Web Summit

Sara Sampaio: “A indústria da moda não nos pode tratar como quer. Já temos uma voz”

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Sara Sampaio estreou-se esta manhã na Web Summit e falou do poder das redes socais, em especial do Instagram, na denúncia dos abusos cometidos contra modelos em situações profissionais.

No último dia da Web Summit, Sara Sampaio falou sobre os abusos e pressões a que jovens modelos são submetidas no trabalho e referiu a importância das redes socais na denúncia dessas situações.

ANTONIO COTRIM/LUSA

A uma semana de completar 10 anos de carreira, a modelo portuguesa e anjo da Victoria’s Secret Sara Sampaio inaugurou o Modum, palco da Web Summit dedicado à moda. O mote foi o papel dos modelos nos dias de hoje e a manequim começou por assinalar a importância das redes socais, sobretudo do Instagram, na denúncia de abusos por parte de fotógrafos e das equipas com quem as modelos trabalham.

As coisas mudaram muito com o Facebook, o Instagram e o Twitter. Agora, as miúdas têm uma voz e isso é muito poderoso. Posso ir ao meu Instagram e dizer algo que é visto por milhões. Já não temos de entrar e sair caladas. Isso fez a indústria da moda perceber que não nos pode tratar como quer nem obrigar-nos a fazer o que quer. Podes sair de lá e responsabilizá-los por essas ações e tornar tudo público.”, afirmou durante a conferência.

Durante a conversa, Sara Sampaio fez referência ao episódio recente com a Lui que a levou a processar a revista francesa por não cumprimento do contrato, que impedia o uso de fotografias com nudez. “Eles concordaram com o contrato, não ia haver nudez. Eu entrei no estúdio confortável porque não ia acontecer nada. Pressionaram-me para estar nua, vieram com fotos que fiz no passado. Só porque já beijei vários rapazes, não quer dizer que qualquer pessoa possa chegar ao pé de mim e dar-me um beijo“, concluiu.

Sara refere ainda a publicação que fez no Instagram, denunciado o episódio. “Espero ter poupado pelo menos uma rapariga de uma situação destas”, completou.

Passei por imensas situações em que fui pressionada a fazer coisas que não queria, só porque fazia parte do negócio. Provavelmente, queimei imensos contactos com fotógrafos por lhes ter dito que não”, acrescentou.

A manequim portuguesa terminou a conferência com uma reflexão sobre os abusos e pressões a que as manequins em todo o mundo são submetidas dentro de um estúdio fotográfico. “As modelos têm o poder agora, a voz. Continuamos a ver imensa coisa: miúdas a serem sexualizadas demasiado cedo, a sofrerem bullying para ficarem nuas, menores pressionadas para fazerem topless. Porque é que continuamos a ser exploradas e desrespeitadas quando, nesta área, ganhamos muito mais dinheiro que os homens?”, questionou.

Para a modelo, a mudança não passa só pelo poder de comunicação que as modelos ganharam com as redes sociais, mas também com a tomada de posições por parte de agências e revistas. Como conclusão, Sara Sampaio deixou um recado: “Fotógrafos, não sejam idiotas”.

No mesmo dia, Sara Sampaio pisou o palco principal com Rosario Dawson

Para falar sobre celebridades ativistas, a Web Summit voltou a chamar Sara Sampaio que, de manhã, já tinha passado pelo Modum com o tema “Modelos no dia de hoje”. Ao lado da atriz Rosario Dawson, falou sobretudo do fenómeno amplificador das redes socais, voltando a focar caso da revista Lui. “Hoje, nós modelos não somos só caras bonitas sem voz. As redes sociais mudaram tudo. Quando tens uma audiência tão grande e contacto direto com milhões de pessoas, há uma responsabilidade. E foi importante para mim ter dito alto que alguma coisa não estava bem para outras pessoas não terem de passar pelo que eu passei”, afirmou a modelo.

Comunicar através das redes sociais também exige cuidado e a manequim portuguesa frizou-o. “Tudo o que dizes publicamente pode ter um efeito completamente contrário ao que tu julgavas. Não quero ser apanhada em discursos políticos nos Estados Unidos porque sou uma emigrante e não quero arranjar problemas. Aprendi que é preciso enviar a resposta da forma certa”, acrescentou.

Por sua vez, Rosario Dawson refletiu sobre os efeitos do fenómeno. “Esta é a geração que aprendeu o que é a tolerância, mas é a mesma em que nos disse que as mulher têm um determinado papel na sociedade. Não devia ser preciso: eu não quero que as pessoas entendam os direitos humanos daqui a 35 anos. Quero que entendam agora!”, disse a atriz.

“Mas é óbvio que hoje há um clima e um espaço diferentes para poder dizer certas coisas, a Caitlyn Jenner é um exemplo disso, ela não estaria aqui a falar daquele tema há anos atrás”, completou Dawson.

Artigo atualizado às 20h46.

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