Sporting

Sete histórias de regressos dos ex-Benfica à Luz pelo Sporting

Recorde aqui sete histórias de "traições" na Segunda Circular, de futebolistas (e não só) que trocaram o estádio da Luz pelo José Alvalade.

Nuno Correia/Getty Images

Nunca escondeu que o clube de infância era o Sporting. Mas também jurou fidelidade ao Benfica depois de se transferir para o Real Madrid, prometendo nunca representar outro clube em Portugal. Esta quarta-feira Fábio Coentrão regressa ao estádio da Luz com vestido de verde-e-branco. Não foi o primeiro a trocar a Luz por Alvalade.

Artur Correia (1977/78)

Artur Correia, eternamente o ruço, morreu em julho de 2016. Meses antes, ao Observador, contou a história da (turbulenta) saída do Benfica: “Tenho recordações boas e recordações menos boas [do tempo que joguei no Benfica]. A pior recordação é a da minha saída. O presidente era o Ferreira Queimado. Mas quem mandava no dinheiro era o Romão Martins — e o tipo embirrou comigo. Quando renovei o contrato, anos antes, tinha ficado acordado com o senhor Borges Coutinho [anterior presidente do Benfica] que o meu contrato seria melhorado na renovação seguinte. Mas o Romão Martins, em vez de o melhorar, ainda me queria pagar menos seis contos por mês. Eu considerei isso uma ofensa — eu que era do Benfica desde que nasci! — e resolvi sair para o Sporting.”

O defesa direito venceu cinco campeonatos pelo Benfica entre 1971 e 1977. Pelo Sporting foi campeão na temporada 1979/80, última temporada em que equipou de verde-e-branco — saindo depois para os norte-americanos do Jacksonville Tea Men.

Chegado à Alvalade, a primeira jornada foi logo um Sporting-Benfica que terminou empatado: 1-1. Artur Correia jogaria os noventa minutos. Uma ronda depois, regressaria à Luz também como titular. Mas aí o Benfica derrotou o Sporting com um golo solitário de Vítor Baptista – que perderia o brinco durante o jogo, o que obrigou a uma caricata paragem para o encontrar no relvado.

Jordão (1977/78)

Rui Jordão, a gazela de Benguela, fez a formação nos juniores do Benfica e em 1971 ascenderia à primeira equipa. Por lá jogaria cinco temporadas sempre como titular, tendo feito 79 golos em 127 jogos. Depois de uma passagem breve pelo Zaragoza de Espanha, regressaria a Portugal e a Lisboa, mas desta vez para jogar no rival Sporting.

Foram dez temporadas e 184 golos em 282 jogos – tendo feito uma tríade memorável de ataque com Manuel Fernandes e António Oliveira. Títulos de campeão nacional venceu seis: quatro na Luz e dois em Alvalade. E foi em duas ocasiões, uma pelo Benfica e outra pelo Sporting, o goleador-mor do campeonato.

Mas o primeiro regresso à Luz não foi feliz. Foi a 12 de fevereiro de 1978. Uma entrada duríssima de Alberto obrigou Jordão a sair ao minuto 26. Tinha uma dupla fratura no perónio. Mas curiosamente o árbitro Rosa Santos nem mostraria cartão amarelo a Alberto. Ah, o Benfica venceu 1-0 – no tal jogo do brinco perdido de Vítor Baptista.

Eurico (1979/80)

Eurico Gomes jogou no Benfica (primeiro clube do defesa) seis temporadas, outras três no Sporting e cinco no FC Porto. Curiosidade: por cada um dos “grandes” realizou 89 precisos jogos no campeonato. Foi sempre um “amuleto e campeão nacional: dois títulos no Benfica, dois no Sporting e dois no FC Porto.

A televisão a cores chegou a Portugal no dia 5 de setembro de 1979. O regresso de Eurico à Luz foi a 4 de novembro desse mesmo ano — sendo o primeiro jogo transmitido em direto e a cores na RTP. Quanto ao jogo, o Benfica venceu 3-2 naquela jornada 9. Mas no final da época até foi o Sporting de Eurico que sorriu. O jogo fica igualmente marcado por um penálti (disparatado) de Laranjeira, defesa que fez nessa mesma temporada fez o percurso inverso ao de Eurico, trocando Alvalade pela Luz.

Paulo Sousa/Pacheco (1993/94)

O Verão de 1993 foi quente na Segunda Circular. Paulo Sousa e Pacheco trocariam o Benfica pelo Sporting, juntando-se no plantel de Robson (Carlos Querioz assumiria o banco antes do Natal) a Stan Valckx, Balakov, Luís Figo, Cadete, Juskowiak e Cherbakov. O regresso de ambos à Luz foi no dérbi de 18 de dezembro de 1993. O Benfica venceu 2-1. Mas o encontro fica marcado pela tragédia que aconteceu três dias antes.

