Ordem dos Médicos

Bastonário dos Médicos avisa que “grande parte dos equipamentos está fora do prazo de validade”

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O bastonário da Ordem dos Médicos avisa que grande parte dos equipamentos hospitalares "está fora do prazo" e diz que verbas previstas para investimento na saúde são "insuficientes".

A radioterapia é uma das áreas onde há problemas com os equipamentos hospitalares

Cover/Getty Images

O panorama traçado pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, não é animador: grande parte dos equipamentos hospitalares não está de boa saúde e não há um hospital que não padeça desse mal. Perante isto, as verbas previstas no orçamento para investimentos na saúde são “insuficientes”, afirmou o responsável, num encontro, esta terça-feira, com jornalistas.

Grande parte dos equipamentos [hospitalares] estão fora de prazo de validade”, garante Miguel Guimarães, acrescentando que “não há nenhum hospital em Portugal que não tenha problemas com equipamentos” sendo que, “por vezes, são os maiores que têm mais problemas”.

Miguel Guimarães deu como exemplo o Hospital de São João, no Porto, que teve, durante anos, o investimento em equipamentos “parado”: “Até há cerca de um ano não tinha uma TAC de última geração, que evita muitas radiações”. Apontou ainda a radioterapia e a radiologia como sendo áreas críticas.

Preocupada com a situação, a Ordem dos Médicos vai fazer um levantamento, hospital a hospital, dos estado dos equipamentos e pretende ter essa “fotografia” pronta no primeiro trimestre do próximo ano.

A proposta de Orçamento do Estado para 2018 atribui uma fatia de 160 milhões de euros a investimento, mais 50 milhões do que este ano, mas o bastonário dos Médicos diz que não chega.

Dizer agora que há 160 milhões para investimentos é bom, mas acho que é insuficiente”, afirmou Miguel Guimarães.

O bastonário lembrou que o próprio ministro da saúde “reconheceu que de facto havia aqui um problema sério” quando, no ano passado, anunciou a abertura de uma linha específica para começar a renovar os equipamentos hospitalares que, contudo, “nunca chegou a ser implementada, sem prejuízo de alguns casos excecionais de equipamentos”. “Tanto quanto sei até há dois meses nunca chegou a ser atividade esta linha.”

Miguel Guimarães referia-se ao anúncio feito pelo ministro da Saúde, há um ano, precisamente durante a discussão da proposta de Orçamento do Estado para este ano. Adalberto Campos Fernandes disse então que em 2017 arrancaria um plano, a três anos, para reequipar os hospitais, com utilização de fundos próprios e fundos comunitários. E que, por ano, deveriam ser gastos 70 a 80 milhões com este reequipamento. Em causa, “dezenas de situações em termos de equipamentos pesados”, como aparelhos para a realização de TAC, de ressonâncias magnéticas, radioterapia, entre outros.

Ministro anuncia plano para reequipar hospitais até 2019

No encontro com jornalistas na semana que antecede o Congresso Nacional de Medicina, em Coimbra, Miguel Guimarães deu ainda um parecer negativo ao orçamento da Saúde: “Infelizmente continua a revelar a opção política do Governo em relação à Saúde”. E justificou a afirmação: em 2016 Portugal gastou 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) com a Saúde, este ano deverá gastar 5,2% e em 2018 novamente 5,2%.

“Isto é importante porque tem a ver com a aposta do Governo na Saúde. Enquanto que a média dos países da OCDE gasta 6,5% do PIB, nós continuamos com um valor muito baixo e nos últimos dois anos ainda desceu.”

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