PSD

Pinto Luz. “Não tenho padrinhos, mas também não tenho afilhados”

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Escreveu carta dura a Rui Rio e insiste que ele tem de ganhar eleições: caso contrário, deve demitir-se. Vice da câmara de Cascais, lançado por Relvas como candidato a líder, rejeita ter "padrinhos".

Pedro Granadeiro / Global Imagens

Foi Miguel Relvas que lançou, em finais de setembro, o nome de Miguel Pinto Luz como possível candidato à liderança do PSD nas diretas que se disputaram em janeiro. O atual número dois de Carlos Carreiras na Câmara Municipal de Cascais, que liderou a distrital do PSD Lisboa durante seis anos, acabaria por não avançar depois de Pedro Santana Lopes ter assumido a candidatura, mas ainda em janeiro deste ano, uma entrevista ao jornal Público, Miguel Relvas voltaria a insistir que o futuro do PSD vai passar por nomes como…Miguel Pinto Luz.

O nome ainda é estranho ao público não militante do PSD, mas Pinto Luz parece estar a fazer o seu caminho para o pós-2019. Esta terça-feira, no programa matinal “10 minutos” da SIC, o ex-líder da distrital de Lisboa disse que “não tinha padrinhos, nem afilhados”, e pressionou Rui Rio a “dizer no congresso ao que vai”: “O PSD não pode ser uma cópia do PS, porque se assim for, na hora de votar, os portugueses vão preferir o original e não a cópia”.

Questionado sobre se, a 15 dias do congresso do PSD, estava a dar a cara como representação de alguém ou de alguma fação do partido, Pinto Luz rejeitou a ideia, dizendo que falava “tanto com Miguel Relvas, como com Marques Mendes, Carlos Moedas, Pedro Duarte ou Luís Montenegro”. “Não tenho padrinhos, mas também não tenho afilhados, falo com toda a gente”, disse.

A estratégia de notoriedade de Miguel Pinto Luz teve o primeiro ato esta sexta-feira, a duas semanas do congresso. Tal como o Observador noticiou, Pinto Luz escreveu uma carta aberta ao líder eleito do PSD, Rui Rio, num tom muito duro e com um caderno de encargos preciso. Criticou as lideranças “unipessoais” e o “comportamento de messias” que alguns líderes tendem a assumir, e desafiou Rui Rio a clarificar “as omissões” da moção de estratégia global que vai levar ao congresso de 16,17 e 18 de fevereiro. Mais: disse que o mandato que os militantes lhe tinham conferido não lhe permitia perder eleições, como não lhe permitia conversar com o PS com vista à reedição do bloco central, ou tão pouco viabilizar orçamentos do PS (nomeadamente o OE que se segue, para 2019).

Esta terça-feira de manhã, numa entrevista de 10 minutos na SIC, o ex-dirigente da distrital de Lisboa explicou que optou por escrever uma carta aberta e não por assinar uma moção ao congresso porque “as moções perdem-se no meio de tantas e acabam por ter pouco impacto ou nenhum”. E voltou a pôr pressão máxima sobre Rui Rio. “Só há uma opção que é ganhar as eleições “, disse, lembrando que ele próprio perdeu eleições autárquicas e demitiu-se. Não disse o que irá defender caso Rio não cumpra a missão em 2019, se irá defender a queda do líder, mas a mensagem ficou implícita.

Pinto Luz assumiu que “estranhou imenso” o discurso que Rio e os seus apoiantes levaram para a campanha interna, onde assumiram que viabilizariam um governo do PS caso o PS ganhasse as legislativas sem maioria — para evitar que Costa se virasse novamente para a esquerda, e insistiu que não pode haver viabilizações, tem é de haver dicotomia. “O PSD tem de apresentar um projeto alternativo para o país, não existe democracia sem alternativa”, disse, rejeitando que o PSD seja “muleta” ou “cópia” do PS.

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