NBA

O efeito Porzingis que convenceu Spike Lee, Nova Iorque e a NBA (só falta mesmo Rihanna)

Há dois anos, quando foi escolhido pelos Knicks no draft, ouviu assobios; hoje é um herói que se farta de vender camisolas. Kristaps Porzingis tem 22 anos mas recuperou a alma de Nova Iorque na NBA.

Porzingis tornou-se o primeiro jogador de sempre dos Knicks a marcar 300 pontos nos primeiros dez jogos da época

Getty Images

Estamos no draft de 2015, no Barclays Center de Brooklyn. Karl-Anthony Towns, Minnesota Timberwolves. D’Angelo Russell, Los Angeles Lakers. Jahlil Okafor, Philadelphia Sixers. Ficam assim a ser conhecidos os primeiros três nomes da noite e a quarta escolha pertence aos New York Knicks, que têm dezenas de fãs nas bancadas devidamente equipados. E o escolhido é… Kristaps Porzingis! “Qual foi a reação das pessoas quando ouviram o meu nome? Buuuuuuuuuuuuuuu”, admitiu em entrevista à ESPN.

O gigante da Letónia tinha tudo para ser uma das piores escolhas da década no draft; ao invés, tornou-se numa das melhores opções dos Knicks, reféns de uma figura carismática que pudesse liderar uma nova era da equipa. Dúvidas? Os números acabam de dissipar as que existissem: após mais uma exibição monstruosa na receção aos Charlotte Hornets (118-113), tornou-se o primeiro jogador de sempre a marcar 300 pontos nos dez jogos iniciais da temporada, superando nomes consagrados como Bernard King (298) ou Pat Ewing (285).

Conseguiu triplos em alturas decisivas, fez três desarmes de lançamentos seguidos na mesma jogada, fartou-se de afundar e, no final, após uma longa pergunta sobre se a equipa alguma vez deixou de acreditar que era possível dar a volta a um resultado desvantajoso, respondeu simplesmente… “Não”. Sorriu, agradeceu e foi-se embora rumo ao balneário, para delírio dos fãs que ainda estavam no Madison Square Garden.

Porzingis é um dos jogadores mais altos de sempre na NBA (2,21 metros, o que o coloca no lote dos 14.º classificados nesse ranking liderado por Gherghe Muresan), mas faz coisas como se fosse um base e lança como um extremo. Em paralelo, tornou-se um verdadeiro ícone a nível de vendas de camisolas, agradece como se fosse um miúdo quando lhe pedem um autógrafo numa fotografia sua, mas ainda hoje não esqueceu o dia em que foi apupado no draft. Nem ele nem Jordan, um jovem fã dos Knicks: em 2015, as câmaras televisivas apanharam a criança a chorar com esse anúncio; muitos meses depois, encontraram-se numa ação promocional e jogaram 1×1… com o letão a afundar e a desarmar todos os lançamentos. “Sim, é uma criança, mas tinha de fazer isto”, assumiu a rir.

Nasceu numa família de basquetebolistas — o pai, Talis, foi quase profissional antes de se tornar condutor de autocarros; a mãe, Ingrida, chegou a representar o país nas seleções mais jovens; os irmãos mais velhos, Martin e Janis, jogaram ao mais alto nível, sobretudo Janis. Kristaps aprendeu a jogar desde miúdo nas tabelas que existiam nas traseiras de casa e sempre foi uma criança protegida, bem mais do que é normal: ainda antes de nascer, e num episódio que ainda hoje leva a mãe às lágrimas, houve um outro irmão que faleceu num acidente com 14 meses. “É como se ele tivesse ficado com a força de dois”, contou Talis à ESPN, emocionada.

Deus deu-me um pouco mais de talento pelo que tinha acontecido à minha família”, comentou Kristaps numa reportagem feita pela ESPN.

Aos 15 anos, quando jogava no BK Liepejas Lauvas, o Balloncesto Sevilla viu alguns vídeos enviados pelo seu agente e decidiu contratá-lo para a equipa de juniores. A adaptação não foi fácil: começou por acusar em demasia o calor, depois teve de recuperar de uma anemia, sentiu problemas com a língua. Quando subiu aos seniores, tinha superado todos os obstáculos e mostrou que estava pronto para entrar na NBA. Que chegou aos 20.

Em apenas dois anos, mesmo perdendo referências como Carmelo Anthony (o seu grande exemplo quando estava em Espanha, a par de Dirk Nowitzki e Kevin Garnett) e estando na corda bamba para uma possível troca para outra equipa para garantir posições em drafts futuros, assumiu o papel de líder da equipa. E conseguiu convencer tudo e todos, de Spike Lee, o fã mais fiel dos New York Knicks, à própria NBA. Sempre bem disposto (assume que, quando lhe dizem que não sabem onde é a Letónia, chega a atirar que fica ao pé da Austrália…) e amante confesso de futebol – considera Messi o melhor jogador do mundo e Ronaldo uma das maiores marcas do desporto –, tem o mundo a seus pés. E alcançou todos os objetivos menos um: ter um double date com Rihanna e o casal Beyoncé e Jay-Z, um desejo que confessou em 2015 e que ainda não realizou.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site