Cultura

Assírio & Alvim reúne poesia de Cesariny, que encontrou “mil tempos novos para o verbo amar”

A Assírio & Alvim lançou um volume que reúne a poesia de Mário Cesariny, classificado como um "homem livre e luminoso" que encontrou "mil tempos novos para o verbo amar".

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A Assírio & Alvim lançou um volume que reúne a poesia de Mário Cesariny, classificado, na edição com mais de 750 páginas, como um “homem livre e luminoso” que encontrou “mil tempos novos para o verbo amar”.

Com edição, prefácio e notas do professor catedrático Perfecto E. Cuadrado, este volume segue a ordem e arrumação “revista e autorizada definitivamente pelo Autor”, que inclui “Manual de Prestidigitação”, “Primavera Autónoma das Estradas”, “Pena Capital”, “Nobilíssima Visão”, “A Cidade Queimada” e “O Virgem Negra”.

“Mário foi, antes de mais, um homem livre e luminoso que cada dia inaugurava o dia na noite da caverna e que soube encontrar mil tempos novos para o verbo amar”, escreve Perfecto E. Cuadrado no prefácio.

Nesse mesmo texto, o professor da Universidade das Ilhas Baleares constata que “falar de Mário é falar do Surrealismo, e falar do Surrealismo é falar duma moral, duma ética e duma subsequente política, é falar, em termos bretonianos, dum projeto de coincidente transformação do indivíduo interior e do indivíduo exterior ou social, um projeto que ainda não foi, um projeto que continua a ser, que será sempre”.

“Sou um homem/um poeta/uma máquina de passar vidro colorido/um copo uma pedra/uma pedra configurada/um avião que sobe levando-te nos seus braços/que atravessam agora o último glaciar da terra”, escreveu Cesariny em “Autografia I”, de “Pena Capital”, que se segue ao conhecido “You are welcome to Elsinore” e o seu primeiro verso: “Entre nós e as palavras há metal fundente”.

Da reunião de poesia de Cesariny ficam de fora textos como “Um Auto para Jerusalém” ou “A Norma de Bellini”, “para serem integrados posteriormente num volume de teatro, poemas dramáticos, um guião cinematográfico”, da mesma forma que manifestos escritos com Mário-Henrique Leiria e com Cruzeiro Seixas deverão fazer parte de um “volume geral de textos de intervenção individuais e coletivos”.

De fora ficaram também “a inclassificável ‘Titânia’, bem como os picto-poemas não incluídos pelo Autor e os livros-colagem, que passarão a um volume específico”, embora, por outro lado, sejam acrescentados aos livros editados uma secção de “outros poemas”, que Cesariny retirou das obras.

Nascido a 9 de agosto de 1923, em Lisboa, Mário Cesariny de Vasconcelos estudou música com Fernando Lopes-Graça e fez parte do grupo que lançou o movimento surrealista em Portugal, do qual se tornou uma das mais influentes figuras.

Morreu em Lisboa, no dia 26 de novembro de 2006.

Em “Pastelaria” (de “Nobilíssima visão”, publicado em 1959), escreveu: “Afinal o que importa não é a literatura/nem a crítica de arte nem a câmara escura (…) Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício/e cair verticalmente no vício”.

“Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo/à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo”.

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