Porto

“Fachadismo” pode prejudicar o Porto Património Mundial

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O Porto Património Mundial incorre em perigo caso se repitam operações como a verificada no Palácio das Cardosas advertiu o vice-presidente do Conselho Nacional de Monumentos e Sítios, José Aguiar.

ESTELA SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Porto, 21 nov (Lusa) – O Porto Património Mundial incorre em perigo caso se repitam operações como a verificada no Palácio das Cardosas advertiu o vice-presidente do Conselho Nacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), José Aguiar.

Em declarações à agência Lusa à margem do Fórum do Porto dedicado aos temas do Património, Cidade e Arquitetura, o especialista mostrou-se crítico de algumas opções que subtraem história em nome de um investimento imobiliário.

Assumindo-se contra o “fachadismo”, José Aguiar criticou “as operações em que são salvas as fachadas” enquanto toda a “história interior, história construtiva, história espacial e história dos homens que pisaram estas pedras é apagada por intervenções supercontemporâneas onde existe uma espécie de contradição: são edifícios antigos que já não têm o seu corpo e onde agora surge um corpo novo que não tem direito a uma face contemporânea”.

Questionado sobre se sistematização desta prática faz o Porto incorrer num caminho perigoso, respondeu: “se o Porto continuar a repetir operações como a verificada no Palácio das Cardosas, vai ser muito complicado”.

“Se nós classificámos a arquitetura da cidade do Porto como aquilo que merece um olhar mundial, se estivermos a destruir o interior destes espaços de maneira sistemática como regra, acho que há uma contradição interna que mais dia, menos dia tem que ser apontada e planificada e que afeta a conservação deste património e o seu valor”, concluiu.

Apesar das críticas de descaracterização do centro histórico e da gentrificação, o especialista considera que o Porto “obviamente continua hoje a merecer o título de Património Mundial”.

“Há algo de extraordinário que fez com que continue inscrito no Património Mundial”, sublinhou o responsável do ICOMOS, que fez uma palestra sobre o “Património urbano em Portugal e a lista do património mundial: dos (velhos) problemas aos (novos?) imperativos”.

Enfatizando que “os valores absolutos que aqui estão justificam essa classificação”, alertou que “nem tudo é um mar de rosas e existem alguns aspetos que levantam algumas dúvidas”, frisando que a lista do Património Mundial “é muito clara” nas suas definições.

“Ela diz que o que está classificado é a arquitetura da cidade do Porto e esta não é feita apenas de ruas e de fachadas, mas por cada uma das unidades edificadas, por cada um dos edifícios que estão aqui no Porto e que contam uma história de gerações e gerações de uma cidade muito peculiar”, recordou.

A Lusa tentou obter uma reação da Câmara do Porto mas até ao momento tal não foi possível.

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