IPSS

Raríssimas. Casa dos Marcos corre risco de fechar por falta de dinheiro

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Sem acesso às contas, a Casa dos Marcos, o principal projeto da Raríssimas, pode vir a fechar. Mecenas cortaram financiamento até que Paula Brito e Costa, o marido e o filho abandonem a instituição.

A Casa dos Marcos, o principal projeto da Raríssimas, fica na Moita

RUI MINDERICO/LUSA

Depois de terem vindo a público as suspeitas de que a presidente demissionária da Raríssimas, Paula Brito e Costa, terá utilizado fundos da instituição para viver uma vida de luxo, a Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) encontra-se agora num impasse. Dos membros da antiga direção, o único que permanece em funções é Nuno Branco, que não tem poder suficiente para tomar as decisões necessárias ao bom funcionamento da IPSS. Por essa razão, os trabalhadores da Casa dos Marcos, o principal e maior projeto da Raríssimas, acreditam que a instituição corre risco e que pode mesmo vir a fechar portas num futuro próximo.

Num conferência de imprensa realizada durante a manhã desta quinta-feira na casa da Raríssimas na Moita, a coordenadora do Departamento Jurídico da IPSS, Manuela Duarte Neves, que falou em nome dos trabalhadores da Casa dos Marcos, explicou que a instituição deixou de ter acesso às contas bancárias desde que Paula Brito e Costa anunciou a sua demissão, na terça-feira. “Não temos dinheiro para dar comida aos nossos doentes” e para medicamentos, disse Manuela Duarte Neves. “E não temos dinheiro — ouçam bem isto — unicamente porque não temos acesso a ele. E não podemos pagar uma fatura que não é nossa.”

“Todos conhecemos, no país e até fora dele, a situação da Casa dos Marcos e a situação da Raríssimas. Somos uma instituição que se ocupa de doenças raras e o nosso principal projeto é a Casa dos Marcos. Prestamos cuidados de saúde como em mais nenhum sítio do mundo, temos aqui os técnicos mais qualificados para tratar doenças rara”, começou por dizer a responsável, adiantando que, na casa da Moita, estão em permanência 70 pessoas. Frisando que a casa “foi erguida com a ajuda de todos os portugueses”, que pagaram “para que ela fosse construída”, a responsável garantiu que a instituição “funciona e funciona bem”.

Vemo-nos a braços com uma situação de enorme, grave e sério risco porque não temos uma direção que possa tomar as decisões necessárias para que os nossos atos do dia a dia sejam validados, sejam legitimados e possamos continuar a funcionar.”

Dirigindo-se diretamente ao primeiro-ministro, Manuela Duarte Neves pediu a António Costa que envie para a Casa dos Marcos “uma comissão de gestão ou uma direção provisória que possa fazer funcionar esta casa”. “A nossa casa está a funcionar — e bem. Não deixe que a nossa casa feche, que os nossos doentes fiquem parados porque, quem tem acesso às contas bancárias, não o quer dar”, pediu. “Nós, os funcionários da Raríssimas, fazemos a Casa dos Marcos e todos os outros serviços funcionarem. Temos tudo, não nos falta nada, inclusivamente uma dose extra de muito boa vontade para continuar.”

Este apelo é um apelo a si, o chefe do Governo. Ouvi-o esta manhã, estava bem disposto. Ajude-nos a também ficarmos bem dispostos.”

De acordo com a coordenadora do Departamento Jurídico, a instituição não tem como proceder a pagamentos e nem sequer tem como fazer “chegar legitimamente o documento do funcionário que vai para o desemprego ou para a reforma à Segurança Social”. “Não temos quem decida”, frisou a responsável. “Aquilo que pedimos nesta altura — e até tudo poder funcionar regularmente –, é que venha para aqui alguém que tenha legitimidade, que não tenho conflito de interesses, que seja idóneo e que seja competente para que a casa possa funcionar.”

Questionada sobre quem tem acesso às contas da Raríssimas, Manuela Duarte Neves explicou que não há uma “pessoa única” responsável por isso. “A direção tem acesso. O único diretor que está a trabalhar connosco é o Dr. Nuno Branco. Dos outros não temos notícia. O Dr. Nuno Branco não pode fazer nada sozinho.”

[Veja no vídeo as primeiras declarações de Maria Cavaco Silva depois do escândalo]

Mecenas cortam financiamento até que Paula Brito e Costa saia

Em relação ao financiamento da Raríssimas, a responsável admitiu ter tido “pessoalmente notícia” de que alguns dos mecenas da instituição decidiram não colaborar mais com a IPSS “até terem a certeza de que a Dra. Paula Brito e Costa, o marido e o seu filho saíram desta instituição”. Relativamente a estes dois últimos, a coordenadora do Departamento Jurídico adiantou que, até ontem, quarta-feira, continuavam a trabalhar na Casa dos Marcos. “Hoje não sei”, admitiu.

Manuela Duarte Neves preferiu não fazer comentários a um possível envolvimento de Nelson Oliveira Costa e do filho no caso, salientando que os trabalhadores não têm “uma posição relativamente a isso”. “Os mecanismos legais têm de funcionar. Se duas pessoas são funcionários que não comprem a sua função, abrem-se processos disciplinares.”

A coordenadora do Departamento Jurídico acredita que a “situação é de uma simplicidade tremenda” e que pode ser resolvida facilmente. “Não faz sentido estarmos neste risco por causa de uma situação que se resume unicamente a ter acesso a contas bancárias, a ter acesso a dinheiro que, em última instância, é de todos nós”, concluiu.

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