Catalunha

Puigdemont falha comparência em tribunal?

O cair da noite deixou em aberto a dúvida: líder catalão deposto estaria de regresso a Barcelona? Não voltou, mas tem encontro marcado com a Justiça espanhola para esta semana.

AFP/Getty Images

Ao final da tarde, admitia-se uma reviravolta tremenda face ao que tinha sido a posição de Carles Puigdemont ao início do dia: o La Vanguardia dizia em manchete que o líder catalão deposto estava num avião a caminho de Barcelona. Foi falso alarme e Puigdemont continua em Bruxelas à espera de “garantias” quanto a um julgamento “justo”. Significa que vai falhar a intimação da Audiencia Nacional para prestar declarações perante o tribunal esta quinta-feira?

Só as próximas horas dirão. Horas que se prevêem tão intensas quanto as desta terça-feira, que começou envolta em secretismo. Ao início da manhã, os correspondentes em Bruxelas eram informados de que Puigdemont ia falar aos jornalistas, mas só saberiam do local da conferência de imprensa duas horas antes do início da intervenção do líder do Juntos Pelo Sim. O presidente deposto queria falar, queira explicar-se, queria defender-se de Madrid e dizer que continua na luta.

Falso alarme. Puigdemont não regressou a Barcelona

Duas ou três ideias-chave que ficam da conferência de imprensa sobrelotada – uma sala para 50 pessoas que teve de albergar mais do triplo – no clube de imprensa de Bruxelas (junto à Comissão Europeia e ao Parlamento Europeu): Moncloa está a atacar um Governo regional que se limitou a cumprir o programa com que se apresentou a votos e foi eleito; Bruxelas não pode continuar a assobiar para o lado porque a independência catalã “é um problema europeu” (foi também para encontrar uma “solução” que viajou para a capital belga); o governo deposto não foi para Bruxelas pedir asilo (ainda que Puigdemont só admita voltar a Barcelona com “garantias” de que não será detido).

Mas há mais: vai ser ele o primeiro rosto do Juntos Pelo Sim nas eleições de 21 de dezembro convocadas por Mariano Rajoy e desafia Madrid a “respeitar o resultado eleitoral” (sublinhe-se que os independentistas seguram a maioria, segundo uma sondagem divulgada esta terça-feira); a sua partida permitiu conter a pulsão que desembocaria em violência nas ruas de Barcelona (“Se eu tivesse ficado na Catalunha em resistência haveria uma onda de violência”, garantiu na mesma conferência de imprensa).

Ainda que ao final da noite se tivesse admitido que sim, Puigdemont não voltou a Barcelona. Mesmo assim, e depois de ter sido destituído, garante que é ele quem, a alguns milhares de quilómetros de distância, continua a liderar o governo catalão. São palavras para consumo interno, porque o líder do Juntos Pelo Sim sabe que tanto Jordi Turull, conselheiro para a presidência deposto, como Oriol Junqueras, vice-presidente do governo regional deposto e líder da Esquerda Republicana Catalã, estão à espera da sua oportunidade.

Dúvida para as próximas horas: Carles Puigdemont fica mesmo por Bruxelas? E viola a obrigação de comparência perante a juíza Carmen Lamela, sabendo que essa decisão potencia a emissão de um mandato internacional de captura em seu nome? Não é só o líder deposto quem se confronta com essa questão: vários ex-conselheiros aterrarem em Barcelona ao final da noite desta terça-feira, mas, em Bruxelas continuam outros ex-conselheiros próximos de Puigdemont.

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