indústria do vinho, mas é um daqueles que associam as palavras nostalgia, legado e família à bebida de Baco. É um “feel-good movie” com direito a uma espécie de “château”, vinhas verdejantes e aldeias carismáticas. A história assinada por Ridley Scott traz ao grande ecrã a dupla Russell Crowe e Marion Cotillard.

“Mondovino” (2004)

O filme em formato documentário caiu de paraquedas nas salas de cinema e no coração de uma crise vinícola. Um artigo datado de 2005 do The New York Times dá conta da queda do consumo em França, de como alguns produtores se sentiam, então, ameaçados pela invasão de vinhos vindos de outros países e de como estavam a sentir-se pressionados para fazer vinhos “universalmente acessíveis”.

“Mais do que um documentário, ‘Mondovino’ é uma defesa apaixonante da individualidade de pequenos produtores num mundo cada vez mais estandardizado”, lê-se no artigo já referido. O filme faz um retrato pouco feliz daqueles que defendem a dita homogeneização do vinho, um tema que, 12 anos depois, ainda está em voga.

“Sideways” (2004)

Existe uma cena particularmente marcante, quando a personagem principal, um assumido fã da casta Pinot Noir interpretado pelo ator Paul Giamatti, se recusa a beber qualquer vinho feito a partir da uva Merlot. O filme que viria a ganhar um óscar de melhor adaptação e a ser visto por milhões de pessoas narra a aventura de dois amigos pelas vinhas e adegas da Califórnia: um é enófilo e embarca numa espécie de viagem de auto-descoberta, o outro está prestes a casar.

A história descrita, bem como a famosa cena, poderá ter impactado a indústria do vinho. Parece um tanto ou quanto inacreditável, mas atualmente o Pinor Noir é uma constante entre os vinhos da Califórnia e há produtores que atribuem essa responsabilidade ao filme em causa, falando de um “efeito Sideways” (“Sideways Effect”, em inglês). Existem, inclusive, investigações sobre o tema.

O filme tem igualmente crédito por arrefecer a imagem da casta Merlot. A fala de Giamatti que pode (ou não) fazer alguma mossa face à variedade de uva tinta é a seguinte: “Se alguém pedir um Merlot, eu vou-me embora. Não vou beber nenhum Merlot da merda!” Na história, a personagem principal é divorciada e a casta é, curiosamente, preferência da ex-mulher.

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