100% português

Dvine. Estes cremes são portugueses e cheiram a Vinho do Porto (mas sem álcool)

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Depois de muitas experiências laboratoriais e de umas quantas vindimas, a Dvine chega ao mercado. São cremes feitos em Portugal, com cheiro a Vinho do Porto. E sem uma gota de álcool.

Com um leve aroma a Vinho do Porto, os cremes da Dvine chegaram às farmácias em outubro

Não é todos os dias que assistimos ao nascimento de uma marca de cosmética portuguesa e esta ainda tem um travo especial. Com um pé nos laboratórios da Universidade do Porto e outro nas encostas do Douro, a Dvine é a primeira marca de cosmética vínica portuguesa e acaba de chegar ao mercado. As fórmulas foram desenvolvidas por quatro farmacêuticas que em 2014 foram para o laboratório tentar perceber como é que o Vinho do Porto, um produto tão português, poderia fazer a diferença no universo dos cremes e séruns. É isso mesmo que está a pensar. As experiências levaram o seu tempo, tudo para que vinho e beleza se encontrassem a meio caminho.

Em outubro, a Dvine chegou ao mercado com 12 produtos, oito da linha Light Harvest e quatro da linha Gold Harvest © Divulgação

“Tudo partiu de uma constatação. Entrávamos numa loja e só víamos marcas estrangeiras. Era quase insólito encontrarmos uma marca de cosmética vínica tão popular em Portugal [a Caudalie] e nós, com o Douro, não termos nada. Mas precisávamos de um conceito diferente, uma particularidade que as outras regiões vitivinícolas que deram origem a produtos de cosmética não tivessem, algo que viesse do Vinho do Porto”, explica Ana Cercas, responsável de unidade de negócio da marca.

Após as longas experiências laboratoriais, a Dvine foi vendida ao grupo Medinfar, responsável pela produção de marcas bem conhecidas como Halibut, Oleoban e Trifene e presente em mais de 50 mercados. A empresa foi fundada em 1970 e é hoje um grupo farmacêutico de capital 100% português. Com a venda da marca, que nasceu como startup, duas das sócias iniciais deixaram o projeto, enquanto as outras duas continuam como consultoras externas da Medinfar. A empresa estreou-se no segmento da cosmética e convidou a atriz Daniela Ruah para ser a cara da nova marca.

O resultado chegou a algumas farmácias em outubro. Para o lançamento, a Dvine apresenta 12 produtos hipoalergénicos, divididos em duas linhas: a Light Harvest, com fórmulas focadas na luminosidade da pele, e a Gold Harvest, um tratamento intensivo dos sinais de envelhecimento. Ao segmento explorado a marca chama cosmética de fusão, um termo criado para definir as fórmulas que misturam ingredientes biológicos e orgânicos, neste caso o óleo de grainha de uva e o extrato de amoreira branca, com componentes de performance como ouro. Para 2018, a marca prepara já a introdução de mais quatro referências, bem como um crescimento na distribuição.

Da cerveja para o vinho, do vinho para a cosmética

Uma dessas consultoras é Mariana Andrade, farmacêutica e responsável pelo desenvolvimento de cada uma das fórmulas. Na hora de diferenciar o produto, não bastava ter em conta os benefícios já conhecidos dos ingredientes de origem vitivinícola. Basicamente, era preciso que os cremes fossem reconhecidos pelo cheiro a Vinho do Porto — mas não a um qualquer. O vinho utilizado é orgânico e o aroma extraído através de um método inovador. “O mais moroso foi conseguir limpar o composto aromático de forma a não ter álcool, mas também a não perder os benefícios”, afirma Mariana.

Daniela Ruah é a imagem da primeira campanha da Dvine © Divulgação

Chama-se pervaporação e, além de ser um palavrão daqueles, é uma patente portuguesa de um professor e investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Em 2007, o sistema foi aplicado pela Unicer para produzir uma cerveja sem álcool que não perdesse tanto sabor original. É um processo de separação por membranas em que o componente de uma mistura líquida que se pretende isolar assume o estado gasoso depois de passar por uma dessas membranas.

Simplificando, no caso da Dvine, o método fez com que pudesse extrair o aroma do vinho eliminando todo o teor alcoólico, até porque a ideia de ficar tocadinho com o creme antirrugas, à partida, não é lá muito convidativa. Ao mesmo tempo, a pervaporação permite que o vinho possa ser aproveitado após o processo e seguir o seu curso.

Nome: Dvine
Data: 2017
Pontos de venda: farmácias e na Sweetcare
Preços: vão dos 14,90€ aos 109€

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.

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