Joana Vasconcelos

Com novas obras e outras antigas, Joana Vasconcelos vai ser a primeira portuguesa no Guggenheim

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A próxima exposição da artista plástica portuguesa abre ao público a 9 de junho em Bilbau. Inclui 14 peças ainda em preparação. Joana Vasconcelos apresentou as novidades esta sexta-feira.

Autor
  • Bruno Horta

“A relação com Espanha é forte e antiga, foi em Valência que expus pela primeira vez fora de Portugal”, recordou Joana Vasconcelos esta sexta-feira de manhã, durante uma conferência de imprensa de apresentação da próxima exposição individual: “Joana Vasconcelos: I’m Your Mirror”, que abre ao público a 9 de junho no Guggenheim de Bilbau, mantendo-se até 11 de novembro.

“Tenho vindo a trabalhar com muitos curadores espanhóis e tenho de destacar que em 2005 fui a primeira mulher da primeira Bienal de Veneza comissariada por mulheres, duas espanholas”, disse a criadora.

“I’m Your Mirror” é uma mostra com algumas das obras mais conhecidas da artista, desde 1997 até agora, mas também peças novas e uma instalação pensada para o local (“site-specific”), a ser exibida no átrio central do museu desenhado pelo arquiteto Frank Gehry. Ao todo, 35 obras, 14 das quais novas, ainda em preparação. “Não é uma retrospetiva, ou antológica, mas mostra uma série de obras minhas mais antigas”, afirmou Joana Vasconcelos.

Uma das novidades é “Solitário”, peça com 112 jantes de automóvel e 1324 copos de cristal da marca portuguesa Atlantis, informou a artista. Tem cerca de três toneladas de peso.

Outra peça nova, “I’m Your Mirror”, é a que dá título à mostra: uma máscara de grande formato feita de 231 molduras de duplo espelho, num total de 462 espelhos, e um peso aproximado de duas toneladas e meia. “Pode fazer interior e exterior e tem um aspeto psicológico: é a máscara que colocamos e também a forma como olhamos para nós próprios”, classificou Joana Vasconcelos.

É descrita como a primeira exposição individual de um artista português num Museu Guggenheim — estabelecido em Nova Iorque, em 1959, pelo milionário Solomon R. Guggenheim, e com secções em Veneza (1951), Bilbau (1997) e Abu Dabi (abertura prevista para breve).

A conferência de imprensa começou ao som de “Maldição”, de Amália Rodrigues, e decorreu no atelier da artista, em Alcântara. Contou com a presença dos comissários: a curadora Petra Joos, do Guggenheim de Bilbau, e o crítico e curador Enrique Juncosa.

A arquitetura do museu é muito singular e em cada exposição tentamos de alguma maneira mudar essa arquitetura, não fisicamente, mas em termos da disposição das obras e das emoções que convocam. Com a Joana vamos encontrar também uma nova experiência”, explicou Petra Joos. “Está na moda falar de mulheres artistas, ainda que não se fale de homens artistas. Aqui não se trata para cumprir uma agenda, mas de mostrar uma artista com uma voz importante no passado e no futuro, para a história da arte”, acrescentou.

“Há uma identidade feminina que se reflete muito no meu trabalho”, comentou Joana Vasconcelos, que disse aceitar como influências Paula Rego, Jeff Koons, Louise Bourgeois, Marc Chagall ou Marcel Duchamp, além do “lado cultural estético” de Portugal.

O título da mostra lembra “I’ll Be Your Mirror”, a grande antológica da fotógrafa americana Nan Goldin, organizada em 1996 no Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque. Segundo Enrique Juncosa, é também uma homenagem à canção homónima do álbum de estreia dos Velvet Underground e Nico, em 1967.

Segundo Joana Vasconcelos, a exposição poderá vir a Portugal depois de novembro, ao Museu de Serralves, no Porto, e depois poderá viajar até ao Museu de Roterdão. Mas ainda não há datas fechadas.

A artista portuguesa, nascida em Paris em 1971, parece habituada ao pioneirismo. Em 2012, tornou-se a primeira mulher a apresentar obra no Palácio de Versalhes, em Paris, numa exposição que se tornou célebre, com um recorde de visitantes: 1,6 milhões. No ano seguinte, representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza, com a conhecida obra do cacilheiro Trafaria Praia.

Além de Bilbau, vai apresentar este ano duas obras de arte pública em França, a convite dos municípios de Paris e de Nice. A obra parisiense será instalada na Porte de Clignancourt, enquanto a proposta para Nice, que consiste na escultura “Tutti Frutti”, de 2011, ficará no passeio marítimo da cidade, junto a uma nova estação de metropolitano.

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