Espaço

O primeiro laboratório espacial chinês vai despenhar-se na Terra, mas é improvável que o céu nos caia na cabeça

Sete anos depois de ter sido lançado pela agência espacial chinesa, o "Lugar Celestial" vai finalmente descer à Terra, onde se vai despenhar. É pouco provável, mas o céu pode cair-nos na cabeça.

CMSE

O laboratório espacial Tiangong-1 vai despenhar-se na Terra de forma não controlada em março. Apesar de ainda não se saber bem nem quando nem onde os destroços vão cair, não há razões para ficar preocupado. Ao contrário do que temem Astérix, Obélix e companhia, dificilmente será desta que o céu nos vai cair em cima da cabeça.

Ainda que algumas peças de tamanho considerável possam sobreviver sem se desfazer à queda, a probabilidade de algum de nós ser atingido com uma pedaço do Tiangong-1 é ínfima. A maioria do laboratório espacial vai ficar reduzido a pequenos destroços e a agência compromete-se a dar ‘updates’ internacionais do estado de desintegração do laboratório caso seja necessário.

O Tiangong-1 foi um marco da tecnologia aeroespacial chinesa. Conhecido como “Lugar Celestial” (é o que significa Tiangong em mandarim), o laboratório foi lançado em 2011 e serviu como primeira estação espacial da China. A sua principal utilidade era testar tecnologias de atraque, o que conseguiram fazer pela primeira vez em 2012, e outras técnicas necessárias para a construção de uma ‘verdadeira’ estação espacial, algo que os chineses planeiam concretizar a partir de 2020.

Originalmente a estação deveria ter sido encerrada em 2013, mas o governo chinês decidiu prolongar o prazo de vida por mais dois anos e meio para realizar mais experiências. Em 2016, a agência espacial anunciou que tinha perdido contacto com a estação, da qual deixara de ter controlo. Agora, em queda vão estar entre 900 e 3600 kg de destroços, que certamente se vão quebrar e desintegrar, acabando espalhados num largo raio de quilómetros.

De momento, o “Lugar Celestial” encontra-se a uma altitude de 270 km, menos 100 km do que em setembro de 2016. Várias agências espaciais têm estado a seguir o laboratório, estimando que este vai cair algures entre as latitudes 43º N e 43º S. Traduzindo por lugares concretos, o Tiangong-1 vai, muito provavelmente, cair algures nos oceanos, mas destroços podem atingir algo ou alguém nos EUA, na China ou até mesmo em Portugal.

Mas não, não há que ficar em pânico. Quanto muito, há razões para se sentir esperançoso e apostar na sorte: segundo a Aerospace, as chances de ganhar o ‘jackpot’ da lotaria são cerca de um milhão de vezes maiores do que de ser atingido por destroços nas regiões de maior perigo, entre as quais se encontra Portugal.

Qualquer receio que possa ainda existir é mitigado pelo facto de vários objetos espaciais maiores e mais pesados já se terem despenhado na Terra sem qualquer tipo de consequências de maior. Na verdade, apenas há registo de uma pessoa que tenha sido atingida por um destroço espacial.

Em 1997, no estado de Oklahoma, Lottie Williams passeava pelo parque quando um pedaço de metal de 15 centímetros pertencente a um foguetão Delta lhe acertou no ombro. Williams não sofreu qualquer tipo de lesões e tornou-se na primeira pessoa de que há conhecimento a ser atingida por um objeto vindo do espaço. Na improbabilidade de o leitor se tornar o segundo, já sabe: tem mais chances de ganhar a lotaria.

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