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Rio tem uma “tradição”: ganhar eleições. Por isso aponta já para vitória nas legislativas de 2019

Rio quer a "justiça nos tribunais e não nos jornais", insiste em entendimentos com PS para reformas e aponta já a 2019. "Nunca perdi eleições, se se mantiver a tradição, anormal será o PS ganhar".

Ainda não ganhou o partido, já quer ganhar o país. O slogan pode ser de Santana Lopes, mas foi essa a mensagem central do discurso de Rui Rio na “festa de encerramento” da campanha eleitoral. O candidato portuense à liderança do PSD puxou dos galões para citar o seu currículo em matéria de prestações eleitorais: ganhou todas, e para dizer que é isso que pretende fazer não só amanhã, como em 2019, quando se disputarem as eleições legislativas. Rui Rio acabou a campanha interna pela liderança do PS a pedir vitória para daqui a dis anos.

Começou com uma enumeração: ganhou as eleições para a associação de estudantes em 1981, voltou a ganhar em 1982 (“e tive mais votos”); ganhou a câmara do Porto três vezes, “e na segunda vez tive mais votos do que na primeira, e na terceira mais do que na segunda”; até a junta metropolitana do Porto, cuja eleição não é direta, diz que ganhou duas vezes, sendo que na segunda foi, sem surpresas, com mais votos do que na primeira.

Tudo para dizer que tem uma “tradição”. E se se cumprir essa tradição, então não só ganha este sábado a Santana Lopes, como ganha em 2019, a António Costa. “Se amanhã se cumprir esta tradição, em 2019, nas legislativas, que será anormal é o PS ganhar. Porque o que será normal é o PSD ganhar”, disse mesmo na fase final do discurso final, desencadeando um forte aplauso na sala.

A sala do hotel em Vila Nova de Gaia não se pode dizer que fosse grande, mas estava cheia. Mas apesar de a candidatura ter intitulado de “festa de encerramento”, o ambiente não era de grande festa. Os militantes de pé, à frente de um palanque onde Rui Rio e outras figuras ilustres da sua candidatura, como Nuno Morais Sarmento, Paulo Mota Pinto, Salvador Malheiro ou Álvaro Amaro, esperavam sentados pela sua vez de discursar. Havia balões laranja e brancos no teto, bandeiras nas mãos, mas até os confetti pareceram incomodar mais do que alegrar.

Em todo o caso, o discurso final foi muito aplaudido pelos militantes na sala. Mesmo na parte em que Rui Rio voltou a defender a ideia de que quer uma justiça “mais célere, mais eficaz e mais transparente” — que, segundo Santana Lopes, foi o mote para a discussão que se originou sobre a renovação ou não do mandato da PGR. Rio insiste que não percebe o que há de “politicamente incorreto” na ideia de querer uma justiça mais célere, e foi mais longe: “Quero uma justiça nos tribunais, não quero uma justiça nos jornais”, disse. Só os “corredores de Lisboa” é que “acham isso politicamente incorreto”.

Rio faz questão de sublinhar que não é um político dos corredores do poder. “Sou livre e não tenho amarras, as únicas amarras que tenho são as minhas convicções”, disse, depois de ter defendido mais uma vez a tese de que as grandes reformas só se fazem em conjunto, com diálogo e entendimentos entre PS e PSD. Até Álvaro Amaro, presidente da câmara da Guarda e apoiante de Rio, deu o exemplo de António Guterres, como um primeiro-ministro que procurou governar com diálogo. “É isso que Rui Rio tem para oferecer a partir de amanhã ao país”, disse.

Santana estava “ansioso” para um debate com Pacheco Pereira

Primeiro foi Miguel Relvas, depois José Pacheco Pereira. Os dois últimos dias de campanha interna para a liderança do PSD ficaram marcados por polémicas introduzidas por agentes externos. Sobre o seu amigo Pacheco, que ontem revelou na SIC que em 2011 Santana o chamou para falar sobre a ideia da criação de um novo partido, Rio chutou para canto: “É uma conversa entre os dois”, disse aos jornalistas em Santa Maria da Faria, depois de uma visita a um centro social no último dia de campanha.

De facto, a conversa tem sido feita entre os dois. Esta manhã, numa entrevista ao Observador, Santana Lopes confirmou o encontro, mas desvalorizou-o e disse que não era sobre a criação de um partido, mas sim de um “movimento”. Quanto a Rio, deixa-os a falar um com o outro. “Notei foi que ele [Santana Lopes] andava desde o início ansioso para fazer um debate com o dr. Pacheco Pereira, e estava a ver que acaba a campanha e ele não conseguia o debate. Mas lá conseguiu”, ironizou.

Mas o resultado está longe de estar garantido, por isso Rui Rio diz-se preparado para os dois cenários. “Estou preparado para perder, mas se perder vai ser a primeira vez na vida. Nunca perdi eleições”, disse, depois de ter sublinhado que está tão ou mais confiante do que estava ao início, quando começou a corrida eleitoral. “Feridas” no day after é que diz que não vai haver: “Foi, acima de tudo, uma campanha muito esclarecedora”.

Quem quer que ganhe, vai encontrar um partido diferente, diz. “Quem ganhar vai herdar um partido muito mais mobilizado, porque, mesmo que isso não tenha passado para fora, esta foi uma campanha muito participada, com militantes que já não iam a uma reunião há anos a aparecerem para reuniões à sexta ou ao sábado à noite”, disse num curto balanço feito aos jornalistas depois de uma visita ao centro social São Tiago de Lobão, em Santa Maria da Feira.

A mobilização não quer dizer, no entanto, que se traduza numa corrida às urnas, reconheceu. “Acredito que a abstenção pode ser mais baixa do que o habitual, mas há sempre abstenção”, disse, reconhecendo que não são os mais de 70 mil militantes que surgiram no último mês com as quotas pagas que vão votar na escolha do próximo líder do PSD.

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