Cultura

Vodafone Mexefest canta Gisela João

Quatro anos depois da estreia no Vodafone Mexefest, no início de uma carreira de êxito, Gisela João abre as hostes do festival este sábado, no Cineteatro Capitólio. A entrada é livre e há surpresas.

Setecentos metros. É a distância que separa a Sociedade de Geografia de Lisboa e o Cineteatro Capitólio, em Lisboa, dois palcos que marcam a estreia e o regresso de Gisela João ao Vodafone Mexefest, em 2013 e 2017, respetivamente. Muito maior do que esses setecentos metros é a evolução e a distância percorrida pela jovem fadista durante este período, prova da aposta certeira do festival no talento emergente.

Hoje uma das vozes mais reconhecíveis e aplaudidas do fado, a compositora de 34 anos é a mais recente surpresa revelada pelo festival que regressa ao coração de Lisboa a 24 e 25 de novembro, como uma espécie de aquecimento para o que está para vir. A melhor parte? A entrada para o concerto-surpresa de Gisela João, no Cineteatro Capitólio já a 18 de novembro, pelas 21h20, é grátis até que a lotação do espaço esgote.

E claro está, para uma noite tão especial como esta, a fadista tem guardados na manga quatro áses de espadas. “Vodafone Mexefest canta Gisela João” tem como convidados confirmados os portugueses Samuel Úria, Luísa Sobral, Stereossauro e o brasileiro MOMO, amigos e colegas que se juntam à compositora de “O Senhor Extraterrestre” para uma noite irrepetível.

“Este concerto é uma junção de pessoas que gostam de fazer música pelo mesmo motivo. Todos os meus convidados têm músicas que eu adoro. O MOMO, especificamente, fiquei a conhecê-lo por causa do VodafoneMexefest, o que é uma característica desde festival: o dar a conhecer muita coisa nova, ou que pertencem a nichos, e que este projeto traz para um patamar mais aberto, mais abrangente”, explica ao Observador Lab Gisela João. Sem levantar muito a ponta do véu. Vamos encontrar-nos a meio caminho”, revela.

Os quatro artistas convidados são, de resto, são sinónimo de aposta do Vodafone Mexefest: Samuel Úria já é quase prata da casa, tendo participado nas edições de 2012, 2013 e 2014 mas protagonizando um concerto em nome próprio pela primeira vez nesta edição, com a ajuda de Gisela João e Ana Bacalhau; Luísa Sobral cantou em 2011, logo no arranque da sua carreira; Stereossauro fez parte do cartaz de 2014; e o MOMO é uma das vozes da edição deste ano, com um concerto dia 24 no Cinema S. Jorge, pelas 20h30, com uma mãozinha de Camané. Além disso, são também quatro nomes tão distintos no seu género musical que simbolizam, precisamente, a diversidade e originalidade que tem pautado o Vodafone Mexefest desde o seu arranque, já lá vão seis anos e oito edições.

Depois do Vodafone Mexefest, os Coliseus e os prémios

E foi logo na terceira edição que Gisela João se apresentou ao público deste festival. Estávamos em 2013 e a cantora de Barcelos tinha acabado de lançar o seu álbum de estreia, homónimo. Ainda assim, esgotou a lotação da Sociedade Geográfica de Lisboa e protagonizou um dos concertos mais aplaudidos da edição. Foi ainda nessa altura, nas semanas finais do ano, que o seu disco foi eleito por várias publicações como um dos melhores de 2017, ao nível nacional.

“Lembro-me perfeitamente do primeiro concerto no VodafoneMexefest. A Sociedade de Geografia de Lisboa é um sítio lindo e inspirador e o público foi incrível. Nunca mais me vou esquecer dessa noite. A energia estava incrível”, acrescenta Gisela João, que não vai perder na edição deste ano os concertos de Destroyer, Samuel Úria e MOMO, entre outros. “Eu gosto mesmo é de ir com o vento de um palco para o outro, não fazer listas predefinidas do que quero ver e ser surpreendida neste festival. Adoro isso”, frisa.

O trajeto ascendente que a fadista iria iniciar, a partir desse primeiro concerto, talvez nem a própria pudesse adivinhar: não faltou muito até que esgotasse os dois Coliseus do nosso país, em Lisboa e no Porto, ganhasse um Globo de Ouro da SIC para Melhor Intérprete Individual e fosse galardoada com o prémio José Afonso 2014 [cujo júri a considerou “a melhor voz que já apareceu depois da Amália”]. O segundo disco chegou no ano passado, “Nua”, com letras e músicas de gigantes como Carlos Paião e Alexandre O’Neil, e foi até eleito pela revista “Blitz” como o segundo melhor feito em Portugal em 2016.

“A música era um escape [na infância], um lugar só meu, um lugar de mim onde eu via/vejo aquela que sou. Nunca sonhei que ia ser a minha “profissão” (não gosto de chamar profissão, gosto mais de chamar paixão). Não sabia que ia por causa da poesia, da música, de mim, ia gravar um disco, ia viajar o mundo, conhecer pessoas que admirava…”, explica a fadista na sua biografia oficial. Mas o talento falou mais alto e assim foi.

Depois da passagem pelo Vodafone Mexefest, Gisela João prossegue a sua digressão e continua a levar o seu fado além-fronteiras, com três concertos em França, em Foix, Ibos e Brive-La-Gaillarde, já em dezembro e janeiro. Em fevereiro, passa pela Áustria e em abril pela Bélgica. Um talento apreciado mundo fora, que o festival que aquece a Avenida da Liberdade reconheceu ainda nos seus primeiros passos. Ainda sobre o futuro, a jovem fadista é clara: não quer esperar mais quatro anos para voltar a atuar no Vodafone Mexefest. “É já para o ano!”, ri-se.

E como nunca é demais relembrar: a edição de 2017, a nona de um currículo feliz, regressa a Lisboa já este mês, a 24 e 25 de novembro, com um cartaz que junta 53 nomes e vários palcos no coração da capital. Cigarettes After Sex, Everything Everything, Washed Out, Destroyer, Moullinex, Orelha Negra, Manel Cruz, Valete, Sevdaliza, Julia Holter, Paulo de Bragança, Liars, Eva RapDiva, Surma, PAULi, IAMDDB, Killimanjaro, Lavoisier, Hinds, Ermo e Cante Alentejano são alguns dos ingredientes para a receita de um festival de sucesso. Os bilhetes estão à venda nos locais habituais pelo preço de 45 euros [50 se comprados durante os dias do evento].

Conteúdo produzido pelo Observador Lab. Para saber mais, clique aqui.
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