ASAE

Funcionários da ASAE criticam operação anunciada para áreas afetadas pelos incêndios

Os funcionários da ASAE criticaram a operação anunciada nas áreas afetadas pelos incêndios. Os trabalhadores defendem que não há um risco para a saúde que justifique esta mobilização de meios.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O sindicato dos funcionários da ASAE criticou esta quinta-feira a operação anunciada pelo inspetor-geral para as áreas afetadas pelos incêndios, sublinhando que não está em causa um risco para a saúde que justifique mobilizar tais meios.

Na quarta-feira, em entrevista à agência Lusa, o inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Portugal Gaspar, anunciou que esta entidade vai iniciar em março uma operação de fiscalização centrada nos produtos tradicionais nas áreas afetadas pelos incêndios em 2017, como, por exemplo, a certificação.

Para a Associação Sindical dos Funcionários da ASAE, este anúncio “está a causar enorme desconforto e indignação” nos funcionários, em particular no corpo da inspeção, e poderá mesmo “criar desconforto e revolta naqueles que viveram a tragédia na primeira pessoa e que ainda sofrem com as suas consequências”.

Aquilo que foi anunciado, defende a associação sindical, “foi a mobilização da ASAE, recursos humanos e materiais, para uma prolongada operação de fiscalização cujo foco não é a segurança alimentar, mas confirmar que uma tragédia é efetivamente uma tragédia”.

“É de todo lamentável e carece de explicações adicionais, o anúncio de uma prolongada operação cujo único fito será fiscalizar a autenticidade dos produtos de uma área geográfica afetada por uma enorme tragédia, não se vislumbrando qualquer situação que envolva risco para a saúde pública e que justifique esta mobilização”, acrescenta.

Na entrevista, Pedro Portugal Gaspar explicou que os incêndios afetaram a produção de muitos produtos típicos daquelas regiões, o que justifica a atuação da ASAE.

“Houve aqui uma tragédia nacional como é público e notório e, na área económica, há aqui um conjunto de produtos típicos das regiões em causa, seja de queijos, vinho, azeite, fruta e mel que de facto tiveram a sua produção fortemente abalada. (…) Temos de perceber se as quantidades que vão ser colocadas no mercado são as mesmas de antes dos fogos”, disse.

“Temos de saber ler certos fenómenos e orientar a organização [ASAE] para eles, tendo presente o elemento da autenticidade e da fraude alimentar”, acrescentou.

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