Web Summit

São ricos e têm sucesso, mas sentem-se sós. “Temos de conter as emoções”

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Estar no topo exige esconder sentimentos. Dá dinheiro, mas tira tempo. Para um líder como José Neves, da Farfetch, tomar decisões difíceis "é um momento mesmo muito solitário".

José Neves lançou a Farfetch em 2008. Esteve esta terça-feira no palco principal da Web Summit

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Ricos e solidários? Sim, pelo menos para José Neves, fundador da Farfetch — o único unicórnio (startup avaliada em mais de mil milhões de dólares) português, que atua no comércio online de moda de luxo: estar no topo “é uma das profissões mais solitárias do mundo”, disse durante o painel “Estar no topo é solitário: a vida de um líder”, que decorreu esta terça-feira na Web Summit. A Farfetch é a única a empresa a entrar no The Billion Dollar Startup Club, do Wall Street Journal, mas para o português de 43 anos parece que o dinheiro não é tudo.

Sou o único fundador da Fafetch e a verdade é que as decisões mais difíceis escalam sempre até ao topo. Se forem fáceis, o caminho é claro, mas se não forem podem ser um momento mesmo muito solitário”, conta o português José Neves.

Apesar de ser um cargo solitário, é preciso saber ocupá-lo. José Neves deu várias dicas: cooperação, “independentemente do estilo de liderança”, não agir de “forma imediata” quando se vê que há alguma coisa que podia ser mudar. “Temos de conter as nossas emoções”, defende o fundador da Farfetch, acrescentando: “Não acho que isto crie um ambiente em que as pessoas sintam que podem ser criativas, falhar e mudar a indústria. E isto é o ambiente que queremos criar”.

Também é um cargo que deixa quem os ocupa sem tempo. Gillian Tans admite que deixou de fazer algumas coisas quando se tornou presidente executiva da Booking.com, um site de reserva de hotéis. “Ir a conferências”, brinca. “Temos um tempo muito limitado. Temos muita coisa num dia só” diz ainda. E é por isso que é preciso fazê-lo em equipa. Jason Robins, presidente executivo e fundador da DraftKings, uma plataforma de jogos, defendeu que não é possível “atingir o sucesso” se se quiser “chegar a tudo sozinho”. José Neves também partilha da mesma opinião: “A cultura da nossa empresa é muito importante e este sentimento de que estamos a fazer tudo juntos é uma coisa na qual investimos”.

José Neves diz que erra muito. Mas a Farfetch vale mil milhões

José Neves falou um pouco da empresa que lidera, a Farfetch, e revelou que os seus valores “têm mudado mesmo muito pouco durante o tempo”. “As pessoas pedem-nos para não mudarmos”, explica. Já no programa de vídeo do Observador, “O Meu Fracasso antes do Meu Sucesso”, José Neves contou todos os erros e crises que compõem a história deste unicórnio-

Comecei a empresa verbalizando os valores e os valores acabaram por fazer-se sentir entre os membros da equipa. Quando chegámos aos 120, 150 colaboradores começámos a ver as falhas de não ter deixado os nossos valores claros”, contou José Neves.

Já Gillian Tans revelou que na empresa fazem “experiências todos os dias”. “É assim que inovamos”, disse Tans. A presidente executiva contou que, no início deste ano, a missão da empresa mudou, tendo passado a ser: “Dar poder às pessoas, viajando pelo mundo”, disse a empresária que em 2016, foi a presidente mais bem paga no negócio das viagens online – conseguiu ganhar mais do que o próprio patrão da altura, Jeffery Boyd, então líder da Priceline.

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