Caso José Sócrates

“Deixem-nos trabalhar”, pede o Grupo Lena

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Grupo Lena pede à comunicação social para se abster de fazer notícias sobre a empresa e sobre as suspeitas que recaem sobre a mesma na "Operação Marquês". Dizem que a "acusação" é "mirabolante".

Ministério Público diz que Grupo Lena foi beneficiado por José Sócrates

LUÍS FORRA/LUSA

O Grupo Lena pediu esta quarta-feira aos diversos meios de comunicação social que “se abstenham” de fazer notícias sobre a empresa e a sua alegada ligação à Operação Marquês. “Deixem-nos trabalhar”, lê-se em letras garrafais no comunicado, pedindo “humildemente” que a empresa consiga “recuperar do prejuízo incalculável”.

A ascenção do Grupo Lena, segundo o despacho de acusação do Ministério Público, está em muito ligada ao engenheiro Carlos Santos Silva — o amigo de Sócrates contratado por um dos fundadores do Grupo Lena, Joaquim Barroca Rodrigues, e que é acusado de corrupção por ter feito vários contactos internacionais para alegadamente conseguir trabalhos para o Grupo.

O envolvimento do Grupo Lena no caso começou a ser noticiado logo após a detenção de José Sócrates, em 2014. Quase um ano depois, um dos irmãos fundadores do Grupo, Joaquim Barroca Rodrigues, seria detido e constituído arguido. Barroca Rodrigues admitiu ter contratado Santos Silva pelos contactos que este tinha em Portugal e no estrangeiro, mas recusou qualquer benefício por parte do ex-primeiro ministro José Sócrates.

O Grupo “tem um passado de que se orgulha, um trajecto ascensional que lhe permitiu granjear uma reputação e uma credibilidade ímpares junto de entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, à custa de muito trabalho, competência, transparência, rigor e escrupuloso cumprimento da Lei, pelo que pretende seguir esse trajecto de afirmação e consolidação, assente em tais princípios norteadores”, escreve o grupo em comunicado. Recusando o pagamento de “luvas” ou outro “qualquer pagamento ilícito, de forma direta ou indireta, a nenhum dos arguidos da “Operação Marquês””.

Muitas das notícias que vieram a público não encontraram, nem na mirabolante tese da Acusação, que se repudia, qualquer acolhimento (…). A acusação, tornada pública há escassas semanas, está a quilómetros de distância das primeiras imputações e dos ruídos reproduzidos na comunicação social, limitando-se a repetir algumas das infundadas teses da investigação, percebendo-se que ali estão apenas para justificar aquele ruído inicial”, lê-se.

O comunicado refere que as notícias vindas a público têm prejudicado “a reputação, a credibilidade e a idoneidade do Grupo Lena”. “Todas as alegações e acusações contra o Grupo Lena que têm vindo a ser publicadas, extraídas da acusação da “Operação Marquês”, já foram antes notícia na comunicação social, dessa vez através das famigeradas “fugas de informação”, cirúrgicas e determinadas, carecendo, por conseguinte, na presente data, de qualquer actualidade”, lê-se.

E acrescenta que todos os pagamentos feitos pelo Grupo Lena à XMI ou a qualquer outra empresa, “como o Ministério Público bem sabe, derivam de trabalhos efetivamente prestados por essas empresas, de forma lícita, como resulta da ampla prova documental constante dos autos”.

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