Sporting

Sporting. A denúncia feita na PGR, a resposta de Bruno de Carvalho e a notícia nas entrelinhas

Paulo Pereira Cristóvão fez uma denúncia à PGR em julho sobre uma série de negócios do Sporting; Bruno de Carvalho respondeu antes de tudo se tornar público. E pelo meio, deixou cair uma notícia.

Tanaka marcou sete golos em 28 jogos oficiais em 2014/15, incluindo o famoso livre direto em Braga

JOSE COELHO/LUSA

O Ministério Público encontra-se nesta altura a investigar uma denúncia que terá sido apresentada por Paulo Pereira Cristóvão, a 7 de julho, na Procuradoria-Geral da República, a propósito de algumas transferências feitas pelo Sporting nas últimas temporadas. Ainda antes de a mesma de ser tornado pública no Correio da Manhã, e no seguimento de uma série de perguntas feitas aos leões, Bruno de Carvalho, presidente do clube verde e branco, explicou através do Facebook o que está em causa.

“Ao contrário do que é dito, à exceção da Fundação Aragão Pinto que, como é sabido, está em processo de encerramento, não tenho qualquer empresa, ou parte de empresa ou participação em empresa em nenhuma parte do mundo”, explica o líder leonino, em resposta à denúncia de que seria sócio de uma empresa cabo-verdiana através da qual iria passar parte do negócio que trouxe o avançado japonês Tanaka para Alvalade.

Tanaka foi contratado no Verão de 2014 ao Kashiwa Reysol, tendo marcado alguns golo importantes nessa temporada

“Em primeiro lugar, nunca o agente João Pinheiro ou a sua empresa tiveram qualquer envolvimento na transferência do jogador para o Sporting. Os envolvidos foram a empresa Bisc do agente espanhol John Baez, que detinha os direitos económicos do atleta, uma figura estranha de nome Paulo Emanuel Mendes (que mais tarde vieram dizer-me ter ligações a Paulo Pereira Cristóvão) que em boa hora acabou por não ter qualquer papel no negócio e o Kashiwa Reysol, clube japonês onde Tanaka estava inscrito e por isso detinha os direitos federativos. O agente fez-nos saber que o preço era 750 mil euros. É bom saber que estávamos numa época em que o TPO [Third-Party Ownership] ainda era permitido. Assim sendo, o negócio fez-se pelos 750 mil euros, sendo que 500 mil foram para a Bisc pelos direitos económicos e 250 mil para o Reysol para pagar os direitos federativos. Ou seja, não houve nenhuma alteração como se pretende fazer crer na queixa”, assegurou Bruno de Carvalho, a propósito de um negócio que, de acordo com a denúncia, poderia ter sido feito por 500 mil euros.

Ainda no plano meramente desportivo, o presidente do Sporting abordou também a venda de Rúben Semedo ao Villarreal, que estará também mencionada na denúncia investigada agora pelo Ministério Público. “É facílimo de desmascarar, uma vez que os documentos são públicos. Houve de facto uma reunião em que estiveram presentes o agente João Pinheiro e um agente inglês seu parceiro. Disseram poder trazer uma proposta do Newcastle de 14 milhões e, na sequência da reunião, elaborou-se um documento em que se relatava a mesma, confirmando a disponibilidade do Sporting para fazer a venda por aquele valor. Mas a verdade é que a proposta não passou das intenções e nunca chegou. E só por ignorância ou má fé é que se ignora que o atleta se transferiu por 14 milhões para o Villarreal de Espanha, sem qualquer interferência do agente João Pinheiro”, destaca.

De acordo com o Correio da Manhã (conteúdo fechado), Paulo Pereira Cristóvão terá também pedido à Procuradoria-Geral da República para averiguar o contrato assinado entre o Sporting e a Costa Aguiar Sports, que recebeu 1,3 milhões de euros na transferência de Bruno César após terem assinado vínculo um dia depois da contratação do jogador. A denúncia argumentará também que, nessa altura, a empresa não se encontrava registada como intermediária na Federação Portuguesa de Futebol.

Num plano mais institucional, Bruno de Carvalho negou que tenha utilizado o carro ou o motorista do clube no seu casamento, a 1 de julho, ao mesmo tempo que recusou a ideia de ser o Sporting a pagar as deslocações até do próprio nas idas ao estrangeiro, para encontros com núcleos, inaugurações de academias ou estágios.

Bruno de Carvalho respondeu no Facebook à denúncia de Pereira Cristóvão, do plano desportivo ao institucional e pessoal

“Tenho um carro atribuído para uso profissional. Infelizmente, por indicações da direção de segurança do Sporting, sou aconselhado, eu e a minha família, a utilizar para tudo viaturas institucionais. E aos mais esquecidos lembro que, do meu casamento, saí num carro clássico que fui eu que paguei (…) Também se pretende acusar-me de levar elementos da minha família em viagens pagas pelo clube. Que fique muito claro: nunca o Sporting teve qualquer custo com deslocações a núcleos, estágios ou academias. Nem comigo, que sou presidente. A prática é simples: quem convida ou organiza as viagens é quem paga, sem nunca onerar o clube ou a SAD”, esclareceu.

Por fim, o presidente dos verde e brancos negou o prolongamento do vínculo entre o clube e a Casa do Marquês, que é responsável pela exploração da parte de catering do estádio, ou qualquer tipo de favorecimento.

“A administração a que me honro de presidir nunca prolongou qualquer contrato com a empresa Casa do Marquês de José Eduardo. O que fizemos, como pessoas de bem, foi honrar o que existia e já vinha de trás. Sucede que esse contrato está a terminar e o que decidimos fazer, há vários meses, foi denunciar o contrato, não permitindo a renovação automática prevista, mas sim algo que devia ser enaltecido pela transparência que significa: abrir um concurso para a prestação do serviço de catering. Diz também que José Eduardo, insinuando assim favorecimento, expandiu o seu negócio para a Academia. Ora, a menos que tenha comprado a Eurest, o que desconheço, não é verdade. Mais uma mentira. E ainda fala sobre sobre o meu casamento, sendo que é verdade que foi a Casa do Marquês que serviu o copo de água, mas fui eu que paguei tudo do meu bolso”, frisou.

Paulo Pereira Cristóvão foi candidato à presidência do Sporting em 2009 e vice-presidente de Godinho Lopes entre 2011 e 2012

“É deplorável que se tente lançar lama para cima de um clube como pretende o ex-sócio Paulo Pereira Cristóvão, fazendo esta queixa/calúnias chegar aos jornais”, finaliza Bruno de Carvalho, que se refere ao antigo vice-presidente do Sporting por mais do que uma ocasião ao longo do post como antigo associado. Esta é a primeira vez que tal acontece, podendo depreender-se que o processo que estava em avaliação pelo Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting, tendo em vista a expulsão do também ex-candidato em 2009 (perdeu com José Eduardo Bettencourt), terá chegado ao fim, embora não exista ainda qualquer comunicação oficial nesse sentido.

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