Artes Marciais

Artes marciais. Governo irlandês pede às organizações que avancem com regulamentos

Na sequência da morte do português João Carvalho, praticante de Artes Marciais Mistas (MMA), o governo irlandês pediu às organizações da modalidade que avancem com medidas de segurança.

NYEIN CHAN NAING/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Governo irlandês pediu esta sexta-feira às organizações de Artes Marciais Mistas (MMA) a acelerarem a introdução de regulamentos e segurança para a organização de combates, na sequência da morte do atleta português João Carvalho.

“A ausência de um órgão nacional oficial para MMA na Irlanda é inaceitável”, declararam o ministro dos Transportes, Turismo e Desporto, Shane Ross, e o secretário de Estado, Brand Griffin, num depoimento conjunto emitido neste dia.

Embora não queira interferir na autonomia das organizações desportivas de cada modalidade, o Governo defende um elevado nível de regulação e segurança para proteger os praticantes e critica a falta de progresso.

“Parece-me que os líderes da MMA na Irlanda estão deliberadamente a demorar na implementação de padrões adequados de regulamentação e segurança. Hoje, exorto a Associação de Artes Marciais Irlandesa a fazer o correto, que é tomar as medidas necessárias para proteger os seus lutadores e evitar lesões e mortes desnecessárias”, vincou Ross.

O comunicado foi uma reação ao inquérito judicial à morte do do praticante de Artes Marciais Mistas (MMA) português João Carvalho em 2016, declarada na quinta-feira por um tribunal irlandês “infortúnio” devido às circunstâncias.

Durante o inquérito, várias testemunhas deram conta de problemas na assistência médica no local, no transporte para o hospital e depois no seu tratamento, que resultaram na morte, dois dias depois do combate. João Carvalho morreu em 11 de abril de 2016 num hospital de Dublin, onde deu entrada em estado crítico depois de um combate na capital irlandesa, o primeiro internacional da carreira do atleta de 28 anos.

Durante o combate terá sido sofrido 41 golpes na cabeça, confirmando a análise do médico legista, que determinou na autópsia que a causa da morte foi uma hemorragia subdural aguda causada por uma pancada forte na cabeça, agravada pela ingestão de resíduos gástricos.

Além de declarar um veredicto de morte por infortúnio [misadventure], o júri recomendou a criação de um organismo nacional para as MMA, de forma a estabelecer regras de segurança para este tipo de combates, nomeadamente o envolvimento de profissionais de saúde qualificados, sugerindo que se repliquem as condições implementadas para o boxe profissional.

Num depoimento enviado neste dia à agência Lusa, a família de João Carvalho exortou “fortemente as autoridades competentes a tomarem medidas na sequência de cada das recomendações para garantir que mais nenhuma pessoa envolvida no MMA sofra um destino semelhante.”

Elogiam também professor neurologista Dan Healy, fundador da SafeMMA, uma organização não oficial que facilita a realização de exames de ressonância magnética antes de combates para identificar potenciais problemas de saúde. No dia do combate, terá tentado sensibilizar os promotores para submeter os lutadores a exame, mas sem sucesso.

A família do português, que está a avaliar a hipótese de avançar com um processo civil para pedir indemnização, refere ainda que, embora não tivesse conhecimento “em detalhe dos cuidados prestados ao João após o combate e o caos que se seguiu”, não vai comentar por enquanto a situação.

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