Futebol

Caso dos emails. FC Porto “descodifica” a teia do poder, os hotéis e as ligações às claques

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Emails alegadamente enviados e recebidos por Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves circularam ao longo do dia. Mais tarde, Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, "descodificou-os".

Francisco J. Marques voltou a pedir a atuação do Governo em relação às ligações entre Benfica e as suas claques

JOSÉ COELHO/LUSA

Começou por ser algo a circular nas redes sociais, acabou como uma notícia, ou um conjunto de notícias, que faziam as ligações do “quem, quando, onde, como e porquê”: esta terça-feira, alguns emails alegadamente recebidos por Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e enviados/recebidos por Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD dos encarnados, foram surgindo amiúde pela internet ao longo do dia e tornaram-se assunto de conversa no programa Universo Porto de Bancada, no Porto Canal, por Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, que acabou por descodificar os mesmos tendo como background outra correspondência eletrónica que já tinha denunciado nos últimos meses no mesmo espaço.

“A teia do poder, que aqui batizámos de polvo, tem o objetivo de conseguir o controlo de vários grupos e entidades para contribuírem de forma irregular para o sucesso do Benfica. E são pessoas ligadas ao Benfica que assumem isso mesmo”, resumiu inicialmente o responsável dos azuis e brancos.

A “teia do poder” para o sucesso das modalidades

Lendo um email alegadamente enviado por Tiago Pinto, atual diretor-geral do futebol do Benfica que à data (14 de março de 2017) era uma espécie de homem-forte das modalidades do clube, a propósito do caminho que as águias deveriam trilhar para conseguirem ter sucesso nesse capítulo, Francisco J. Marques argumentou que “existe o risco de tornar o desporto numa enorme mentira porque há um clube que quer meter tudo a seu favor”.

“Nessa extensa análise que faz, tem este ponto: ‘Continuar o trabalho da teia do poder que temos conseguido com instituições, clubes e imprensa para que se possam somar pequenas vitórias em todos os campos: empréstimos de jogadores, relações com as federações, conselhos de arbitragens e afins’. Ou seja, está a assumir o trabalho para controlar um sem número de coisas, o ‘afins’ fica à nossa imaginação mas não é muito difícil lá chegar. Há aquela frase de Vieira há dez anos que dizia ser mais importante meter as pessoas certas na Liga do que contratar jogadores. Isso tem continuado a acontecer”, destacou Francisco J. Marques.

A estadia paga e os convites a ex-dirigentes da arbitragem

Mais à frente, recuperando alegada correspondência de Paulo Gonçalves, o diretor de comunicação dos azuis e brancos voltou a colocar em causa as ligações entre o Benfica e Ferreira Nunes, ex-dirigente ligado à arbitragem. “Num email para uma funcionária do Benfica, Paulo Gonçalves pede um quarto em nome de José Ferreira Nunes no seu hotel e dois convites numa deslocação a Dortmund. A que propósito é que tem estas deferências? Tem porque foi alguém que esteve ao seu serviço até deixar de fazer as classificações dos árbitros”, apontou.

“Isto é um exemplo concreto da tal teia de poder, este tipo de comportamentos. Ainda este verão, já depois de tudo o que se soube, Ferreira Nunes enviou um email a todos os árbitros e ao Conselho de Arbitragem em nome de Franck Vargas para tentar criar problemas e desestabilizar. Mas há mais: num outro email, a 27 de março deste ano, são pedidos três convites para Nuno Cabral, quatro para Ferreira Nunes, três para Júlio Loureiro, ex-árbitro e observador que é também funcionário judicial e enviava informação privada e em segredo de Justiça para o Benfica… Mas há mais pedidos, para observadores, delegados…”, acrescentou.

As ligações às claques e o pagamento das suas defesas

Outro dos pontos mais criticados por Francisco J. Marques teve a ver com o suposto apoio do Benfica às claques não legalizadas do clube. “É muito superior ao apoio dos clubes que têm as suas claques registadas e há senhores no IPDJ que fecham os olhos”, destacou, pedindo também a intervenção do Governo sobre o tema.

“Em 2010 estava a haver o julgamento do célebre caso dos No Name Boys, por tráfico de droga, tráfico de armas, crimes da pesada. Há um esquema que o Benfica utiliza para suportar a defesa de três dos arguidos, recorrendo ao escritório de João Nabais que envia as coisas para a CSA, Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados, de Fernando Seara e João Correia, e por sua vez o Benfica paga a esse escritório. É um esquema para não deixar um rasto muito evidente que estava a patrocinar essa defesa aos tais que não apoia”, começou por referir.

“Após a morte do adepto do Sporting na Luz, todos ficámos surpreendidos quando, mais ou menos uma semana depois, o adepto do Benfica se entregou e quem o acompanhava era um advogado caríssimo, de prestígio e com os respetivos honorários a esse nível [nd.r. Carlos Melo Alves]. Será que é o Benfica a suportar esses custos? E atenção, se não soubesse que era uma vergonha, não montava estes esquemas”, acrescentou, entre outros emails onde alegadamente teriam sido pedidas e pagas pelo clube tarjas para as suas claques.

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