A Câmara de Viseu já gastou 346.790 euros com a operação que tem em curso, desde o final de outubro, de transporte de água em camiões-cisterna para abastecimento do concelho, disse esta quarta-feira o presidente da autarquia. “Até ao momento, efetuámos 2.410 cargas, num volume total de 64.105 metros cúbicos, e tivemos já de gasto nesta operação 346.790 euros”, disse Almeida Henriques aos jornalistas, no final da reunião de Câmara.

Almeida Henriques frisou que este valor é relativo apenas à logística de transporte de água, não incluindo horas extraordinárias pagas ao pessoal que está a trabalhar em turnos, investimentos feitos em bombas e outros gastos. Segundo o autarca, sob a coordenação da Águas de Viseu, neste momento há entre 68 a 72 camiões por dia “a transportar na casa dos 3.000/3.500 metros cúbicos” de água potável diretamente para os reservatórios que abastecem o concelho.

“Vamos manter a operação, porque continuamos a ter a barragem (de Fagilde) a descer (os níveis da água) todos os dias. É certo que está a descer a níveis mais baixos, mas não deixa de continuar a descer. Ontem, por exemplo, baixou um centímetro”, afirmou. Almeida Henriques disse que esta barragem, que abastece também os concelhos de Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo, “está com 220 mil metros cúbicos e depois ainda há uma reserva que é possível explorar”.

“Eu diria que, globalmente, a barragem está com 300 e poucos mil metros cúbicos”, frisou, acrescentando que o município está a conseguir fazer um equilíbrio, “mas precário”, porque continua a haver todos os dias uma redução do caudal e é preciso que chova.

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Argumentando que se trata de uma situação de emergência, para a qual contribuiu não só a seca, mas também a necessidade que houve de ir buscar água à barragem durante os incêndios florestais, o autarca tem apelado ao Governo que disponibilize ajudas.

Almeida Henriques lembrou que já foram disponibilizados “250 mil euros para os vários municípios, dos quais Viseu foi buscar 175 mil euros”, mas essa verba só “cobre metade dos custos” que a autarquia já teve. “Se não for este ano, porque o fundo ambiental poderá já estar esgotado, esperemos que, logo no início do próximo, quando se renova o fundo, sejamos ressarcidos destes encargos que estamos a ter neste momento”, afirmou.

O autarca realçou que não se trata apenas do custo que está a haver com o transporte da água em camiões, mas também o custo ambiental.

“São 72 camiões a andarem dez horas por dia a transportarem água. O custo logístico é, neste momento, de 5,60 euros por cada metro cúbico transportado. Mas e o custo ambiental que este processo traz? É seguramente um custo muito mais forte”, afirmou, reiterando que devem ser feitas na região obras estruturantes que permitam “criar redundâncias” e acautelar o futuro.