Cinema

Três filmes para ver esta semana

Uma biografia de Rodin, um documentário sobre o cativeiro da família de José Afonso em Timor pelos japoneses e o novo "Um Crime no Expresso do Oriente", são as escolhas de Eurico de Barros esta semana

O canastrão Mathieu Lindon no entorpecente e interminável "Rodin", de Jacques Doillon

Autor
  • Eurico de Barros

“Rodin”

Uma das mais poderosas, solenes e académicas estopadas que o cinema francês nos infligiu recentemente, e logo saída das mãos do respeitabilíssimo Jacques Doillon, autor dos excelentes “A Puritana”, “Vingança de Mulher” ou “Ponette”. O insuportável podão Vincent Lindon interpreta Auguste Rodin sempre de cenho carregado e como se a barba bíblica da personagem lhe abafasse as palavras, numa demonstração de “mumblecore” à francesa, enquanto Doillon realiza em regime de anestesia geral. São duas horas de filme que parecem durar o dobro, com uma tal de Izia Higelin completamente a boiar na figura de Camille Claudel, a infortunada assistente e amante do escultor. “Rodin” é abaixo de telefilme de carregar pela boca, abaixo de encomenda de um anónimo tarefeiro do tempo do “cinéma de papa”.

“Rosas de Ermera”

Luís Filipe Rocha conta neste surpreendente documentário a história dos pais e da irmã mais nova de José Afonso, que estiveram internados durante a II Guerra Mundial num campo de concentração japonês em Timor. O pai do cantor, juiz em Moçambique, transferiu-se para Dili em 1939, levando consigo a mulher e a filha mais nova, Maria das Dores, enquanto os filhos João e José rumaram a Portugal e foram para Coimbra estudar. Com a invasão de Timor pelos japoneses, em Fevereiro de 1942, a correspondência cessou e durante três anos, pais e filhos não souberam nada uns dos outros, e João e José Afonso temeram que os pais e a irmã tivessem morrido, ou às mãos dos invasores, ou das privações causadas pela sua situação. O realizador acompanhou o regresso de Maria das Dores a Timor, em Outubro de 2015, para esta revisitar os lugares onde viveu, estudou e esteve prisioneira.

“Um Crime no Expresso do Oriente”

Kenneth Branagh realiza e interpreta esta nova adaptação do policial clássico de Agatha Christie, já antes levada ao cinema por Sidney Lumet em 1974, com Albert Finney no papel de Hercule Poirot. Mas o Poirot de Branagh é totalmente fantasioso e descaracterizado, do aspecto físico á personalidade e à psicologia, concebido para tentar cativar os espectadores jovens que não lêem livros e só folheiam “comics” de super-heróis, e nunca ouviram falar de Agatha Christie. O elenco deste novo “Um Crime no Expresso do Oriente”, que apresenta também algumas alterações à história original e a certas personagens, inclui ainda nomes como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Judi Dench ou Daisy Ridley. “Um Crime no Expresso do Oriente” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.

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