Insólito

Lembra-se de Smallville? Atriz que fazia de amiga do Super-Homem está a ser acusada de liderar uma seita sexual

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Allison Mack, 35 anos, está a ser acusada de liderar um culto que chantageia mulheres e as marca com ferros em brasa -- com as suas próprias iniciais e com as do fundador do grupo de auto-ajuda NXIVM.

Em Smallville, Allison Mack era Chloe Sullivan, a amiga jornalista do Super-Homem

A NXIVM foi fundada em 1998 em Albany, estado de Nova Iorque, por Keith Raniere para dar seminários de desenvolvimento profissional e cursos de valorização pessoal. Problema, de acordo uma notícia recente do New York Times: garantem antigos frequentadores dos cursos, mais do que uma organização de auto-ajuda, a NXVIM é uma espécie de culto que tem Raniere como guru e utiliza controversas técnicas de controlo de mentes e métodos exaustivos de ensino.

Já não é a primeira vez que a NXIVM é alvo deste tipo de acusações. De acordo com uma reportagem da Forbes, publicada em 2003, uma professora da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) chegou mesmo a dar entrada no hospital depois de 17 horas ininterruptas num work-shop.

Nessa altura, alguns dos coaches da NXIVM cobravam 25 mil dólares por dia ou 100 mil por meia dúzia de sessões ao longo de cursos de 18 meses. A má publicidade provocada pelo artigo da Forbes, que dava voz a ex-alunos de Raniere que garantiam que os seus métodos passavam por “quebrar psicologicamente os alunos, separá-los das famílias e introduzi-los num mundo de pretensões messiânicas, linguagem idiossincrática e práticas ritualistas”, fez com que, três anos depois, o Dalai Lama cancelasse uma visita à cidade, para um evento organizado por Raniere.

Agora tudo piora com o fundador da NXIVM, que entretanto se expandiu também para México e Canadá, a ser acusado de liderar, com a atriz Allison Mack (famosa em tempos pelo papel que desempenhou na série Smalville), uma seita sexual que funcionará a partir da própria empresa.

Raniere é também acusado de manipular os membros da seita (todas mulheres), de manter relações sexuais com elas e de as incentivar a fazerem dietas alimentares extremamente restritivas, de 500 a 800 calorias por dia — para alcançarem o aspeto físico que ele próprio considera atraente.

A DOS, assim se chama a seita, terá como principais objetivos subjugar as mulheres que dela fazem parte — as “escravas” — através de chantagem e maus-tratos. De acordo com o jornal The New York Times, que revelou recentemente o caso, as mulheres que fazem parte desta irmandade serão escolhidas a dedo entre as mais promissoras alunas da NXVIM. Convidadas a entrar, terão de entregar material que as comprometa (fotografias ou cartas escritas de propósito para a ocasião, em que revelam aspetos comprometedores da sua vida privada) como uma espécie de prova de confiança.

Serão avisadas de que se falarem contra a organização ou partilharem o que dentro dela se passa, esse material será divulgado. Receberão instruções para tratarem quem as recrutou por “mestre” — e para responderem como escravas. Só não lhes dirão, garantiu ao jornal Sarah Edmonson, ex-membro da DOS, que o ritual de iniciação se completa com um cauterizador — a versão menos selvagem de um ferro em brasa.

Ao The New York Times, Edmonson, 40 anos, contou que lhe disseram que teria de fazer “uma pequena tatuagem”. E que, quando deu por si, estava a ser imobilizada por três mulheres em cima de uma mesa de massagens enquanto uma quarta, médica, lhe queimava, qual peça de gado, a pele na zona da anca: “Mestre, por favor, marca-me, será uma honra” terá sido o que a obrigaram a dizer.

Todas as “escravas” da seita serão marcadas — cada uma será incentivada a recrutar depois o seu próprio exército de “escravas” — ou com as iniciais de Keith Raniere ou de Allison Mack, a amiga jornalista do Super-Homem de Smallville.

O britânico Daily Mail publicou entretanto várias fotografias das marcas feitas em membros da seita — KR e AM invariavelmente. De acordo com o jornal, Mack será o número 2 de Raniere no DOS. Outras das obrigações das escravas: responder sempre, e de forma imediata, quando contactadas pelos respetivos mestres; e angariar novas escravas em quantidade. Quando não o fazem, diz o jornal, são espancadas nas nádegas com palmatórias.

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