Belmiro de Azevedo

O que vale o império Sonae para a economia portuguesa?

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Belmiro de Azevedo não fundou a Sonae, mas transformou-a num império que ainda hoje é o maior empregador privado português, com mais de 40 mil pessoas.

ESTELA SILVA/LUSA

Belmiro de Azevedo, falecido a 29 de novembro de 2017, transformou a Sociedade Nacional de Estratificados (SONAE) no maior empregador privado português, que criou uma média de 6,2 novos empregos em 2016 — para um total superior a 40 mil pessoas empregadas no conglomerado que junta a distribuição, as telecomunicações, os serviços financeiros, centros comerciais e a tecnologia. Já sob a liderança do filho, Paulo de Azevedo, a empresa aproveitou a crise para se reestruturar e no ano passado faturou mais de cinco mil milhões de euros pela primeira vez.

Os supermercados Continente são a “jóia da coroa” — pertencem à Sonae MC e faturaram 2,8 mil milhões só nos primeiros nove meses do ano. Logo ao lado, nos vários centros comerciais que são geridos pela Sonae Sierra, está a Worten, que vendeu 689 milhões no mesmo período. Outras lojas, ligadas ao desporto e vestuário, como a Sport Zone, venderam 437 milhões. No ano passado, 2016, as vendas aumentaram 7,2% — e nos primeiros nove meses de 2017 a tendência positiva manteve-se: lucros de 133 milhões de euros, uma subida de 10%.

Além do Continente (Sonae MC), o “império” Sonae tem, também, empresas (ou participações em empresas) nas áreas dos serviços financeiros (Sonae FS) e gestão de investimentos (Sonae IM). Além disso, a Sonae tem 23,4% da NOS, uma das principais empresas de telecomunicações do país. E participa, também, na Sonaecom, uma empresa cotada que é dona do jornal Público e da WeDo Consulting, uma das empresas mais inovadoras no país na área do software empresarial. Continua a ser na área da inovação que a Sonae investe dinheiro e salários: a pesquisa e desenvolvimento teve um investimento no ano passado de 437 milhões, em termos consolidados.

Temos assim consciência de que entramos em 2017 com uma empresa melhor, mais sólida, com um portefólio melhorado e acrescido conforto com a nossa estratégia, mas de onde nos vem maior confiança é da qualidade e dedicação das nossas pessoas que, vivendo com naturalidade os valores da Sonae, todos os dias se esforçam para cumprir melhor a missão que nos move.” (Ângelo Paupério, Co-CEO da Sonae)

Apesar de essencialmente vocacionada para o mercado interno, a Sonae é também importante como exportadora. Numa conferência de imprensa há alguns anos, Paulo de Azevedo defendeu que, a menos que se trate de um “café da esquina”, todas as empresas têm de pensar nos mercados externos. A Sonae está presente em 90 países, e no que diz respeito à exportação de produtos alimentares de marca própria há vários anos a Sonae já opera como uma grossista em cerca de 30 países.

Com uma cultura empresarial muito própria, que tem Belmiro de Azevedo na sua génese — um homem que se dizia “exigente com os mandriões” — a Sonae continua a atrair alguns dos melhores quadros jovens em Portugal. Há poucas semanas, a Sonae foi considerada a empresa portuguesa mais atrativa para jovens talentos (logo depois de Google e Microsoft) das áreas da gestão e tecnologias — esse foi o resultado de um estudo desenvolvido pela Spark Agency, em colaboração com a Universidade do Minho, em que foram consultados mais de 3.500 alunos.

Os jovens universitários procuram oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, privilegiando empresas que sejam dinâmicas, capazes de lhes proporcionar projetos desafiantes e onde possam desenvolver carreiras de sucesso. O resultado do estudo é o reconhecimento do trabalho realizado pela Sonae, que, com a sua forte presença internacional, diversidade de negócios, aposta na inovação e qualidade e conhecimento das equipas, oferece condições únicas não só para captar e desenvolver talento, como também para criar líderes capazes de triunfar em todo o mundo”, disse Maria Antónia Cadilhe, diretora de Talent Management & Development da Sonae.

A importância da Sonae para a economia portuguesa mede-se, também, pela responsabilidade social. Nos primeiros nove meses de 2017, a Sonae apoiou 1.150 instituições de apoio social, mais 75 do que no mesmo período do ano passado.

A Sonae procurou criar e distribuir valor, realizando contribuições que no conjunto superaram os 6,3 milhões de euros, envolvendo bens materiais, competências e recursos financeiros e humanos. No âmbito dos gravosos incêndios que marcaram o verão de 2017, as insígnias da Sonae uniram-se para combater os impactos nas diversas comunidades locais afetadas, apoiando com donativos e mobilizando mais de uma centena de colaboradores para ações de voluntariado no terreno num total de 1.650 horas.

No âmbito dos gravosos incêndios que marcaram o verão de 2017, as insígnias da Sonae uniram-se para combater os impactos nas diversas comunidades locais afetadas, apoiando com donativos e mobilizando mais de uma centena de colaboradores para ações de voluntariado no terreno num total de 1.650 horas.

Isto sem nunca esquecer “os seus”: há um programa dotado de quatro milhões de euros para apoiar os trabalhadores do grupo, desenhado em colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa, que ajuda 400 famílias de funcionários do grupo “em situação de dificuldade” (com total anonimato dos beneficiários). A Sonae contribui, também, com a oferta de comida para os funcionários, durante todo o dia, numa rede de lojas da Sonae.

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