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Ex-agente português sobre espião russo: “Para mim era um homem de negócios”

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Frederico Carvalhão Gil foi condenado por passar informação a um espião russo. Na sua primeira entrevista, diz que os 10 mil euros que recebeu estavam “relacionados com o negócio de azeite".

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O espião Frederico Carvalhão Gil, condenado a sete anos e quatro meses de prisão pelos crimes de espionagem e corrupção passiva para ato ilícito, diz que os 10 mil euros que recebeu de um agente secreto russo estavam “relacionados com o negócio de azeite” que tinha acordado com Sergey Nicolaevich Pozdnyakov. À TVI24, Carvalhão Gil garante que acreditava estar a lidar com um “homem de negócios russo”.

O agente dos Serviços de Informações portugueses não percebe como o tribunal “foi capaz de julgar matéria que assume que é segredo de Estado, matéria que nunca viu”. Carvalhão Gil considera, por isso, que o julgamento foi feito “violando a lei”.

Na sequência da sua investigação, o Ministério Público acusou Carvalhão Gil de passar informações de Estado ao espião russo a troco de dinheiro. O espião contesta a sensibilidade da informação em causa – “segredo de Estado, não” era, garante – mas reconhece ter cometido um erro. “Tinha um documento classificado dentro de um livro que estava na mochila, um descuido meu”, diz à TVI.

Também admite ter recebido dinheiro de Sergey Nicolaevich Pozdnyakov. Apresenta, no entanto, uma versão própria para os 10 mil euros que recebeu e para essa relação com o espião russo.

“Para mim, era um homem de negócios russo, um empresário, que eu conheci acidentalmente e com o qual encontrei uma oportunidade de negócio”, explica espião russo. Que garante: “Se eu, nalgum momento, tivesse suspeitado de que as intenções dele fossem outras, tinha comunicado imediatamente ao meu serviço.”

Sobre o dinheiro, Carvalhão Gil reconhece que as notas lhe foram “entregues” mas que os 10 mil euros estavam “relacionados com o negócio de azeite” que tinha acordado com Pozdnyakov. “Eu comprometi-me, numa situação anterior, a adquirir azeite em Portugal e, depois, de o fazer chegar”, conta à TVI.

O agente do Serviço de Informação e Segurança foi detido em Itália, em maio de 2016, na companhia do espião russo. Foi o próprio secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa a partilhar as suas suspeitas com o Ministério Público e a Polícia Judiciária, dando origem à Operação Top Secret.

Recordando o momento da detenção, Carvalhão Gil diz ter começado a “sentir um grande alarido na rua”, em Roma. “Olhei para a rua, vi que estavam umas pessoas a entrar de rompante no café. Mandaram estar quietos”, conta. O agente que se dirigiu ao espião português falou em italiano. “Comigo foram relativamente tranquilos”. Com o espião russo, não tanto. “Com ele foram verbalmente mais agressivos, entre aspas”, dando ordens para que se virasse de costas para o português.

Carvalhão Gil está em prisão domiciliária com pulseira eletrónica desde 17 de junho de 2016. Depois de ter sido condenado a sete anos e quatro meses de prisão, a defesa já anunciou que iria recorrer da sentença.

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