Crimes Sexuais

“Ela sabia”: artista ‘alt-right’ afixa posters em ataque a Meryl Streep

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O artista, que considera o esquerdismo um "transtorno mental", acusou a atriz norte-americana de saber das alegações de abuso sexual de Harvey Weinstein enquanto trabalhava com ele.

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Uma série de posters que atacam a atriz norte-americana Meryl Streep, sugerindo que ela tinha conhecimento dos alegados casos de abuso sexual por parte de Harvey Weinstein, foram afixados em múltiplas partes de Los Angeles, na Califórnia. Nos posters pode ver-se uma barra vermelha com as palavras “She knew” — ou seja, ‘Ela sabia’.

A autoria dos posters foi reclamada por Sabo, um artista de guerrilha, assumidamente de direita, que disse estar a vingar-se das críticas da atriz a Donald Trump, presidente dos EUA, escreve o The Guardian. O novo filme de Meryl Streep, ‘The Post’, realizado por Steven Spielberg, é tido pelos próprios como uma resposta aos sucessivos ataques de Trump aos media.

“Ela atacou-nos então nós atacamos de volta”, disse Sabo, que diz ter concebido e executado a ideia juntamente com outros dois colaboradores, os quais não identificou. Apesar de ter dirigido críticas semelhantes a Trump, Spielberg não foi alvo de Sabo e da sua equipa, unsavoryagents.

O artista, que alguns denominam ‘Banksy da alt-right’, admite que não sabe mesmo se Streep fez aquilo de que a acusa. “Não estava sentado num quarto com ela. Não posso dizê-lo a 100%”, disse ao The Guardian. “Mas diria que qualquer um na indústria [do cinema] tinha uma ideia bastante clara. Acho que ela sabia. Talvez providenciasse carne fresca a Weinstein”.

No website de Sabo, que numa entrevista disse considerar o “esquerdismo um transtorno mental”, além do poster de Streep, estão à venda outros produtos que muitos consideram ser de teor inflamatório, discriminatório, racista e misógino.

Os posters surgem na sequência de Rose McGowan, que diz ter sido violada por Harvey Weinstein, ter acusado Meryl Streep de saber do comportamento do produtor e de ter escolhido manter o silêncio. As críticas de McGowan foram motivadas por relatos de que várias atrizes iriam vestir-se de negro num protesto silencioso na cerimónia dos Globos de Ouro no próximo mês, o que levou a que Streep fosse acusada de “hipocrisia”.

No tweet, entretanto apagado, podia ler-se: “Atrizes, como a Meryl Streep, que com muita alegria trabalhou para O Porco Monstro, vão usar preto [nos] Globos de Ouro em protesto silencioso. O VOSSO SILÊNCIO é O problema. Vão aceitar um prémio falso ofegantes e afetar nenhuma mudança real. Desprezo a vossa hipocrisia”.

Meryl Streep respondeu a McGowan através de um testemunho em que garante não saber “dos crimes de Weinstein, nem nos anos 90 quando ele a atacou, nem nas décadas subsequentes em que atacou outras. Não fui deliberadamente silenciosa. Não sabia. Não aprovo violação. Não sabia. Não gosto que mulheres jovens sejam atacadas. Não sabia que isto estava a acontecer.”

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