Literatura

Accursio Soldano editado pela primeira vez em Portugal com romance de temática pessoana

O compositor italiano Mariano Deidda torna-se "personagem" na ficção "A Viagem à Sicília de Alberto Caeiro", primeira obra do escritor Accursio Soldano publicada em Portugal.

Narrativa do autor italiano relata a viagem imaginária do heterónimo de Fernando Pessoa Alberto Caeiro

Lusa

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  • Agência Lusa
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O compositor italiano Mariano Deidda, que tem musicado a obra de Fernando Pessoa, torna-se “personagem” na ficção “A Viagem à Sicília de Alberto Caeiro”, primeira obra do escritor Accursio Soldano publicada em Portugal. “A Viagem à Sicília de Alberto Caeiro” é publicada pela Ler Devagar, numa tradução Ana Cláudia Santos e Andrea Ragusa.

A narrativa do autor italiano relata a viagem imaginária do heterónimo de Fernando Pessoa Alberto Caeiro, autor de “O Guardador de Rebanhos”, com um estranho companheiro, pela Sicília, para visitarem Filippo, que esculpe cabeças nas pedras e nas árvores da sua quinta.

“Entre Caeiro e este carrancudo artista-camponês, estabelece-se um diálogo singular, fio condutor deste assombroso encontro numa terra de lavradores e pescadores”, afirma em nota a editora, acrescentando que “os dois viajantes entram num mundo labiríntico de contos e crenças ancestrais, que separam a realidade da ilusão”.

Mariano Deidda, que, em fevereiro último, editou o CD “Pessoa sulla strada del jazz”, afirma na introdução que tudo que é narrado neste livro “aconteceu mesmo” e justifica: “Porque este é o diário que escrevi por incumbência do meu amigo Alberto Caeiro da Silva, e documenta (se o espírito se puder elevar à categoria de documento) a viagem que, há alguns anos, fizemos à Sicília”.

O “estranho companheiro” de viagem de Caeiro, nesta ficção, é o músico Mariano Deidda, que se torna personagem de Soldano. Entrando no espírito ficcional da obra, Deidda, na introdução, afirma ter conhecido “Alberto Caeiro e toda a sua extravagante companhia de amigos, composta por Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Ricardo Reis [e] Accursio Urbano”.

Falando de Caeiro, Mariano Deidda, nascido em 1961, em Iglesias, na ilha italiana da Sardenha, afirma que o poeta “costumava pedir uma bica demasiado forte”, enquanto “Fernando Pessoa costumava pedir um carioca de café, e Ricardo Reis tinha o hábito de beber um galão escuro”.

Esclarecendo antecipadamente esta viagem imaginária ficcionada por Accursio Soldano, o compositor afirma que o heterónimo de Pessoa lhe pediu para redigir um diário apontando minuciosamente tudo, e se ninguém estiver disposto a publicá-lo, aconselhou-o: “Senta-te num banco do Terreiro do Paço e conta a minha história a quem passar, como se contam histórias às crianças antes de dormir”.

O autor, Accursio Soldano, nasceu em 1957, em Sciacca, na ilha da Sicília, onde atualmente vive. Licenciado em Filosofia, foi jornalista, tendo colaborado nos jornais La Repubblica, L’Ora e Diario. É editor da secção de cultura da emissora Tele Radio Sciacca.

Soldano, que é publicado pela primeira vez em Portugal, tem editados os romances “Il venditore di attimi” (2012), “Aspettando Mr.Wolf” (2014) e “La maledizione dell’abbazia di Thelema” (2016), além do ensaio “Giuseppe Bellanca e i pionieri sulle macchine volanti” (2013), sendo também autor de peças teatrais e de argumentos cinematográficos.

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