Ciência

Mulher que nasceu sem útero dá à luz nos Estados Unidos

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Uma mulher que nasceu sem útero deu à luz após um transplante nos Estados Unidos. É o primeiro parto fora do hospital que inventou o procedimento, na Suécia. Mas já há 9 bebés nascidos desta cirurgia.

Há 9 bebés no mundo nascidos depois de as mães terem recebido um útero transplantado. Oito são suecos

Getty Images/iStockphoto

Uma mulher que nasceu sem útero deu à luz um bebé saudável após um transplante bem sucedido, anunciaram os médicos da Universidade de Baylor (Estados Unidos). É a primeira vez que uma mulher com um útero transplantado pare um bebé fora do hospital sueco onde o procedimento foi inventado e posto em prática pela primeira vez. Na Suécia, já nasceram oito bebés de mães com úteros transplantados.

Em 2014, uma mulher sueca de 36 anos que nasceu sem útero deu à luz um menino com 1,775 kg após ter recebido um útero transplantado de uma amiga da família, que tinha 61 anos e estava na menopausa. A criança nasceu de cesariana às 31 semanas de gestação porque a mãe desenvolveu toxemia gravídica, um transtorno que causa aumento da pressão arterial, inchaços e concentração excessiva de proteínas na urina em mulheres grávidas. Tanto a mulher, que era infértil até ao momento do transplante, como o bebé estão bem: o menino mamou e cresce com normalidade e a mãe pode voltar a engravidar se pretender.

O procedimento, inventado por cientistas da Universidade de Gotemburgo, já permitiu que oito bebés tenham nascido de mulheres que receberam órgãos transplantados na Suécia. No entanto, o bebé que nasceu este ano é o primeiro que resultou de uma gestação num útero transplantado fora dos hospitais suecos. Alegadamente, o órgão pertencia a Taylor Siler, uma enfermeira com dois filhos natural de Dallas que queria “dar a oportunidade a outras mulheres de conceberem filhos”.

De acordo com as explicações dadas pela Baylor Scott & White Health, a clínica onde o caso foi acompanhado, o transplante de útero de uma mulher para outra começa ainda antes da cirurgia em si: primeiro, a mulher sem o órgão toma medicamentos que acelerem o desenvolvimentos dos óvulos. Esses óvulos vão ser fertilizados e os embriões que daí resultarem são congelados. A seguir, o útero saudável é retirado do corpo da dadora e transplantado para a paciente, que toma medicamentos imunossupressores que impeçam o organismo de rejeitar o órgão novo. Ao fim de, no mínimo, um ano, a mulher pode estar pronta para ficar grávida: um dos embriões é descongelado e colocado na mulher com o útero transplantado. O resto do processo funciona como uma gravidez normal: se o embrião se implantar no útero, a mulher fica grávida e o bebé começa a desenvolver-se.

Além desta mulher norte-americana, há outras nove a serem acompanhadas pela Universidade de Baylor, a maior parte das quais com agenesia vaginal, uma síndrome que impossibilita a gravidez. Oito delas, com idades entre os 20 e os 35 anos, já receberam um útero transplantado: uma está grávida e duas estão na fase de implantação dos embriões congelados. Qualquer uma delas pode engravidar mais do que uma vez se quiser, mas o útero será retirado assim que tenham o número de filhos que pretenderem para que não tenham de tomar imunossupressores, que são remédios muito poderosos, para o resto da vida.

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