Pouco passava das cinco da manhã. Serguei Cherbakov circulava em excesso de velocidade na Avenida da Liberdade. Vinha do jantar de despedida do treinador inglês. O ucraniano desrespeitou um sinal vermelho e o carro em que seguia foi abalroado por outro. A carreira de Cherbakov terminou então: ficou paraplégico com brevíssimos 22 anos. Figo marcou no dérbi da Luz. Mas choraria em pleno relvado o acidente de “Cherba”.

João Pinto (2000/01)

Era o Menino d’Ouro na Luz: capitão épocas a fio, 302 jogos e 90 golos. Mas Vale e Azevedo afastaria João Pinto do estádio Luz, assinando este pelo Sporting de Augusto Inácio – campeão na época anterior. João regressou, agora não com a camisola 8 mas sim a 25, à Luz no dia 3 de dezembro de 2000. E o Benfica venceu 3-0, com um golo do holandês Pierre van Hooijdonk e dois de João Tomás. Inácio deixaria o Sporting depois da humilhação sofrida. Mourinho era o treinador do Benfica e também estava de saída: Manuel Vilharinho ganhou as eleições e a sua escolha para treinador foi… Toni.

Curiosa é a conferência de imprensa em que Inácio se despedia do Sporting. Circulando notícias de que o presidente Dias da Cunha (e Luís Duque, presidente da SAD) queria o ex-treinador do Benfica em Alvalade, os adeptos leoninos invadiram a sala de imprensa do estádio em protesto: “Mourinho nunca!”. E Mourinho não assinou pelo Sporting. E o resto da história quanto à carreira (repleta de títulos no FC Porto, por exemplo) do Special One é a que todos sabem.

Derlei (2007/08)

Derlei venceu tudo no FC Porto. Depois assinou pelo Dínamo de Moscovo, voltando a Portugal e, agora, ao Benfica no mercado de Inverno da época de 2006/07. O contrato de meia época não se prolongou no final. E o Sporting contratou-o na época seguinte. Paulo Bento queria-o para fazer dupla com Liedson. E é célebre a declaração do presidente Soares Franco quando soube do desejo do treinador: “Posso dizer-lhes que quando me falaram do Derlei ia-me caindo o cabelo todo. No princípio apanhei um choque. ‘O Derlei? Do Benfica?’ Mas não me arrependo…”

Pelo Sporting, Derlei reencontrou o Benfica a 16 de abril de 2008… em Alvalade. Nessa temporada nunca jogaria na Luz porque uma lesão nos ligamentos o afastou dos relvados durante meses. Mas este reencontro tem uma história curiosa. Jogavam-se as meias-finais da Taça de Portugal. Derlei começou o jogo no banco de suplentes, entrando ao minuto 61. Quando entrou, o Benfica vencia 2-0. Mas depois de o brisileiro entrar o Sporting marcou cinco golos de rajada (um deles foi de Derlei, aos 79’) e o jogo terminou com a vitória dos verde-e-brancos: 5-3.

O regresso ao estádio da Luz só aconteceria na temporada seguinte, a 27 de setembro de 2008. Liedson e Derlei entendiam-se às mil maravilhas no ataque. Mas o treinador de então, Paulo Bento, optou por jogar na Luz com… Djaló e Postiga de início. Deu a mão à palmatória e os dois brasileiros entrariam a partir da hora de jogo. O Benfica encolheu-se com as mexidas. Mas a vitória sorriu aos da Luz: 2-0.

Jorge Jesus (2015/16)

Jorge Jesus nunca escondeu que o seu clube é o Sporting. Estava-lhe no “sangue”: o pai, Virgolino, jogou com os Cinco Violinos. E Jesus também foi jogador do Sporting, primeiro na formação e, depois, na primeira equipa, tendo disputado 12 jogos na temporada de 1975/76. Mas como treinador foi no Benfica que ergueu títulos: três campeonatos, cinco Taças da Liga, uma Taça de Portugal e duas Supertaças.

No Verão de 2015, para surpresa de muitos, não renovou pelo Benfica e trocou a Luz por Alvalade. E no primeiro dérbi que disputou no Sporting, regressando à Luz, foi apupado. Mas o expressivo 3-0 final silenciaria os apupos. Rui Vitória e o antecessor no banco do Benfica andaram num bate-boca desde o começo da época, garantindo Jesus, provocatoriamente, que o Benfica de Vitória ainda era o “seu” nos hábitos que tinha.

No final do dérbi, Jesus responderia assim: “Se quisesse punha o Rui Vitória deste tamaninho. Mas não quero…”

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